5 curiosidades sobre reprodução humana

Na medicina, um casal é considerado infértil se não conseguir engravidar após um ano de relações sexuais desprotegidas.


A infertilidade é mais comum do que você imagina


Do tamanho das células reprodutivas aos vícios que afetam a fertilidade, descubra curiosidades interessantes sobre o assunto

São Paulo – 06/07/2022 - O sistema reprodutivo é uma coleção de órgãos internos e genitais externos que trabalham juntos para gerar uma nova vida. “O sistema reprodutor feminino é composto de várias partes diferentes, principalmente a vagina, o útero e os ovários produtores de óvulos. O sistema reprodutor masculino é composto pelo pênis, escroto e testículos, além de vários órgãos acessórios internos, como a próstata e as vesículas seminais, que produzem a maior parte do fluido que compõe o ejaculado”, explica o Dr. Rodrigo Rosa*, especialista em reprodução humana e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo, e sócio-fundador do Mater Lab, laboratório de Reprodução Humana. Abaixo, o médico comenta 5 curiosidades sobre reprodução humana:

O sistema reprodutivo contém as maiores e menores células humanas  – As células humanas vêm em uma variedade de formas e tamanhos, e realizam uma ampla gama de funções diferentes. “Mas as maiores e menores células do corpo humano são gametas, ou células reprodutivas. Os homens produzem a menor célula humana - o esperma, que tem apenas 5 micrômetros por 3 micrômetros de tamanho, sem incluir a ‘cauda’ do esperma. Em comparação, o glóbulo vermelho tem cerca de 8 micrômetros de diâmetro, ou cerca de um décimo do diâmetro de um fio de cabelo humano. O óvulo de uma mulher, por outro lado, é a maior célula humana, chegando a cerca de 120 micrômetros de diâmetro”, afirma o médico.

A infertilidade é mais comum do que você imagina – Na medicina, um casal é considerado infértil se não conseguir engravidar após um ano de relações sexuais desprotegidas. “1 em cada 7 casais tem infertilidade conjugal, sendo 30% destes um fator exclusivamente masculino e 20% um fator masculino e feminino, enquanto as mulheres correspondem a 50%. Alguns estudos ainda sugerem que a infertilidade está em ascensão e mostram ainda que a contagem média de espermatozoides entre os homens ocidentais caiu mais da metade nos últimos 40 anos. No entanto, hoje temos muitas técnicas de reprodução assistida que permitiram dar vida a milhões de bebês que de outra forma não teriam nascido; foi realmente revolucionário o advento da inseminação artificial, fertilização in vitro e outras técnicas”, afirma o Dr. Rodrigo Rosa.

Os homens têm muito mais gametas do que as mulheres – Existe uma enorme diferença entre o número de gametas que homens e mulheres produzem. “Ao nascer, as mulheres têm de 1 milhão a 2 milhões de óvulos, mas apenas cerca de 300.000 óvulos serão deixados no momento da puberdade. Apenas 300 a 400 desses óvulos serão ovulados antes da menopausa. Cada homem, por outro lado, produz mais de 500 bilhões de espermatozoides em sua vida. Durante a ejaculação, um homem saudável pode liberar cerca de 1,2 milhão de espermatozoides – isso é mais gametas liberados em um único momento do que alguma mulher já conseguiu”, explica o especialista.

Os óvulos são altamente afetados pela idade – O tempo é implacável não só na quantidade de óvulos, mas também na qualidade deles. “A quantidade de óvulos diminui à medida que as mulheres envelhecem e essa queda também é vista na qualidade dos cromossomos e do DNA contido em cada óvulo. Portanto, mais anormalidades cromossômicas em óvulos humanos são extremamente comuns”, explica o Dr. Rodrigo Rosa. “Não é algo que deva ser considerado uma situação particularmente anormal e, na maioria dos casos, é algo que todas as mulheres, mesmo as jovens, terão em seus óvulos em um nível baixo, mas esse nível aumenta com o avançar da idade”. Na casa dos 20 anos, até 1/4 de óvulos podem ter anormalidades cromossômicas, mas isso aumenta para quase a metade (até 40%) para uma mulher entre 30 e 35 anos – e há uma progressão exponencial para o risco a partir daí. “Depois dos 35 anos, a frequência desses óvulos cromossômicos anormais aumenta em 0,5% ao mês, de modo que, para uma mulher com cerca de 40 anos, até três quartos de seus óvulos terão anormalidades cromossômicas”, explica o médico. “Mas ter anormalidades cromossômicas em seus óvulos não significa necessariamente que a mulher seja infértil, mas significa que mais de seus ciclos menstruais produzirão óvulos com menor probabilidade de gerar um bebê viável”, completa. Nossas células contam com minúsculas estações de energia chamadas mitocôndrias, e os óvulos de mulheres maduras podem sofrer com mitocôndrias defeituosas, devido a mutações, o que prejudica o fornecimento de energia para esses óvulos, de forma a impossibilitar todas as etapas do processo de fecundação, desde o amadurecimento do óvulo até o desenvolvimento do feto.

Os vícios podem ser responsáveis pela infertilidade – O cigarro é um dos principais causadores da infertilidade, pois os componentes tóxicos presentes no produto, como a nicotina e o alcatrão, pioram severamente a qualidade reprodutiva. “Nas mulheres, o tabagismo é capaz de favorecer a deterioração dos óvulos, envelhecendo-os em até dez anos e acelerando o início da menopausa, o que é especialmente prejudicial hoje em dia, quando as mulheres estão querendo engravidar cada vez mais velhas. Já nos homens o hábito de fumar diminui a quantidade de espermatozoides e fragmenta o DNA do esperma, reduzindo assim a capacidade de fecundação, além de também contribuir para a perda do apetite sexual e a disfunção erétil”, alerta o especialista. Da mesma forma, também tome cuidado com o consumo de bebidas alcoólicas em excesso. Segundo o Dr. Rodrigo, assim como o cigarro, a ingestão excessiva de álcool também pode interferir na fertilidade, causando, nos homens, a diminuição dos níveis de testosterona com consequente redução na produção e quantidade de esperma, podendo levar também à disfunção erétil. “Já nas mulheres, os efeitos do álcool sobre a fertilidade são pouco esclarecidos, mas sabe-se que, além de reduzir as chances de gravidez, a substância pode permanecer por um certo período no organismo após o consumo e causar problemas durante a gestação, como malformação do feto e síndrome de abstinência no recém-nascido”, completa.

Por fim, o médico alerta que pessoas em idade reprodutiva, especialmente aquelas que planejam engravidar, mas não conseguem após um ano de tentativas, devem buscar ajuda médica especializada.

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*DR. RODRIGO ROSA: Ginecologista obstetra especialista em Reprodução Humana e sócio-fundador e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo, e do Mater Lab, laboratório de Reprodução Humana. Membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), o médico é graduado pela Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Especialista em reprodução humana, o médico é colaborador do livro “Atlas de Reprodução Humana” da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana. Instagram: @dr.rodrigorosa

 

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