Esclerose Múltipla pode se manifestar de formas variadas, dificultando a busca por tratamento médico

Fotocomposição com um corsç~so e um termómetro, tendo por cima a frase PELA SUA SAÚDE!


Médico especialista fala sobre as inovações no tratamento e importância do diagnóstico precoce



Por Dr. Mateus Boaventura de Oliveira*

Embora tenha em seu nome a palavra “Esclerose”, costumo dizer que a Esclerose Múltipla (EM) está além deste significado, principalmente porque não se trata de uma demência e nem uma doença de idosos. Ela é, na realidade, muito comum entre pacientes jovens, entre 20 e 40 anos, principalmente mulheres, e já podemos considerar uma das grandes causas de incapacidade neurológica entre este público.

A causa ainda é desconhecida, no entanto, sabemos que há uma interação entre fatores genéticos e ambientais, como, por exemplo, valores baixos de vitamina D, infecção pelo vírus Epstein-Barr, tabagismo e obesidade.

A manifestação mais comum da doença costuma ocorrer em forma de surtos, ou seja, sintomas neurológicos que podem durar dias ou semanas. Estes sintomas surgem de repente e, depois, diminuem ou desaparecem, retornando depois de um tempo.

Estes surtos podem comprometer algumas funcionalidades do organismo, como a visão, a sensibilidade, a força muscular, a coordenação e outras funções do sistema nervoso central. Em um dos surtos mais típicos, o paciente fica com visão embaçada e dificuldade para enxergar, além de sentir dor quando movimenta os olhos, o que chamamos de neurite óptica.

Além disso, também recebo pacientes que sofrem surtos como dormência e formigamento dos membros, desequilíbrio, fraqueza muscular, incontinência urinária e diversos outros.

Já entre um surto e outro, o paciente começa a identificar outros sintomas. É comum o paciente ter fadiga, problemas de atenção e concentração, disfunção sexual e dificuldade de controlar a bexiga ou o intestino. Isso provoca a queda na qualidade de vida, afetando a vida pessoal, social e profissional.

Mas vale ficar atento, pois, em alguns casos, a doença não aparece dessa forma e, sim, de maneira progressiva. Esse é aquele paciente que começa a perceber que tem cada vez mais dificuldade para andar, aumento progressivo da fraqueza muscular, do equilíbrio, da cognição e dos sentidos.

Por conta disso, o maior desafio que enfrentamos é conseguir diagnosticar precocemente este paciente. É comum que ele procure diversos especialistas por conta dos sintomas específicos, sem considerar que todos podem estar relacionados a uma mesma doença. Caso o diagnóstico e início do tratamento seja tardio, pode ocorrer um acúmulo de sequelas, deteriorando ainda mais a vida deste paciente.

Antes de 1993 não havia nenhum tratamento eficaz aprovado. Hoje, felizmente, existem mais de 10 opções de tratamento para frear doença. Cada opção possui um grau de eficácia e um perfil de efeitos adversos e a escolha é sempre individualizada. O objetivo deste tratamento é prevenir novos surtos, novas lesões e o acúmulo de incapacidade.

Ainda não temos uma cura, mas, hoje, após 29 anos da primeira terapia aprovada, a história e o prognóstico de pacientes com esclerose múltipla melhorou significativamente. Felizmente, um grande percentual destes pacientes pode não evoluir mais para incapacidade neurológica importante e ter uma boa qualidade de vida, caso recebam diagnóstico e tratamento precoces.

Portanto, com todas as informações que temos hoje, reforço que é muito importante ficar atento a sintomas neurológicos novos em pessoas jovens e que persistam por mais de 24 horas. O ideal é, além de procurar por médicos generalistas, visitar o neurologista para relatar todos os sintomas. Afinal, o diagnóstico e tratamento precoces serão decisivos na evolução da doença.

                                                                  💠💠💠

*Dr. Mateus Boaventura de Oliveira é neurologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, com especialização em Esclerose Múltipla pelo Cemcat- Hospital Vall d’Hebron, de Barcelona, e título de especialista pela Academia Brasileira de Neurologia. Atualmente, realiza pesquisas científicas e acompanha diversos pacientes com EM.

 

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