Tumor cerebral: pesquisadores desenvolvem diagnóstico que substitui biópsia por exame de sangue

Os glioblastomas são tumores cerebrais agressivos, comumente diagnosticados por meio de uma biópsia cirúrgica invasiva e arriscada. Mas uma equipe de pesquisadores liderada por Hong Chen na Universidade de Washington em St. Louis publicou um recente estudo em que mostra o resultado do desenvolvimento de um método diagnóstico não invasivo que pode um dia substituir a biópsia de tecido por um simples exame de sangue.

Estudo foi publicado online em novembro e feito por pesquisadores da Washington University em St. Louis. Os cientistas desenvolveram um método diagnóstico não invasivo de câncer cerebral que pode um dia substituir a biópsia do tecido por um simples exame de sangue.

São Paulo – janeiro/2022 - Os glioblastomas são tumores cerebrais agressivos, comumente diagnosticados por meio de uma biópsia cirúrgica invasiva e arriscada. Mas uma equipe de pesquisadores liderada por Hong Chen na Universidade de Washington em St. Louis publicou um  recente estudo em que mostra o resultado do desenvolvimento de um método diagnóstico não invasivo que pode um dia substituir a biópsia de tecido por um simples exame de sangue. “A equipe testou o método em modelos de animais pequenos e grandes e encontrou detecção e sensibilidade diagnóstica significativamente melhoradas para tumores cerebrais por meio de uma simples amostra de sangue”, explica o Dr. Gabriel Novaes de Rezende Batistella*, médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA) e representante brasileiro do International Outreach Committee da Society for Neuro-Oncology (IOC-SNO).

Segundo o estudo, o método, conhecido como sonobiopsia, usa ultrassom focalizado para atingir tumores nas profundezas do cérebro. Uma vez localizados, os pesquisadores injetam microbolhas no sangue que viajam para o tecido visado pelo ultrassom e pulsam, o que abre com segurança a barreira hematoencefálica. “As aberturas temporárias permitem que biomarcadores, como DNA, RNA e proteínas, do tumor passem pela barreira hematoencefálica e sejam liberados no sangue”, diz o neuro-oncologista.

Os pesquisadores trabalharam em seu método focado de biópsia líquida habilitada por ultrassom (sonobiópsia) por vários anos, primeiro conduzindo um estudo de viabilidade em camundongos, seguido por um estudo de avaliação de segurança e, mais recentemente, outro estudo em porcos. “Embora a biópsia líquida à base de sangue tenha sido usada em pacientes humanos com outros tipos de câncer para medicina personalizada, o progresso na extensão do método ao câncer cerebral humano tem sido limitado“, conta o médico.

Na nova pesquisa, a equipe descobriu que o método de sonobiópsia aumentou a detecção de genes altamente expressos no modelo de rato de glioblastoma, como o EGFRvIII. Os níveis de DNA de EGFRvIII em circulação na corrente sanguínea do grupo que fez a sonobiópsia foi 920 vezes maior do que o grupo que fez a biópsia com base no sangue convencional. Além disso, a detecção de outro marcador genético tumoral circulante, TERT C228T ctDNA foi 10 vezes maior após a sonobiópsia. O método também melhorou a sensibilidade ao diagnóstico de 7,14% para 64,71% para EGFRvIII e de 14,29% para 45,83% para TERT C228T. A equipe não encontrou nenhum aumento no dano ao tecido na região do tumor de interesse após a sonobiopsia.

O estudo mostrou que a sonobiopsia melhorou a sensibilidade de detecção de glioblastoma sem representar riscos de segurança significativos. “A integração da sonobiópsia com análises avançadas de sangue promete fornecer um diagnóstico minimamente invasivo, com controle espaço-temporal e sensível de câncer no cérebro", explica o médico.

Segundo o Dr. Gabriel, além da neuroimagem e do tecido adquirido cirurgicamente para patologia e perfil molecular, a sonobiópsia tem o potencial de se tornar o terceiro pilar para o gerenciamento do tumor cerebral, avançando substancialmente no diagnóstico de câncer cerebral, monitoramento de tratamento e detecção de recorrência, mas ainda precisa ser confirmada em mais estudos. “Esse método está em amplo estudo, justamente por permitir um acesso ao tumor através da quebra da barreira hematoencefálica, o que pode ser útil no tratamento com quimioterapia que antes não penetrariam bem no tumor, mas também podemos pensar neste método como uma ‘abertura de comportas’ para que material genético saia do tumor e seja mais facilmente identificado no laboratório, podendo guiar a terapia em alguns casos. Ainda assim, este é um estudo pequeno, pré-clínico, em ratos, e o futuro pode ser favorável caso possamos reproduzir estes mesmos resultados em humanos com segurança e fácil replicabilidade”, pondera o Dr. Gabriel.

*DR. GABRIEL NOVAES DE REZENDE BATISTELLA: Médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA). Formado em Neurologia e Neuro-oncologia pela Escola Paulista de Medicina da UNIFESP, hoje é assistente de Neuro-Oncologia Clínica na mesma instituição. O médico é o representante brasileiro do International Outreach Committee da Society for Neuro-Oncology (IOC-SNO).
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