2 Peso extra em homens pode favorecer irregularidades nos espermatozoides, diz estudo

Apesar de ocorrer de maneira diferente do que acontece com as mulheres, que possuem um estoque limitado de gametas que diminui ao longo da vida, a saúde reprodutiva e a fertilidade masculina também são afetadas pelo envelhecimento.


De acordo com pesquisa publicada em maio na revista científica Developmental Cell, homens obesos (com IMC maior que 30) apresentam capacidade de produção de espermatozoides significativamente limitada quando comparados a homens de mesma idade com IMC mais baixo

São Paulo – julho 2022 - Apesar de ocorrer de maneira diferente do que acontece com as mulheres, que possuem um estoque limitado de gametas que diminui ao longo da vida, a saúde reprodutiva e a fertilidade masculina também são afetadas pelo envelhecimento. No entanto, a forma exata como ocorre o processo de envelhecimento dos testículos à nível molecular e gênomico ainda é pouco compreendida, assim como a maneira que o estilo de vida e os fatores ambientais interferem nesse declínio. “Uma das possibilidades é que o envelhecimento promova uma série de alterações moleculares nos testículos que os tornam mais sensíveis a desregulações. Essas alterações são ainda mais sérias quando causadas pela combinação entre envelhecimento e fatores como o peso extra e a obesidade”, explica o Dr. Fernando Prado*, especialista em Reprodução Humana, Membro da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) e diretor clínico da Neo Vita. Foi justamente na busca para entender esse processo que os autores de um estudo publicado em maio na revista científica Developmental Cell descobriram que as anormalidades dos espermatozoides associadas ao envelhecimento podem ser agravadas por um índice de massa corporal (IMC) elevado.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores do estudo, através do sequenciamento de RNA de célula única, fizeram o perfil de 44 mil células obtidas de amostras de autópsia de testículos de 4 homens jovens e 8 homens mais velhos, sendo que esses últimos foram selecionados por terem filhos no início da fase adulta, garantindo assim que possuíam boa fertilidade quando mais jovens.

Após análise, os estudiosos observaram que as amostras obtidas dos homens mais jovens não apresentavam sinais de envelhecimento ou capacidade reduzida na produção de espermatozoides. Já as amostras obtidas dos homens mais velhos, apesar de mostrarem apenas mudanças modestas relacionadas a idade nas células responsáveis pela produção de espermatozoides maduros, podiam ser claramente classificadas em dois grupos: o primeiro com capacidade praticamente intacta na produção de espermatozoides em comparação as amostras dos jovens e o segundo com essa capacidade significativamente limitada. E o fator que separava os dois grupos foi facilmente notado: o índice de massa corporal, sendo que todos os doadores do primeiro grupo apresentavam IMC menor que 27, enquanto todos os indivíduos do segundo grupo possuíam um IMC maior que 30. “O Índice de Massa Corporal é um parâmetro que serve para sabermos se uma pessoa está dentro de seu peso ideal de acordo com sua altura. Um IMC de até 25 significa que a pessoa está com um peso saudável, enquanto valores entre 25 e 29,9 caracterizam sobrepeso. Já qualquer valor acima de 30 é sinal de obesidade, o que sabemos ser um fator importante envolvido na infertilidade”, diz o Dr. Fernando.

Esses resultados apontam para possíveis mecanismos moleculares subjacentes às mudanças testiculares associadas ao envelhecimento e sua agravação devido a condições crônicas como a obesidade. “Um estudo como esse mostra-se de grande importância por melhorar nosso entendimento sobre como a fertilidade masculina responde ao envelhecimento, além de revelar biomarcadores que poderão facilitar o diagnóstico de envelhecimento testicular e contribuir para melhorar as recomendações médicas no tratamento da subfertilidade”, destaca o especialista.

Vale ressaltar, no entanto, que o presente estudo possui limitações, sendo necessário que mais pesquisas sobre o tema sejam realizadas, principalmente com um maior número de participantes, para validar esses resultados e avançar os conhecimentos sobre o tema. “Precisamos entender ainda, por exemplo, se outros fatores intrínsecos e de estilo de vida, como a dieta, a prática de exercícios físicos, a produção hormonal e outras doenças crônicas, como a diabetes, também desempenham um papel no envelhecimento dos testículos”, finaliza o Dr. Fernando Prado.

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*DR. FERNANDO PRADO - Médico ginecologista, obstetra e especialista em Reprodução Humana. É diretor clínico da Neo Vita e coordenador médico da Embriológica. Doutor pela Universidade Federal de São Paulo e pelo Imperial College London, de Londres - Reino Unido. Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo, Membro da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) e da Sociedade Europeia de Reprodução Humana (ESHRE). Whatsapp Neo Vita: 11 5052-1000 / Instagram: @neovita.br / Youtube: Neo Vita - Reprodução Humana.

 

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