Dificuldade de mulheres em acessar cargos de liderança no Brasil ainda permanece alto

As equipes executivas das empresas brasileiras ainda possuem uma pequena presença feminina, mesmo após muitos esforços para mudar essa realidade. Quem faz essa avaliação é Luciana Batista, sócia da Bain & Company e uma das principais vozes sobre o tema de liderança feminina no Brasil.

Empresas ainda dão pouca atenção à questão na prática, ressalta Luciana Batista, sócia da Bain & Company

As equipes executivas das empresas brasileiras ainda possuem uma pequena presença feminina, mesmo após muitos esforços para mudar essa realidade. Quem faz essa avaliação é Luciana Batista, sócia da Bain & Company e uma das principais vozes sobre o tema de liderança feminina no Brasil. "Ainda que nos últimos anos tenhamos visto o aumento nas discussões sobre temas relacionados à paridade de gênero nas organizações, é notório que as empresas ainda dão pouca atenção à questão na prática", afirma.

A percepção da sócia da Bain é refletida nas próprias estatísticas oficiais. De acordo com informações do levantamento "Estatísticas de Gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil", divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em março do ano passado, no País, apenas 37,4% dos cargos gerenciais existentes em 2019 eram ocupados por mulheres. 

A própria Bain & Company já havia detectado uma disparidade de gênero em cargos de liderança no Brasil. Em uma pesquisa realizada no primeiro trimestre de 2019 no País pela consultoria, em parceria com o LinkedIn, ficou constatado que apenas 3% dos presidentes e 5% dos presidentes de conselho das 250 maiores empresas brasileiras eram do sexo feminino. O estudo destaca que o nível de aspiração e confiança das mulheres não está entre as causas-raiz da baixa representação em cargos de liderança. 

O mesmo estudo do IBGE reforça que tanto a falta de oportunidade das mulheres em assumir cargos de liderança como a disparidade de remuneração não podem ser atribuídas à educação. Pelo contrário, os dados disponíveis apontam que as mulheres brasileiras são em média mais instruídas que os homens. De acordo com a PNAD Contínua 2019, entre a população com 25 anos ou mais, 40,4% dos homens não tinham instrução ou possuíam apenas fundamental incompleto, proporção que era de 37,1% entre as mulheres. Já a proporção de pessoas com nível superior completo foi de 15,1% entre os homens e 19,4% entre as mulheres.

Ainda assim, a confiança do gênero feminino em igualdade das oportunidades entre homens e mulheres em cargos de liderança é minada. O estudo da Bain apontou que apenas para 36% das mulheres há igualdade nos processos de seleção para posições executivas ou de gestão. Entre os homens, o índice é de 51%. "Ainda que tenhamos avanços nessa pauta, é importante que as companhias se comprometam constantemente com causas e iniciativas inclusivas, adotando uma postura proativa de propagação e consolidação dessas políticas de equidade de gênero”, ressalta Luciana.

A sócia da Bain também aponta que os processos de seleção e promoção pelas organizações não devem ser enviesados, especialmente por considerar que determinados postos de liderança são mais adequados para profissionais do gênero masculino. "Como a vasta maioria das pessoas com poder de decisão sobre promoções é do gênero masculino, a tendência é agarrar-se ao seguro e indicar ou promover alguém com um perfil semelhante ao seu. As mulheres não se enquadrariam nos mesmos parâmetros, pois trabalham de forma diferente, comportam-se de forma diversa e se sentem menos confortáveis a promover suas próprias qualidades", escreveu ela em um outro estudo de sua autoria.

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