Insolação: como se prevenir da reação aguda pós-sol

Além de estar ligada ao envelhecimento e câncer de pele, a exposição solar sem fotoproteção quando é feita de maneira aguda pode causar uma reação sistêmica às queimaduras

 

Além de estar ligada ao envelhecimento e câncer de pele, a exposição solar sem fotoproteção quando é feita de maneira aguda pode causar uma reação sistêmica às queimaduras


São Paulo – janeiro 2021 - Já sabemos que a exposição solar crônica pode favorecer o aparecimento de manchas e envelhecimento precoce (com manchas e flacidez) e até câncer de pele, mas quando ela é feita de maneira exacerbada e aguda durante um curto período de tempo, um dia por exemplo, acaba provocando queimaduras e o que é chamado de insolação, além de imunodeprimir a pele e favorecer infecções como o herpes simples. “Os principais sintomas da insolação são: temperatura corporal excessivamente elevada, pele vermelha, taquicardia, cefaleia, dispneia (falta de ar), vertigem, náuseas, vômito, desidratação, confusão mental, desmaios e até perda de consciência”, afirma o Dr. Daniel Cassiano, dermatologista da Clínica Gru Saúde e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). “Essa é uma reação a uma queimadura grave que afeta todo o corpo e os sintomas podem durar de algumas horas, em casos mais leves, a dias, em casos mais graves”, acrescenta o médico.


De acordo com o médico, a radiação solar lesiona e inflama o tecido cutâneo deixando a pele avermelhada, sensível; além disso, pode provocar bolhas. A descamação da pele acontece, geralmente, 4 a 7 dias após a exposição solar. “Quando sua pele queima, ela fica inflamada e isso causa a vermelhidão e a hipersensibilidade. Mas, dependendo da exposição do corpo aos raios ultravioleta e a susceptibilidade da pele, as queimaduras podem causar também uma inflamação sistêmica em todo o corpo, com erupções e bolhas, além dos outros sintomas”, afirma. A insolação pode afetar pessoas que passam longos períodos em exposição solar sem fotoproteção adequada e é mais comum na praia, pois a radiação não vem apenas diretamente do sol: a areia e a água também refletem o UVA e UVB, além do corpo sentir o Infrared por meio do calor.


Dependendo da gravidade, a sensação de ardência melhora muito com uso de compressas geladas e analgésicos comuns. “A hidratação também ajuda na recuperação da pele. Em casos mais graves de queimadura é necessário o uso de corticoides prescritos pelo dermatologista”, diz o médico. Com relação aos hidratantes, é necessário apostar em substâncias calmantes como aloe e vera e alfa bisabolol. “Em caso de infecção das queimaduras com o aparecimento de pus é necessário antibiótico”, explica.


Não existe outro meio de evitar o problema senão usando o protetor solar. “Uma das estratégias recomendadas é o uso da regra da colher de chá, na qual consideramos a aplicação de uma colher de chá para o rosto e uma em cada um dos membros superiores e duas colheres de chá para tronco/dorso e para cada um dos membros inferiores”, diz o médico. Recomenda-se que aplicação do filtro seja feita 15 minutos antes da exposição solar. “Outro aspecto importante na aplicação do fotoprotetor é a uniformidade de sua aplicação, evitando- se que algumas áreas sejam esquecidas ou que haja aplicação insuficiente pela falta de atenção. Por esses fatores, recomenda-se que a aplicação de fotoprotetores deva ser feita, de preferência, antes do início da exposição ao sol e, quando em uso corporal, com a menor quantidade possível de roupas”, diz o médico.


A SBD recomenda, de maneira geral, a reaplicação dos fotoprotetores a cada duas horas ou após longos períodos de imersão. “Intervalos específicos de reaplicação podem ser sugeridos pelo fabricante desde que demonstrados em testes específicos”, diz o médico.


Por fim, o dermatologista Dr. Daniel Cassiano orienta que, para quem sofreu com insolação ou queimaduras, a nova exposição solar só deve ser feita com filtro e após 30 dias, já que nesse tempo houve troca completa da epiderme (última camada da pele).


FONTE: *DR. DANIEL CASSIANO: Dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica. Cofundador da clínica GRU Saúde, o Dr. Daniel Cassiano é formado pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Doutorando em medicina translacional também pela UNIFESP. Professor de Dermatologia do curso de medicina da Universidade São Camilo, o Dr. Daniel possui amplo conhecimento científico, atuando nas áreas de dermatologia clínica, cirúrgica e cosmiátrica.

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