Que tipo de dieta traz benefícios aos rins?

Do Texto: Prevenir doenças cardíacas, derrames e problemas renais

Roda dos Alimentos.


Dieta DASH (indicada para redução da pressão alta) e Mediterrânea comprovadamente fazem bem ao coração - e esses benefícios podem ser estendidos aos rins

São Paulo – outubro 2022 - Dieta não precisa ser uma palavra de cinco letras, das quais lembramos apenas quando percebemos umas dobrinhas a mais ou o decolar do peso da balança. “Na maioria das vezes, uma dieta implica em perda de peso e vem carregada de restrições e talvez até de planos pouco saudáveis. Mas novas recomendações divulgadas recentemente por especialistas em saúde referem-se à dieta com um objetivo diferente em mente: prevenir doenças cardíacas, derrames e problemas renais”, explica a médica nefrologista Dra. Caroline Reigada*, especialista em Medicina Intensiva pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira. Novas diretrizes desenvolvidas pela American Heart Association e American College of Cardiology enfatizam que uma dieta saudável e nutritiva pode desempenhar um papel importante na redução do risco de ataque cardíaco e derrame, ao mesmo tempo em que ajuda a “reduzir ou reverter” a obesidade, colesterol alto, diabetes e pressão alta – todos considerados fatores de risco para doenças cardíacas e renais. “A dieta de padrão mediterrâneo ou a dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension) são as mais recomendadas para pacientes que já tem ou querem evitar problemas cardíacos e renais”, acrescenta a nefrologista. “Os rins são órgãos muito complexos e sensíveis a qualquer mudança na estrutura química do sangue e o estilo de vida influencia significativamente a sua integridade e funcionalidade. A progressão da doença renal é, normalmente, silenciosa, portanto necessário que se aposte na prevenção, com análises sanguíneas e urinárias regulares”, explica a médica nutróloga Dra. Marcella Garcez*, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).

Segundo a médica nefrologista, a alimentação saudável, como a dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension) comprovadamente reduz a formação de pedras nos rins, além de diminuir a chance de diabetes e de pressão alta, grandes vilões para a saúde renal. “A dieta DASH é baseada na alta ingestão de frutas, verduras, vegetais, nozes, legumes, laticínios desnatados, grãos integrais e na baixa ingestão de açúcares e carnes vermelhas ou processadas. Nessas dietas, são recomendadas proteínas vegetais ou animais, desde que sejam magras (de preferência peixe)”, explica a Dra. Marcella Garcez. Apesar de terem as mesmas bases, a dieta DASH permite mais fontes de proteína de laticínios com baixo teor de gordura e cortes de carne e aves, enquanto a dieta mediterrânea, que não foi criada como uma dieta específica, é um reflexo dos hábitos alimentares comuns nos vários países que fazem fronteira com o Mar Mediterrâneo. “Ambos os planos evitam alimentos ricos em gordura saturada e trans, que as diretrizes também desencorajam para proteger os rins e o coração”, diz a Dra. Caroline. Quanto às proteínas, é necessário ter cuidado com os excessos: “A ingestão proteica em excesso influencia a hemodinâmica renal, resultando em sobrecarga, devido ao aumento da taxa de filtração glomerular. A dieta hiperproteica também parece aumentar o volume renal e o peso do rim. Também se sabe que um elevado consumo de proteínas predispõe à formação de cálculos renais”, destaca a Dra. Caroline. “O consumo diário de proteínas deve ser individualizado e específico, tendo em atenção à idade da pessoa, o gênero, a atividade física, a profissão, o estado de saúde e os objetivos pessoais. As necessidades diárias podem ir de 0,6 a 2g por quilograma ao dia e dependem de vários fatores”, enfatiza a Dra. Marcella.

As médicas enfatizam que é necessário ter atenção com o cardápio quando o paciente é vegano. “Alguns veganos que evitam carne, laticínios e outros produtos de origem animal não estão fazendo seleções inteligentes se encherem seus pratos de frituras ou carboidratos refinados, como pão branco, macarrão, arroz branco e muitos alimentos ultraprocessados. Esses alimentos, em excesso, podem levar ao desenvolvimento de diabetes e problemas como resistência à insulina. O açúcar em excesso acarreta maior inflamação, com consequente risco de diabetes - que é o maior fator de risco para doença renal crônica no mundo. A resistência à insulina (condição típica do diabetes tipo 2) gera vasoconstrição (estreitamento de vasos) e retenção de sódio e água pelo organismo, como também o endurecimento dos vasos sanguíneos – o que pode lesar os rins”, diz a Dra. Caroline. “O mais importante é ter uma dieta mais variada e equilibrada possível, com boas fontes de gorduras boas, carboidratos complexos (com mais fibras) e, nesse caso, proteínas vegetais, que devem ser combinadas para fornecer os aminoácidos necessários, preferindo sempre os alimentos in natura”, destaca a médica nutróloga.

Dentre os alimentos que beneficiam os rins, a médica nefrologista cita: as frutas cítricas (limão e laranja por exemplo), que previnem a formação de cristas nos rins; o melão, que é rico em citrato, e ajuda a dissolver esses cristais; o leite, seus derivados e as folhas escuras, que são ricas em cálcio. “Não caia em orientações antigas! Não corte o cálcio de sua dieta (leite e derivados). A falta de cálcio na dieta pode estimular a formação de pedras e, ao contrário do que se pensava, o paciente com cálculo deve ingerir uma quantidade normal de alimentos com cálcio por dia, de 1000 a 1200 mg por dia (3 a 4 porções de lácteos)”, explica a médica nefrologista. Em contrapartida, é fundamental ter controle sobre a quantidade de sódio ingerida. “O sal é a maior causa de hipertensão arterial (pressão alta). Além de causar retenção de líquidos, o sal causa constrição (estreitamento) das arteríolas, com consequente elevação da pressão arterial. A hipertensão de longa data lesa os rins e seus diversos vasos, ou seja, ocorrem lesões de órgãos-alvo, como acontece no coração e no cérebro. Dados recentes mostram que o sódio (sal) também modula o funcionamento de células imunológicas, apoiando a teoria do aumento inflamatório no organismo”, destaca a Dra. Caroline. “Sabemos que o brasileiro adulto ingere em média 12g diárias, mais que o dobro recomendado, portanto para a população em geral a orientação de reduzir o consumo de sal é corretamente aplicada e em muitas situações a quantidade de 5g deve ser reduzida ainda mais, sempre com orientação médica”, acrescenta a Dra. Marcella.

Por fim, a médica nefrologista lembra que doenças metabólicas (obesidade e diabetes) e intestinais (Doença de Crohn, Doença Celíaca e Síndrome do Intestino Curto), que necessitam de orientações alimentares para o seu tratamento, precisam ser tratadas, já que também predispõem quadros de problemas renais. “Uma dieta adequada é fundamental na prevenção dos cálculos, pois a composição da urina está diretamente relacionada com a alimentação”, finaliza a Dra. Caroline.

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*DRA. CAROLINE REIGADA: Médica nefrologista formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro, com residência médica na Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e residência em Nefrologia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Especialista em Medicina Intensiva pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira, a médica participa periodicamente de cursos e congressos, além de ter publicado uma série de trabalhos científicos premiados. Participou do curso “The Brigham Renal Board Review Course” em Harvard. Integra o corpo clínico de hospitais como São Luiz, Beneficência Portuguesa de São Paulo e Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Instagram: @dracaroline.reigada.nefro
*DRA. MARCELLA GARCEZ: Médica Nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da ABRAN. A médica é Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRMPR, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo. Além disso, é membro da Sociedade Brasileira de Medicina Estética e da Sociedade Brasileira para o Estudo do Envelhecimento. Instagram: @dra.marcellagarcez

 

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