SOP: Causa de infertilidade, doença cria condições ideais para congelamento de óvulos

Mulheres com Síndrome dos Ovários Policísticos são excelentes candidatas para o congelamento de óvulos

Apesar de terem dificuldade de engravidar naturalmente devido à falta de ovulação, mulheres com Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) são excelentes candidatas para o congelamento de óvulos por produzirem uma grande quantidade dessas células.

São Paulo – 21/02/2022 - Afetando em média 15% das mulheres em idade reprodutiva, a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) figura entre uma das principais causas de infertilidade no público feminino. “Sem causa específica estabelecida, a Síndrome dos Ovários Policísticos ocorre quando, devido ao aumento na produção de hormônios masculinos na mulher, o processo de ovulação é interferido, o que pode levar a formação de cistos nos ovários e ao atraso ou interrupção da menstruação devido à falta de ovulação, consequentemente dificultando as chances de uma gravidez natural", explica o ginecologista obstetra Dr. Fernando Prado*, especialista em Reprodução Humana, Membro da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) e diretor clínico da Neo Vita. É claro que, com o devido tratamento e acompanhamento médico, grande parte das mulheres que sofrem com SOP são capazes de engravidar mesmo sem recorrer a tratamentos como a Fertilização In Vitro. Apesar disso, o congelamento de óvulos é uma excelente estratégia para mulheres que sofrem com a Síndrome dos Ovários Policísticos, principalmente para aquelas que já se aproximam do fim da capacidade reprodutiva e desejam garantir a possibilidade de conceber um filho no futuro.

Isso porque, segundo o especialista, ainda que o processo de ovulação não ocorra da maneira adequada, as mulheres com Síndrome dos Ovários Policísticos produzem um grande número de óvulos de boa qualidade. Na verdade, devido as características da doença, mulheres com SOP tendem a responder melhor ao procedimento de congelamento de óvulos do que outras mulheres. “Sabemos que mulheres que sofrem com SOP possuem níveis maiores de hormônio anti-Mulleriano, que é responsável por regular o desenvolvimento e o crescimento dos folículos e serve como um indicador da reserva ovariana e da quantidade de óvulos que podem ser congelados em um ciclo. Dessa forma, quem sofre com a doença, por possuir uma maior quantidade de óvulos, precisa passar por menos ciclos de estimulação ovariana e coleta para alcançar o número desejado de óvulos para congelamento e posterior fertilização”, destaca o médico.

Mas, com exceção do menor número de ciclos requeridos, o processo de congelamento de óvulos para mulheres com SOP é o mesmo de quem não sofre com a doença, com exames para verificar a qualidade dos óvulos, uso de pílulas anticoncepcionais para desativar hormônios e um período de estimulação ovariana medicamentosa para que os óvulos sejam amadurecidos. “Só então os óvulos são aspirados no consultório médico com o auxilio de uma pequena agulha que é inserida na vagina, o que é feito sob efeito de sedação, para serem, em seguida, congelados. Uma vez congelados, os óvulos podem permanecer dessa maneira por um longo período de tempo sem perderem sua viabilidade até que a mulher esteja pronta para engravidar por meio da Fertilização In Vitro”, afirma o especialista. “É importante também ajustar a dose dos hormônios que serão usados no processo de estimulação da ovulação, para que a mulher não tenha riscos de hiperestimulação ovariana, que é mais arriscada em quem tem SOP”.

Mas, mesmo que a mulher com SOP opte pelo congelamento de óvulos e pela realização posterior da FIV, ainda é importante buscar um ginecologista para tratar a condição, já que, apesar de não ter cura definitiva, se não controlada pode causar impacto significativo na saúde, estando associada a doenças cardiovasculares, diabetes e obesidade, além de risco de câncer de endométrio. O problema é que, em muitos casos, a Síndrome dos Ovários Policísticos passa despercebida e não é diagnosticada. Por isso, é fundamental prestar atenção aos sintomas e realizar consultas regulares ao ginecologista. “Além do atraso ou interrupção da menstruação e a dificuldade de engravidar, a pessoa que sofre com SOP pode notar outros sintomas, como ganho de peso, crescimento de pelos no corpo, surgimento de acne, inflamação e resistência insulínica”, aponta o Dr Fernando. “Vale ressaltar que apenas a presença de cisto nos ovários não caracteriza um quadro de Síndrome dos Ovários Policísticos, visto que a formação de cistos nos ovários é normal em mulheres na idade reprodutiva devido ao ciclo menstrual. No geral, o diagnóstico da SOP é dado quando são observados duas das três principais características da doença, incluindo ciclo menstrual irregular, altos níveis de hormônios andrógenos e presença de muitos cistos nos ovários.”

Uma vez diagnosticada a doença, o médico poderá recomendar estratégias para ajudar no controle dos sintomas, podendo variar de acordo com a gravidade do quadro e das características de cada mulher, incluindo sua vontade ou não de engravidar. “O principal método de tratamento da Síndrome dos Ovários Policísticos é a adoção de um estilo de vida saudável, com uma alimentação balanceada e a prática regular de exercícios físicos. Já a terapia medicamentosa pode ser realizada com pílulas anticoncepcionais para regularizar a menstruação ou, caso a mulher queira engravidar, indutores de ovulação. Em caso de resistência insulínica, o médico também pode receitar hipoglicemiantes para controlar o quadro e afastar o risco de diabetes”, afirma o Dr. Fernando Prado. “No entanto, o mais importante ao notar os sintomas da Síndrome do Ovário Policistico é consultar um ginecologista para receber o diagnóstico e tratamento adequado”, finaliza.

*DR. FERNANDO PRADO: Médico ginecologista, obstetra e especialista em Reprodução Humana. É diretor clínico da Neo Vita e coordenador médico da Embriológica. Doutor pela Universidade Federal de São Paulo e pelo Imperial College London, de Londres - Reino Unido. Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo, Membro da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) e da Sociedade Europeia de Reprodução Humana (ESHRE). Whatsapp Neo Vita: 11 5052-1000 / Instagram: @neovita.br / Youtube: Neo Vita - Reprodução Humana
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