Estimulação ovariana: como funciona esse procedimento fundamental em tratamentos de reprodução assistida

Estimulação ovariana. Se você acompanhou as notícias nos últimos dois anos, com certeza já se deparou com esse termo, que ganhou atenção com o aumento na busca pelo congelamento de óvulos e tratamentos de fertilidade.


Indicada nos procedimentos de fertilização in vitro, coito programado, inseminação artificial e congelamento de óvulos, estimulação ovariana consiste no uso de hormônios para aumentar o número de óvulos liberados pelos ovários

São Paulo – Abril/2022 - Estimulação ovariana. Se você acompanhou as notícias nos últimos dois anos, com certeza já se deparou com esse termo, que ganhou atenção com o aumento na busca pelo congelamento de óvulos e tratamentos de fertilidade. Mas, apesar do aumento na popularidade desses procedimentos, o processo de estímulo dos ovários, essencial para muitos dos tratamentos de reprodução assistida, ainda é cercado por grandes dúvidas, principalmente quanto a sua segurança e indicação, com muitas mulheres, mesmo as mais dispostas a passarem pelos tratamentos de fertilidade, ainda possuindo certos receios quanto a estimulação ovariana. Então, para resolver de uma vez por todas essas questões, perguntamos ao Dr. Rodrigo Rosa*, especialista em reprodução humana e diretor clínico da Clínica Mater Prime em São Paulo, o que exatamente é a estimulação ovariana? “A estimulação ovariana, como o próprio nome diz, tem como objetivo estimular os ovários a liberarem um maior número de óvulos durante um único ciclo menstrual. No ciclo menstrual normal, múltiplos folículos, que são as estruturas que contêm os óvulos, são estimulados a crescer, mas apenas um amadurece o suficiente para liberar o óvulo em seu interior, processo que é controlado pelo organismo através de hormônios. Então, na estimulação ovariana administramos esses hormônios em uma maior dose para fazer com que vários folículos consigam amadurecer e liberar seus óvulos”, afirma o especialista.

De acordo com o médico, a estimulação ovariana, apesar de ser constantemente relacionada a fertilização in vitro e ao congelamento de óvulos por serem procedimentos mais comentados, é um processo comum a praticamente todos as técnicas de reprodução assistida que visam tratar a infertilidade feminina causada por disfunções ovulatórias, incluindo também a inseminação artificial e o coito programado. Em todas essas técnicas, a estimulação ovariana ocorre de maneira similar, mas com diferenças pontuais de acordo com cada procedimento. “Independentemente da técnica de reprodução assistida, antes da estimulação ovariana propriamente dita, realizamos uma série de exames para avaliar as condições atuais do sistema reprodutor da mulher para estimar a eficácia do tratamento e verificar a existência de qualquer alteração que possa atrapalhá-lo”, explica.

Uma vez que as condições estejam adequadas, a estimulação ovariana é devidamente iniciada através da administração de hormônios que vão estimular que mais folículos amadureçam. Mas a intensidade desse estímulo, e consequentemente a dosagem dos hormônios, será definida caso a caso de acordo com uma série de fatores, como a reserva ovariana da mulher, sua produção habitual de óvulos e a complexidade da técnica de reprodução assistida a ser utilizada. “Nas técnicas de baixa complexidade (coito programado e inseminação artificial), em que não temos controle sobre o processo de fecundação por ocorrer dentro do organismo, é importante que a estimulação seja menos intensa para obtermos uma menor quantidade de óvulos e assim evitar o risco de uma gestação múltipla”, ressalta o Dr. Rodrigo. “Já nas técnicas de maior complexidade, como a fertilização in vitro, o estímulo ovariano pode ser mais intenso, uma vez que a fecundação ocorre de maneira controlada no laboratório e apenas uma certa quantidade de embriões é transferida para o útero. Na verdade, para a FIV, é interessante termos uma maior quantidade de óvulos coletados, o que aumenta o número de embriões viáveis e assim as chances de sucesso do tratamento. Os óvulos e embriões não utilizados podem ser tranquilamente congelados ou doados.”

Todo esse processo de estimulação ovariana é acompanhado por meio de ultrassonografias. Quando os folículos estão devidamente amadurecidos inicia-se a etapa conhecida como indução da ovulação, que, também através da administração de hormônios, faz com que os folículos se rompam e liberem os óvulos. “Nos tratamentos de baixa complexidade, é nesse momento em que os óvulos são liberados que os espermatozoides devem alcançá-los para que a fecundação ocorra, seja através da relação sexual programada ou da inseminação artificial. Já nos casos de fertilização in vitro, os óvulos são removidos com uma agulha colocada na vagina sob orientação de ultrassom para serem fecundados em laboratório”, afirma o médico.

Durante todo o processo, a paciente pode sentir alguns efeitos colaterais comuns à utilização dos medicamentos hormonais, mas que vão variar caso a caso, podendo incluir, por exemplo, inchaço, enjoo, ganho de peso, cansaço e irritabilidade. Mas, para a tranquilidade das mulheres que se submeterão ao processo, a estimulação ovariana é bastante segura, desde que devidamente acompanhada por um médico especializado. “Além do risco de gestação gemelar, a principal complicação relacionada à estimulação ovariana é a Síndrome do Hiperestímulo Ovariano, que, apesar de bastante rara, pode ocorrer caso o procedimento não seja realizado da maneira adequada, fazendo com que os ovários produzam uma quantidade excessiva de hormônios, que, por sua vez, podem levar ao surgimento de problemas como alterações metabólicas, trombose e até mesmo perda da gestação. Por isso, antes de realizar qualquer procedimento de reprodução assistida, o mais importante é que você tenha certeza de que o profissional responsável é experiente e devidamente certificado para realizá-lo de forma a evitar complicações”, finaliza o Dr. Rodrigo Rosa.

*DR. RODRIGO ROSA: Ginecologista obstetra especialista em Reprodução Humana e sócio-fundador e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo, e do Mater Lab, laboratório de Reprodução Humana. Membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), o médico é graduado pela Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Especialista em reprodução humana, o médico é colaborador do livro “Atlas de Reprodução Humana” da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana. Instagram: @dr.rodrigorosa

 

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