Mudanças saudáveis de longa duração no estilo de vida são possíveis e altamente valiosas

Nos Estados Unidos, é relativamente novo o conceito de Medicina do Estilo de Vida, construído em torno de seis pilares: comer alimentos saudáveis; exercitar-se regularmente; aliviar o estresse; ter um sono reparador; abandonar substâncias que causam dependência, como tabaco e limitar o álcool; e nutrir conexões sociais.

Ainda há tempo para tratar varizes, estrias, gordura localizada, e ainda enrijecer os músculos e a pele. E os tratamentos médicos podem ajudar

São Paulo — Outubro/2021 - Nos Estados Unidos, é relativamente novo o conceito de Medicina do Estilo de Vida, construído em torno de seis pilares: comer alimentos saudáveis; exercitar-se regularmente; aliviar o estresse; ter um sono reparador; abandonar substâncias que causam dependência, como tabaco e limitar o álcool; e nutrir conexões sociais. No Brasil, o conceito começa a ganhar força, baseado principalmente no respaldo científico. Só para ilustrar, um estudo publicado em setembro no Journal Neurology acompanhou mais de 70.000 profissionais de saúde por mais de duas décadas. Aqueles que relataram comer uma dieta rica em frutas e vegetais coloridos tiveram um risco significativamente menor de perda de memória subjetiva - o que é um sinal de demência - em comparação com aqueles que não o fizeram. “Em junho de 2018 foi fundado o Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida, de forma que preconizamos como finalidade cuidar do paciente de forma global, mudar os hábitos desse paciente para assim prevenir e tratar doenças. A Medicina do Estilo de Vida é uma maneira de fornecer ao paciente ferramentas para a mudança de seus hábitos”, explica a cirurgiã plástica Dra. Beatriz Lassance, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e da ISAPS (International Society of Aesthetic Plastic Surgery). “Já é cientificamente comprovado que até mesmo octogenários podem se beneficiar de mudanças no estilo de vida. A incidência do Alzheimer, por exemplo, é diminuída em 54% com a prática de atividades físicas três vezes por semana durante 30 minutos, independentemente da idade do paciente. E o melhor é que a Medicina do Estilo de Vida não atua apenas na prevenção das doenças, mas também no tratamento. Sabe-se que com mudanças de estilo de vida é possível não apenas prevenir, mas também reverter grande parte das doenças”, explica a cirurgiã vascular Dra. Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e do American College of Lifestyle Medicine.

Outra vantagem da Medicina do Estilo de Vida está no fato de ser uma especialidade multidisciplinar, ou seja, destinada a todas as especialidades médicas e outros profissionais da saúde, incluindo nutricionistas, fisioterapeutas e enfermeiros. “No ramo da cirurgia plástica, por exemplo, a Medicina do Estilo de Vida proporcionou protocolos e rotinas que fazem a mudança de hábitos mais efetivas. Um exemplo é quando um paciente com sobrepeso chega ao consultório procurando por uma lipoaspiração. Ao invés de apenas realizarmos o procedimento, recomendamos a mudança de hábitos, com a adoção de uma alimentação saudável e prática regular de exercícios. É fundamental que o paciente tenha consciência da importância de sua saúde para o futuro”, afirma a cirurgiã plástica.

Uma das principais dicas para as escolhas saudáveis da Medicina do Estilo de Vida tornarem-se mais automáticas é você remover a parte "escolha". Isso acontece quando você tira o pensamento de cada decisão de alimentação ou atividade, planejando com antecedência. E não é preciso esperar a consulta com o médico para começar a mudar seus hábitos. Então, por que não começar já a adotar mudanças em seu estilo de vida e melhorar sua saúde? Para isso, confira abaixo as dicas das especialistas:

- Pare de fumar: Além de 80% dos cânceres de pulmão ocorrerem em fumantes, o tabagismo também está associado a uma série de outros problemas. Por exemplo, cada vez que você inala a fumaça do cigarro, sua frequência cardíaca e sua pressão arterial aumentam temporariamente. “Com o tempo, as substâncias tóxicas do cigarro obstruem suas artérias, aumentam a coagulação, danificam seus pulmões e enfraquecem seus ossos e sistema imunológico, além de aumentarem a inflamação”, alerta o médico nutrólogo, cardiologista e geriatra Dr. Juliano Burckhardt, membro Titular da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). Por isso, parar de fumar é indispensável para a manutenção da saúde. “Apenas 20 minutos depois de parar, sua pressão arterial e frequência cardíaca diminuem. Em 2 a 3 semanas, seu fluxo sanguíneo começa a melhorar. Depois de um ano sem cigarros, você tem metade da probabilidade de sofrer com alguma doença cardíaca do que quando fumava. Depois de 5 anos, o risco é quase o mesmo do que alguém que nunca acendeu um cigarro”, afirma o médico.

- Gerencie o estresse: O estresse e a ansiedade podem causar uma série de danos ao organismo. Por isso, é fundamental investir em medidas para gerenciar essas situações e manter sua saúde mental. “Busque, por exemplo mais situações de vida em que o bom humor faça parte. Isso pode reduzir os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, e ajudar a manter o cérebro saudável”, explica o Dr. Gabriel Novaes de Rezende Batistella, médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA). Outra forma de se acalmar e melhorar a saúde mental é por meio do contato com a natureza. “Quando você passa algum tempo ao ar livre, dá ao seu cérebro um descanso do fluxo constante de dados e estímulos que ele recebe ao longo do dia. Isso permite que ele reinicie sua capacidade de foco para que você se sinta mais criativo e mais capaz de resolver os problemas”, aconselha o médico. Em casa, procure um tempo para descansar dos estímulos alheios, pausando por um momento, desconectando-se do mundo online e tomando um tempo para respirar. Uma ótima estratégia é praticar meditação. “Além disso, no trabalho, a cada 60 ou 90 minutos, pare 15 minutos para respirar, tomar um café ou simplesmente fechar os olhos. O tempo de descanso é extremamente importante para manejo de estresse”, afirma a Dra. Aline Lamaita.

- Alimente-se corretamente: A adoção de uma alimentação balanceada rica em frutas, verduras e legumes é fundamental para manutenção da saúde. “O ideal é apostar nos alimentos in natura e em preparações preferencialmente caseiras, priorizando as proteínas de alto valor biológico (carnes, ovos e leguminosas), os ácidos graxos ômega-3 (peixes de água fria e sementes oleaginosas), vitamina C (frutas cítricas e vegetais verde escuro), polifenóis (vegetais pigmentados e frutas de coloração avermelhada) e carotenoides (vegetais amarelos, alaranjados e vermelhos como abóbora, cenoura e tomate)”, aconselha a médica nutróloga Dra. Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). Além disso, evite o consumo excessivo de gorduras ruins, frituras, sal e açúcar. Mas tenha certeza também de comer o que te dá prazer. “Se você não gostar de comer, dificilmente vai conseguir aderir a mudanças de hábitos. Então, encontre um estilo de alimentação saudável que você adore e que corresponda ao que você goste. Existem muitas opções saborosas e saudáveis demais para se contentar com alimentos que você não gosta”, diz o Dr Juliano Burckhardt.

- Pratique exercícios: É comprovado que exercícios físicos podem prevenir uma infinidade de doenças e até reverter casos de diabetes tipo II, hipertensão e depressão. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda pelo menos 150 minutos de algum tipo de atividade física leve ou moderada por semana. “Isso significa pelo menos 30 minutos de algum exercício por cinco dias. Faça alongamento, abdominais, dance ou busque treinos funcionais online. Manter-se ativo ainda traz benefícios na melhora da disposição, humor, perda de peso e saúde cardiovascular”, diz a Dra. Aline. “Ao mesmo tempo, o exercício físico tem a capacidade de aumentar nossa resposta antioxidante e imunológica”, completa.

- Durma bem: O ideal é dormir entre sete a oito horas de forma consistente. Fugir desses valores é colocar a saúde em risco. “Temos evidências extensas de que dormir cinco horas ou menos aumenta consistentemente o risco de condições adversas à saúde, como doenças cardiovasculares e até longevidade. Além disso, esse período é indispensável para a reparação do organismo e é importante para o bom funcionamento do sistema imunológico", explica Dra. Aline Lamaita. “E se mesmo após 7 ou 8 horas de sono os sintomas forem de cansaço e sonolência pode ser que a qualidade esteja ruim. Então, uma dica para melhorar o sono é evitar equipamentos eletrônicos uma hora antes de dormir, pois a luz azul emitida por esses aparelhos interfere na qualidade do sono”, alerta a Dra. Beatriz.

- Socialize: De acordo com a Dra. Aline, existe uma extensa literatura médica comprovando que relações interpessoais possuem grande influência sobre a saúde do paciente. “Ou seja, mantenha por perto as pessoas que você gosta, mesmo que seja pela internet”, afirma. Segundo o Dr. Gabriel, uma rica rede social ajuda a reduzir o estresse e a ansiedade, combate a depressão e aumenta a estimulação intelectual. E as pessoas não são a única fonte de relacionamentos. A companhia de animais provou ser igualmente boa para a saúde. “Animais de estimação fazem as pessoas se sentirem bem, mas o mais importante, seu animal favorito pode torná-lo saudável e ajudá-lo a permanecer assim. Eles podem nos acalmar, aumentar nossa imunidade, melhorar nossa saúde cardíaca, nos manter em movimento e melhorar nossa vida social”, finaliza o médico.

FONTES:

*DRA. BEATRIZ LASSANCE: Cirurgiã Plástica formada na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e residência em cirurgia plástica na Faculdade de Medicina do ABC. Trabalhou no Onze Lieve Vrouwe Gusthuis – Amsterdam -NL e é Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, da ISAPS (International Society of Aesthetic Plastic Surgery) e da American Society of Plastic Surgery. Além disso, é membro do American College of LifeStyle Medicine e do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida.

*DR. GABRIEL NOVAES DE REZENDE BATISTELLA: Médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA). Formado em Neurologia e Neuro-oncologia pela Escola Paulista de Medicina da UNIFESP, hoje é assistente de Neuro-Oncologia Clínica na mesma instituição. O médico é o representante brasileiro do International Outreach Committee da Society for Neuro-Oncology (IOC-SNO).

*DRA. MARCELLA GARCEZ: Médica Nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da ABRAN. A médica é Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRMPR, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo.

*DR. JULIANO BURCKHARDT: Médico Cardiologista, Geriatra e Nutrólogo, membro Titular da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) e da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). Especialista também em Clínica Médica, Medicina de Urgência e Ergometria. É membro da American Heart Association e da International Colleges for Advancement of Nutrology. Mestrando pela Universidade Católica Portuguesa, em Portugal. Atua como docente e palestrante nas suas especialidades na graduação e pós-graduação. É diretor médico do V'naia Institute. Diretor Científico Brasil da European Academy of Personalized Medicine. Membro do Corpo Clínico do Hospital Sírio Libanês.

*DRA ALINE LAMAITA: Cirurgiã vascular, Dra. Aline Lamaita é membro da diretoria (comissão de marketing) da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). Membro da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia, do American College of Phlebology, e do American College of Lifestyle Medicine, a médica é formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (2000) e hoje dedica a maior parte do seu tempo à Flebologia (estudo das veias). Curso de Lifestyle Medicine pela Universidade de Harvard (2018). A médica possui título de especialista em Cirurgia Vascular pela Associação Médica Brasileira / Conselho Federal de Medicina. RQE 26557 

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