Vale a pena rever o desfile da BEIJA-FLOR de 2011 - A SIMPLICIDADE DE UM REI - Eu estava lá!

Roberto Carlos expande o seu reinado e transforma a Beija-Flor na nova majestade do samba.


ESTE ANO O CARNAVAL NÃO VAI PRA RUA E EU EM CASA REVIVO O DE 2011 COM A BEIJA-FLOR E O REI ROBERTO CARLOS



Por: Carlos Marley*



Depois de anos assistindo aos desfiles de carnaval do Rio de Janeiro, através da televisão, este ano fui motivado a sair da condição de telespectador. Deve-se isso, a escolha de Roberto Carlos como enredo da Escola de Samba Beija-Flor Nilópolis, para o carnaval de 2011. Decidi que este ano não seria igual àquele que passou. Desta vez estaria presente na Marquês de Sapucaí. Era sabedor que esse sonho lindo traria alguns transtornos, mas estava decidido a enfrentá-los. Seria a grande oportunidade de presenciar um dos maiores espetáculos da Terra, tendo como um dos seus protagonistas, o rei RC, além da grande possibilidade da Beija-Flor sagrar-se campeã. 


Adquiri um pacote turístico para duas pessoas, em módicas prestações, com direito a parte aérea, hospedagem para quatro noites, traslados e ingressos no setor 9, para o desfile da segunda-feira, dia do desfile da Beija-Flor. Na minha companhia iria minha filha Michele, a mulher está convalescendo de uma cirurgia e preferiu não ir. E lá fomos nós no sábado, dia 5, com destino ao Rio de Janeiro. Nos dias que antecederam ao desfile, aproveitamos fazendo passeios pela cidade.


Chegou o tal aguardado dia do desfile, segunda-feira, dia 7 de março de 2011. Depois de mais um dia de passeios pela cidade maravilhosa e um brevíssimo descanso, lá estávamos nós todo paramentado com a camisa da Beija-Flor. 


Descemos para o saguão do hotel, onde já estavam outros ardorosos fãs do rei com as vestimentas da Beija-Flor. O grupo estava numa animação contagiante e já ensaiava o samba enredo para fazer bonito na Sapucaí, durante o desfile da futura majestade a Beija-Flor. 


Passava poucos minutos das 20 horas, quando fomos comunicados de que o ônibus que nos conduziria ao sambódromo nos aguardava em uma rua próxima ao hotel, pois em frente estava muito congestionado. Em fila indiana e com bastante alegria seguimos rumo a nossa condução. No percurso até a Marquês de Sapucaí a conversa era apenas uma, Roberto Carlos. Se existia no grupo algum admirador de outra escola não se manifestou ou virou ali mesmo mais um adepto da Beija-Flor.


Chegamos ao sambódromo pouco antes das 21 horas. Paramos a poucos metros do portão, onde iríamos entrar. A entrada foi tranquila. Recebemos as instruções de onde deveríamos entrar e onde deveríamos nos reunir ao final do desfile. No percurso até as catracas de acesso as arquibancadas, passamos por vários stands de patrocinadores do evento e das escolas de samba. 


A minha atenção ficou no stand da Beija-Flor, onde estavam expostos vários produtos temáticos para venda e para distribuição. Só observei. Resolvi subir e localizar logo os acentos onde ficaríamos (Setor 9, P 86 e P 87). Os acentos estavam localizados no meio do lado esquerda da entrada para arquibancada. Nos camarotes a nossa frente, dois deles eram destinados aos jurados. Um pouco a direita identifiquei o que estava destinado aos familiares do rei RC. 


Aproveitamos o pouco movimento e fizemos algumas fotos. Pouco tempo depois foi anunciada a abertura oficial com as execuções do Hino Nacional Brasileiro e do Hino da Cidade do Rio de Janeiro, "Cidade Maravilhosa". 


O show pirotécnico anunciava o inicio do desfile da primeira escola "União da Ilha". Seguiram-se as demais escolas num espetáculo para todos os sentidos. Estávamos apreensivos. Existiam fortes candidatas ao título. Uma delas foi penalizada por ter ultrapassado ao tempo permitido. Como não temos conhecimento técnico, ficamos na torcida para que nada de errado acontecesse durante o desfile da Beija-Flor. 


Num dos intervalos entre uma escola e outra, descemos até o stand da Beija-Flor. Pegamos várias revistas, por sinal de excelente qualidade gráfica e com textos explicativos sobre o carnaval da escola, bandeirinhas para serem agitadas durante a passagem da escola e leques de papelão. Retornamos as arquibancadas de posse de todo material. Alguns deles distribuí entre duas senhoras que estavam ao nosso lado. Tentando proteger os brindes, principalmente as revistas, coloquei-os entre os dois acentos recebidos no acesso as arquibancadas. Os demais brindes encostei no batente da arquibancada, atrás dos meus pés. O desfile continuava e uma chuva fininha começou a cair. Os ambulantes como num passo de mágica transformaram os lanches antes vendidos em capas de chuva, que virou produto mais valioso. Enquanto a chuva ia caindo os preços das capas iam subindo (R$ 5,00 até R$ 20,00). No desfile da Grande Rio a chuva ficou mais forte. 


Fomos para em baixo das arquibancadas na esperança de nos protegermos mais, pois a capa era muito fininha. As goteiras que escorriam das arquibancadas molhava muito mais do que se tivéssemos ao ar livre. O chão virou uma poça de água. Quando a chuva diminuiu um pouco retornamos para arquibancada. O resultado dessa chuvarada foi que as revistas que estavam na arquibancada ficaram todas encharcadas. Virou uma papa de papel. Mesmo assim vou levá-las para secar na esperança de salvar pelo menos uma. 


Chegou a hora. A Beija-Flor entraria na passarela, mas surgiu uma "pedra" no caminho, a "Porto da Pedra", que havia desfilado antes da Beija-Flor. Um dos seus carros derramou óleo na pista, fazendo com que a mesma que já estava escorregadia devido às chuvas já caídas ficasse ainda mais lisa. 



A direção do desfile informou ao público que seriam tomadas algumas providências para tentar melhorar as condições da pista, o que retardou mais ainda a entrada da Beija-Flor. Já passava das 5 horas da manhã, quando o sambódromo explodiu de alegria e felicidade, juntamente com os fogos em um barulho ensurdecedor. As bandeiras agitadas nas arquibancadas se transformaram num verdadeiro mar de emoções. As rosas vermelhas distribuídas antes da entrada da escola, desta vez teriam um caminho inverso, pois seriam jogadas pelo público em direção ao rei, num gesto de carinho e amor e uma forma de agradecimento por tudo que ele nos tem proporcionado durante todos esses anos. A escola cantava o samba e o coral das arquibancadas fazia ecoar bem mais forte o samba na passarela. Enquanto isso, a vida do rei passava a nossa frente contada em forma de música, de dança, de fantasias, de adereços, de alegorias e através de quatro mil componentes distribuídos em 47 alas, súditos do rei no asfalto, enquanto outros milhares estavam distribuídos nas arquibancadas, camarotes e frisas. O sambódromo parecia uma final de jogo decisivo com o placar de zero a zero. 


As arquibancadas permaneciam lotadas a espera da passagem do rei, que vinha no último carro. O carro veio numa velocidade acima do esperado, pois a escola não queria ser penalizada por estourar o tempo permitido. A passagem de Roberto Carlos por todos os setores foi um momento indescritível. 


Todos queriam reverenciar o rei. Máquinas, filmadoras e celulares disputavam o melhor ângulo para o registro desse momento mágico. O rei sorrindo acenava agradecendo a todos os presentes, que retribuíam com rosas, gritos e aplausos. O rei teve uma entrada apoteótica na Sapucaí e encerrou o seu desfile na apoteose. 


No dia seguinte "A Simplicidade de um Rei", chamado Roberto Carlos, proporcionou mais emoções. Desta vez, com a conquista do 12º título da Beija-Flor. Roberto Carlos expande o seu reinado e transforma a Beija-Flor na nova majestade do samba.


São momentos que eu não esqueci!


*Carlos Marley, nasceu na cidade de Fortaleza, capital do estado do Ceará – Brasil, onde reside. Formado em Ciências Contábeis, pela Universidade Federal do Ceará, com especialização em Auditoria. Auditor Fiscal aposentado da Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará. Leia mais sobre o autor... 


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