Câncer de pele no couro cabeludo tem risco de metástase cerebral; detecção precoce é fundamental

Todos sabem que principalmente no verão os índices de radiação atingem níveis considerados potencialmente cancerígenos, de forma que a exposição à radiação UVA/UVB E IR (infravermelho), ao longo dos anos, pode gerar lesões novas ou modificar aquelas que já existiam previamente na pele de qualquer pessoa, inclusive no couro cabeludo.

Além de influência genética, a exposição solar é uma das principais causas do câncer de pele no couro cabeludo, já que a área é uma das mais expostas do corpo. Além disso, lesão pode ficar encoberta pelos fios de cabelo e demorar a ser percebida, mas há maneiras de se precaver

São Paulo — Dezembro/2021 - Todos sabem que principalmente no verão os índices de radiação atingem níveis considerados potencialmente cancerígenos, de forma que a exposição à radiação UVA/UVB E IR (infravermelho), ao longo dos anos, pode gerar lesões novas ou modificar aquelas que já existiam previamente na pele de qualquer pessoa, inclusive no couro cabeludo. “Essa é uma região que muitas vezes é esquecida e também faz parte da pele e merece todo cuidado. O couro cabeludo também pode apresentar lesões causadas pelo sol, até mesmo tumores. Eles podem aparecer em diferentes tamanhos e formas, por isso, a prevenção e a detecção precoce são os melhores caminhos para evitar complicações”, afirma a dermatologista Dra. Patrícia Mafra, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. “O câncer de pele no couro cabeludo é perigoso se não for diagnosticado e tratado, pois há risco de metástase para o cérebro. Apesar de não serem classificados como tumores cerebrais, as metástases cerebrais são tipos de câncer que chegam no cérebro após circular pelo corpo, e temos a impressão de que eles são até dez vezes mais comuns do que os tumores cerebrais justamente por termos muito mais diagnósticos de câncer de mama, pulmão, pele e intestino do que tumores no cérebro. É uma questão estatística”, explica o Dr. Gabriel Novaes de Rezende Batistella, médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA). O tipo de câncer de pele com pior prognóstico é o melanoma e, segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer), em 2020 a estimativa de novos casos no Brasil: 8.450, sendo 4.200 homens e 4.250 mulheres (2020 - INCA).

Segundo a dermatologista, o melanoma é um câncer de pele derivado das células pigmentares da pele. “É o tipo de câncer de pele mais mortal. Ele pode se espalhar para outras partes do corpo precocemente, quando as lesões ainda são muito pequenas”, explica a Dra. Patrícia. Em 2019, segundo o INCA, 1978 pessoas morreram com o câncer do tipo melanoma, sendo 1159 homens e 819 mulheres. Segundo um  estudo da Universidade Carolina do Norte, nos Estados Unidos, melanomas no couro cabeludo e pescoço, por uma variedade de razões, podem ser mais agressivos do que aqueles que aparecem em outros lugares. A equipe de pesquisadores analisou 50 mil casos e descobriu que os pacientes com câncer de pele nessa área têm o dobro de chances de falecer quando comparados com os que têm a doença nos braços ou pernas. “Por exemplo, essas pessoas são mais propensas a ter câncer que se espalha para o cérebro do que aquelas com melanoma nos braços, pernas ou tronco”, explica o neuro-oncologista.

Apesar do prognóstico ruim, a incidência de tumor nessa área não é tão grande quanto em outras. Dependendo do tipo de câncer de pele, os sintomas e a apresentação podem ser diferentes. Os cânceres de pele não melanoma costumam se apresentar com lesões de pele que não cicatrizam e parecem incomuns ou doem, sangram e formam crosta por mais de quatro semanas. Já o câncer de pele melanoma é caracterizado por uma lesão que muda de forma, cor, tamanho, sangra ou desenvolve uma borda irregular. “Uma nova grande mancha marrom na pele, às vezes contendo manchas escuras salpicadas; um novo ponto na pele que muda de tamanho, forma ou cor; uma ferida que não cicatriza; tudo isso pode ser sintoma de um câncer melanoma”, diz a dermatologista.

Embora qualquer pessoa possa ter câncer de pele, pessoas de tom de pele claro, que se ‘queimam’ facilmente após exposição ao sol, que tenham histórico familiar de câncer de pele (ou que já tiveram câncer de pele) são mais suscetíveis. No couro cabeludo, pessoas de cabelos mais finos, ralos e principalmente os calvos também têm maior risco. “Os cabelos são uma proteção natural contra as radiações solares, porém, na medida em que os cabelos vão escasseando, perde-se essa proteção. Não há filtro solar específico para o couro cabeludo. Contudo, indico aplicar um protetor solar em spray para alcançar a área. Caso a pessoa seja calva, ela pode utilizar o mesmo produto aplicado no rosto, com FPS de, no mínimo, 30 e PPD 10, reaplicando a cada duas horas. Além disso, principalmente para quem trabalha exposto ao sol, deve-se usar bonés e chapéus”, recomenda a médica.

Uma das formas de acelerar o diagnóstico do câncer de pele é por meio do autoexame do tecido cutâneo, utilizando principalmente a regra de manchas e lesões ABCDE (A de assimétrica, B de bordas irregulares, C de cores desiguais, D de diâmetro maior que 6 milímetros e E de evolução – quando crescem aceleradamente). “No couro cabeludo, essa detecção é mais difícil de ser feita individualmente, mas você pode pedir ajuda ao seu companheiro, familiar ou amigo. Basta alguns minutos, uma vez por mês, de preferência com luz natural, verificar alguma mudança na região. Normalmente, surge uma ferida pequena com casquinha que sangra facilmente. Consideramos que essa é a primeira etapa do problema, onde o próprio paciente pode pesquisar. Além disso, se a ferida for maior que seis milímetros, se houver coloração dupla ou tripla e se não cicatrizar em quatro semanas, é fundamental procurar o médico imediatamente para obter um diagnóstico preciso e tratamento adequado que, normalmente, é cirúrgico para retirada total da lesão e deve ser realizado o mais precocemente possível”, finaliza a dermatologista Dra. Patrícia Mafra.

*DRA. PATRÍCIA MAFRA: Dermatologista, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Graduada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais (FCM-MG), com estágio em Dermatologia pelo Grupo Santa Casa e acompanhamento do Serviço de Ginecologia e Sexologia do Hospital Mater Dei, Dra. Patrícia Mafra é expert em injetáveis e speaker em eventos nacionais e internacionais, palestrando sobre temas ligados à área de atuação. A dermatologista também foi preceptora de Medicina Estética do Instituto Superior de Medicina (ISMD). 
*DR. GABRIEL NOVAES DE REZENDE BATISTELLA: Médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA). Formado em Neurologia e Neuro-oncologia pela Escola Paulista de Medicina da UNIFESP, hoje é assistente de Neuro-Oncologia Clínica na mesma instituição. O médico é o representante brasileiro do International Outreach Committee da Society for Neuro-Oncology (IOC-SNO).
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