Probióticos podem otimizar terapia contra o câncer, diz estudo recente

Publicado na revista Nature, no final de fevereiro, estudo sugere que a suplementação de cepas específicas de B. Bifidum para a microbiota intestinal de pacientes podem transformá-los em bons respondedores para tratamento de câncer de pulmão.


Publicado na revista Nature, no final de fevereiro, estudo sugere que a suplementação de cepas específicas de B. Bifidum para a microbiota intestinal de pacientes podem transformá-los em bons respondedores para tratamento de câncer de pulmão.

São Paulo – Abril/2021 - O Câncer é uma das principais causas de morte no Brasil e no mundo. Estima-se que de 80 a 90% dos casos de câncer estão associados a fatores ambientais, incluindo cigarro, exposição excessiva a produtos químicos e a má alimentação. O problema é que uma dieta desequilibrada pode influenciar negativamente na nossa microbiota intestinal, que conta com um conjunto de bactérias benéficas que tem diversas ações, inclusive imunológicas. “Um estudo publicado na revista Nature, no final de fevereiro, afirma que algumas cepas específicas de bactérias podem otimizar o tratamento contra o câncer”, diz o geneticista Dr. Marcelo Sady, Pós-Doutor em Genética e diretor geral da Multigene, empresa especializada em análise genética e exames de genotipagem. O trabalho comparou a microbiota intestinal de pacientes que tinham boas respostas ou não às terapias contra câncer em um grupo de pacientes com câncer de pulmão. O resultado, segundo o estudo, é o de que as amostras fecais de pacientes que responderam bem ao tratamento eram ricas em Bifidobacterium bifidum, uma cepa probiótica.

De acordo com o geneticista, há uma relação entre genética, microbiota e câncer. “As bactérias no seu intestino são conhecidas por microbiota. Elas fazem quase tudo: desde te ajudar na digestão até produzir neurotransmissores para o seu cérebro e até reforçar a sua imunidade. Para se ter uma ideia, existem várias bactérias que podem aumentar o risco de câncer. Mas, quando estamos saudáveis, elas podem até mesmo trabalhar a nosso favor. Tudo depende de uma série de fatores”, diz o geneticista.

O geneticista Dr. Marcelo Sady explica que a cepa Bifidobacterium bifidum é enriquecida no microbioma intestinal de pacientes que respondem bem ao tratamento do câncer. “Apenas aquelas cepas que expressaram altos níveis de peptidoglicano, um polímero que compõe a parede celular da maioria das bactérias, levaram a efeito sinérgico com o tratamento convencional, ou seja, melhoraram a resposta ao tratamento”, diz o geneticista. As cepas que produziram sinergia induziram uma resposta dependente do gene TLR2 que levou a maiores níveis dos mensageiros celulares IFN-γ e IL-2, e a aumento dos níveis de leucócitos antitumorais.

Os resultados sugerem que a suplementação de cepas específicas de B. Bifidum para a microbiota intestinal de pacientes podem transformá-los em bons respondedores para a tratamento de câncer de pulmão. “Essa é uma hipótese muito interessante, mas que ainda precisa ser testada”, afirma o geneticista.

A dieta também deve ser prioridade no tratamento e na prevenção do câncer. Prebióticos e probióticos podem ser encontrados nos alimentos. “Os prebióticos estão presentes em alimentos como aveia, alho, cebola, frutas vermelhas e banana; eles são componentes naturais que ao chegarem no intestino promovem o crescimento de bactérias benéficas para a saúde intestinal e do organismo em geral. Por sua vez, os probióticos podem ser encontrados em alimentos fermentados, como kombucha e missô, e alguns queijos e iogurtes”, destaca a médica nutróloga Dra. Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). “No caso de cepas específicas, como a relatada pelo estudo, o melhor é a suplementação, mas também melhorando a dieta para alimentar essas bactérias”, finaliza o geneticista.

FONTE:

*DR. MARCELO SADY: Pós-doutor em genética com foco em genética toxicológica e humana pela UNESP- Botucatu, o Dr. Marcelo Sady possui mais de 20 anos de experiência na área. Speaker, diretor Geral e Consultor Científico da Multigene, empresa especializada em análise genética e exames de genotipagem, o especialista é professor, orientador e palestrante. Autor de diversos artigos e trabalhos científicos publicados em periódicos especializados, o Dr. Marcelo Sady fez parte do Grupo de Pesquisa Toxigenômica e Nutrigenômica da FMB – Botucatu, além de coordenar e ministrar 19 cursos da Multigene nas áreas de genética toxicológica, genômica, biologia molecular, farmacogenômica e nutrigenômica.

*DRA. MARCELLA GARCEZ: Médica Nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da ABRAN. A médica é Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRMPR, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo.

 

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