10 mitos e verdades sobre a celulite e como combater o problema

Mulher de perfil em cuequinha, segurando na mã uma laranja semi-descascada e cuja casca cai pela sua perna.

 

8 a cada 10 mulheres têm celulite e enfrentá-la requer mudanças no estilo de vida. Consultamos especialistas para desvendar os maiores mitos e verdades que rondam o problema

São Paulo – agosto 2022 - A lipodistrofia ginóide, popularmente conhecida como celulite, é um problema famoso e recorrente entre as mulheres. “A celulite é uma inflamação do tecido adiposo, em que as células gordurosas sofrem um processo de alteração, apresentando excesso de gordura no seu interior e deformidade da sua parede. Essas irregularidades acabam se projetando na superfície, levando à formação de uma série de ondulações na pele. Além disso, a diminuição das fibras de colágeno agrava o problema. O tecido de gordura é flácido e requer septos de fibrose (colágeno) para ser sustentado. Quando esse colágeno não é suficiente, surge a celulite", explica a dermatologista Dra. Paola Pomerantzeff*, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. O problema é muito mais comum em mulheres por conta do hormônio estrogênio, diretamente envolvido nesse processo de inflamação, mas os maus-hábitos também estão envolvidos, então os especialistas costumam dizer que a causa é multifatorial. Abaixo, consultamos três médicos para destacar o que é mito e o que é verdade com relação ao aparecimento e piora da celulite:


A celulite é uma condição genética. VERDADE. O fator genético é a principal causa para a celulite, segundo a Dra. Paola. “A programação genética para celulite é o fator preponderante que determina o quadro”, explica o dermatologista Dr. Abdo Salomão Jr.*, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Isso explica o maior número de casos em mulheres. “Um estudo recente mostrou que, anatomicamente, há diferenças que justificam a maior incidência nas mulheres. A pele é composta por duas camadas de gordura (superficial e profunda), separadas pela fáscia superficial. Nos homens, há maior número de lóbulos de gordura subcutânea e maior número de bandas fibrosas, mais conexões fibrosas entre a fáscia superficial e a derme em comparação com o sexo feminino. Dessa forma, uma força maior é necessária para romper as conexões fibrosas e é justamente por isso que eles sofrem menos com a formação de celulites”, explica a Dra. Cláudia Merlo*, médica especialista em Cosmetologia pelo Instituto BWS.

Pessoas magras não têm celulite. MITO. “Ao ver uma mulher magra, não estamos realizando uma avaliação de composição corporal, sendo assim, ela pode ter alto percentual de gordura e consequente celulite. Não sabemos dos hábitos de vida dessa mulher magra e, além disso, do consumo de alimentos inflamatórios que ela ingere”, explica a Dra. Cláudia Merlo. O problema também aumenta com a idade, devido à perda de colágeno e de todas as estruturas de bandas fibrosas que compõem a pele.

O excesso de peso piora a condição. VERDADE. Segundo o Dr. Abdo Salomão Jr., basicamente, os hormônios femininos predispõem gordura nas regiões dos quadris e coxas e onde existe um acúmulo maior de gordura, existe maior probabilidade da instalação de celulite. “A gordura comprime as veias e os canais linfáticos, o que causa um inchaço no local. Então, a região, com pouca circulação, agrava mais ainda a celulite. A partir daí, surge um círculo vicioso que, se não for tratado corretamente, pode permanecer para sempre”, explica o dermatologista.

A celulite só aparece depois dos 25 anos. MITO. A Dra. Paola explica que ela pode aparecer a qualquer momento. “Geralmente acontece após a puberdade, quando os níveis de estrogênio aumentam, porém, pode surgir em outras épocas se houver sedentarismo e/ou aumento da gordura localizada”, diz a médica.

Refrigerante causa e piora a celulite. VERDADE. Os refrigerantes contêm alta concentração de açúcar e sódio. “O açúcar aumenta a gordura localizada e o sódio aumenta a retenção de líquidos, piorando a circulação local. Não apenas os refrigerantes, como todos os alimentos com alto teor de açúcar e gordura podem agravar as celulites, pois aumentam as células de gordura”, explica a Dra. Paola. De acordo com a Dra. Cláudia Merlo, outros dos principais “bad-habits” relacionados ao desenvolvimento e piora da celulite são: dieta inflamatória (com consumo de alimentos de alto índice glicêmico), sedentarismo, obesidade e baixa ingestão hídrica.

Fumar não influencia. MITO. “As substâncias tóxicas do cigarro acometem diversas funções do organismo, piorando a oxigenação e microcirculação da pele, o que diminui a produção de colágeno e promove o acúmulo de gordura localizada”, diz a Dra. Paola.

Beber água ajuda a combater a celulite. VERDADE. “O aumento da ingestão de água ajuda o organismo a eliminar as toxinas do organismo, ocasionando uma melhora na pele. O ideal é ingerir, no mínimo, 2 litros de água por dia”, diz a Dra. Paola. É claro que essa não será a solução do problema, mas a Dra. Cláudia Merlo destaca que os tratamentos para a alteração estética devem ser iniciados após o paciente ter consciência da importância da mudança do estilo de vida, senão não haverá resultado. “Dieta, exercícios físicos e drenagem linfática são altamente indicados para tratar a celulite”, conta a Dra. Cláudia.

Roupas apertadas causam o aparecimento de celulites. EM TERMOS. A dermatologista Dra. Paola explica que o uso de roupas apertadas não causa celulite, mas pode agravar a celulite existente, uma vez que piora a circulação linfática e sanguínea. “Isso causa retenção de líquidos e piora a microcirculação local. Se você está tentando se livrar das celulites, dê preferência para roupas mais confortáveis”, diz a médica. “Já as meias de compressão podem ajudar desde que sejam orientadas por especialistas vasculares (cirurgião vascular ou fisioterapeuta vascular), pois são inúmeras características de compressão da meia, portanto o uso é individualizado”, completa a Dra. Cláudia Merlo.

Cremes tratam a celulite. MITO. “Ativos tópicos (de passar) apresentam performance muito limitada. Temos que ter em mente que a celulite é uma alteração predominantemente do subcutâneo (da gordura). Não há cremes com eficácia comprovada que agem no tecido gorduroso”, explica o Dr. Abdo. “Os cremes cosméticos para celulite não são capazes de tratá-la, pois não conseguem atingir camadas profundas, onde está a gordura, sistema linfático e traves fibrosas, que são estruturas relacionadas com a causa da celulite”, destaca a Dra. Cláudia Merlo. “No entanto, alguns produtos que contêm bases termogênicas (que geram calor), melhoram momentaneamente a pele”, completa o médico. Dentre as opções, de acordo com a dermatologista Dra. Paola, os cremes anticelulite contêm princípios ativos como cafeína, cafeisilane c, ginkgo biloba, chá verde, entre outros. “Esses cremes devem ser aplicados diariamente nas áreas do corpo afetadas com celulite através de massagem rigorosa. Mas a melhora do aspecto da pele é esperada com os tratamentos em consultório”, diz a Dra. Paola.

O resultado do tratamento anticelulite é definitivo. MITO. A Dra. Cláudia Merlo enfatiza que, quanto aos resultados, é esperada a melhora da textura da pele e a redução dos relevos da pele. “Esse resultado não é definitivo, pois a celulite tem causas multifatoriais então podem surgir novas ao logo da vida”, conta a médica.

Tratamentos

Há novidade com relação aos tratamentos médicos. O ultrassom macrofocado Atria conta com uma tecnologia inovadora de Coagulação Radial Intermitente para entregar a energia de forma pulsada, com a mesma eficácia e menos dor. “O Atria age na celulite de várias formas. Primeiramente, o ultrassom aquece a gordura a 65ºC, promovendo sua degradação, o que diminui a quantidade de tecido adiposo no local tratado. Com os cartuchos de 6 e 9mm, o ultrassom quebra as traves fibróticas da celulite, aquelas que puxam a pele para dentro e causam os furinhos. E, também, o calor pode ser aplicado em camadas mais superficiais da pele, melhorando a tensão superficial e causando uma retração no tecido, atuando para melhorar a firmeza. Com isso, acontece uma reestruturação em todas as camadas, com consequente melhora da celulite e da aparência da pele como um todo, reduzindo também flacidez e gordura”, diz o Dr. Abdo. São indicados quatro tratamentos a cada 15 dias.

De acordo com a Dra. Cláudia Melo, em consultório, há opções como injeções redutoras de gordura, que são aplicadas em regiões com maior resistência de eliminar com dieta e exercícios físicos, subcisão das bandas fibrosas, radiofrequência e bioestimuladores de colágeno injetáveis. “Os procedimentos podem ser associados, de acordo com a avaliação médica sobre a necessidade da paciente. As injeções redutoras de células de gordura promovem destruição da membrana da célula de gordura e consequentemente menor edema local após resultado final. A radiofrequência aquece os tecidos até 42º graus aproximadamente e realiza estímulo de colágeno. Já o bioestimulador de colágeno injetável é aplicado para estimular as células formadoras de colágeno (fibroblastos) a produzirem colágeno”, explica Dra. Cláudia. Desses tratamentos, apenas as injeções redutoras de gordura apresentam algum tipo de downtime: “Há um processo inflamatório (dor, calor, vermelhidão e inchaço) que se estende por volta de até 20 dias”, diz a médica. Na subcisão, o tempo de recuperação é maior (30 dias), já que uma agulha bisturizada é inserida sob a pele, com movimentos contínuos, para quebrar os septos fibrosos”, diz a médica.

A dermatologista Dra. Paola conta que o melhor resultado continua sendo através da associação de diversos tratamentos. “Se eu tivesse a opção de utilizar apenas um deles, escolheria os bioestimuladores de colágeno injetáveis (ácido-L-poli-láctico ou hidroxiapatita de cálcio). Isso porque a celulite é uma alteração do tecido adiposo (tecido de gordura, formado por adipócitos, que são células de gordura). Esse tecido de gordura é flácido e requer a presença de septos de tecido fibroso (fibras de colágeno) para a sua sustentação. Quando esse tecido fibroso é competente e sustenta o tecido adiposo, não há celulite. Do contrário, quando essa sustentação está ausente, há uma irregularidade característica do tecido adiposo, causando na pele aquele aspecto característico da celulite, parecido com a de uma casca de laranja”, explica, detalhadamente, a Dra. Paola. Esse tratamento é realizado em consultório dermatológico. São realizadas, em média, duas ou três sessões com intervalo mínimo de 30 dias entre elas. “É essencial associar os tratamentos aos hábitos de vida saudáveis, como evitar o sobrepeso, se exercitar regularmente (a musculação, por exemplo, aumenta a massa magra e diminui a gordura, sendo um importante aliado contra as celulites), evitar excesso hormonal (principalmente estrógenos), manter uma alimentação balanceada e equilibrada, com alta ingestão de fibras e de água e evitar o tabagismo e a alta ingestão de álcool”, finaliza a médica.

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*DR. ABDO SALOMÃO JR: Doutor em Dermatologia pela USP (Universidade de São Paulo). É sócio Efetivo da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Membro da American Academy of Dermatology (AAD), Sociedade Brasileira de laser em Medicina e Cirurgia e do Colégio Ibero Latino Americano de Dermatologia. Professor universitário, Dr. Abdo Salomão Jr. ministra aulas nos principais congressos nacionais da especialidade. Além disso, já deu aulas na Austrália, Itália e Coréia do Sul. É uma referência em conhecimento de lasers e tecnologias para fins dermatológicos e estéticos. Diretor da Clínica Dermatológica Abdo Salomão Junior.

*DRA. PAOLA POMERANTZEFF:  Dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), tem mais de 10 anos de atuação em Dermatologia Clínica. Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina Santo Amaro, a médica é especialista em Dermatologia pela Associação Médica Brasileira e pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, e participa periodicamente de Congressos, Jornadas e Simpósios nacionais e internacionais. Instagram: @drapaoladermatologista

*DRA. CLÁUDIA MERLO: Médica especialista em Cosmetologia pelo Instituto BWS. Diretora da Clínica Cláudia Merlo. Instagram: @dra.claudiamerlo

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