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11/04/2020

Neiva transforma conflitos internos e pessoais em questões universais no disco “tanto.”

O cantor e compositor Neiva lança seu sétimo álbum “tanto",  pelo selo Cavaca Records
 

Sétimo álbum do artista conta com participações de músicos de 5 continentes diferentes


Cantor, compositor e produtor musical do Rio de Janeiro, Neiva é um artista prolífico, inquieto que sempre parece encarar o próximo trabalho como se fosse o primeiro. Mas em “tanto.”, seu sétimo álbum de estúdio, ele fecha um ciclo e inicia outro, se expondo e abrindo reflexões sobre gênero, raça e sobre ser um jovem adulto em um mundo com poucas esperanças pro futuro. O novo disco encerra a série “Guerras íntimas” iniciada em “filho.”, de 2019, e está disponível em todas as plataformas de música digital via Cavaca Records.


“Dentro do projeto, como um todo, a intenção é discutir de que forma a violência perpassa inclusive as nossas relações de maior intimidade. ‘Guerras Íntimas’ é sobre lutas não-necessariamente explícitas e físicas. É talvez sobre o lado feminino de uma luta, pensando nas polaridades Yin-Yang. Dentro disso, o lado ‘Yin’, mais subjetivo, feminino e de ‘sombra’ é o ‘filho.’. E o lado Yang, ‘luz’ que mergulha pra fora e em direção ao Sol é o ‘tanto.’”, conta Neiva.


O novo trabalho caminha entre o experimental, o jazz, o indie e tons da música brasileira e tem participações do clarinetista norte-americano  Mike Watson, da pianista catalã Bru Ferri e do percussionista e ativista zimbabweano Dwayne Kapula. Completam a banda nomes da cena musical carioca como Augusto Feres, Marcos Thanus, Marcelo Callado, Mari Romano, PH Rocha e Daniel Duarte. Após anos criando em casa ou em formatos reduzidos, esse projeto coletivo em momento de solidão mostra novas possibilidades para o trabalho do artista que, durante a gravação do disco, também trocou experiências nos palcos com artistas como Negro Leo, Ana Frango Elétrico e Thiago Nassif - todos, de alguma forma, parte da inspiração que levou a “tanto.”.


“É um projeto que eu nunca tive condições plenas de dar conta antes. É um trabalho com muitas escolhas coletivas. Tanto em termos de timbre quanto de arranjo, quem tocou no álbum teve uma influência muito grande na concepção. ‘tanto.’ é o lado que se volta para o outro e tenta falar. Existe um ‘tanto’ pra ser dito pras pessoas com quem nos relacionamos de forma mais íntima e é sobre isso que eu tento falar com as 10 músicas do álbum”, explica Neiva.


Essas interseções fazem parte da própria feitura do disco, realizado em sua totalidade em estúdios caseiros e improvisados para abarcar essa nova realidade colaborativa e de parcerias inédita até então no trabalho do artista. As gravações foram feitas, em grande parte, no Terra, home studio do baterista Daniel Duarte. Já as que contavam com convidados e participações, aconteceram em uma residência artística sonora para a qual Neiva foi selecionado. São muitos os caminhos que perpassam “tanto.”.


“Ano passado os Boogarins foram ver meu show com o Negro Leo na Casa do Mancha e eu fui no show deles na Audio, além dos diversos encontros de estrada que tive com eles. Tem uma dimensão da coletividade e de trocas mútuas que não transparecem de forma óbvia no álbum”, entrega.


O disco está disponível em todas as plataformas de streaming de música, via Cavaca Records.


Ouça “tanto.”


Ficha Técnica:

Todas as composições e arranjos finais por Felipe Neiva.

Todas as músicas gravadas no Estúdio Terra em 2018.

Com arranjos adicionais gravados em casas de Niterói (RJ), Rio de Janeiro (RJ), São José do Vale do Rio Preto (RJ) e São Paulo (SP) entre 2017-2020.

Engenheires de Som: Alexandre Gwaz, Augusto Feres, Bárbara Guanaes, Daniel Duarte, Felipe Neiva, Gabriel Edé, Marcos Thanus

Produção Executiva: Felipe Neiva (com soma de Daniel Duarte e Antônio Sobral)

Produção Musical: Felipe Neiva (com soma de Daniel Duarte)

Foto de capa retirada de ensaio fotográfico para a marca MEMBRANV, de Katriel Monte e Isaac Isaac

Direção de Arte: Samantha Gonçalves (PãoComEgg), Katriel Monte, Rodrigo de Freitas, Isaac Isaac

Fotógrafo: Rodrigo de Freitas

Modelo: Neiva 

Discografia Cavaca Records - Felipe Neiva

             

01 - Desire

Beat, Voz - Neiva


02 - Tilele

Synth, voz, guitarra, percussão, arranjos adicionais: Neiva

Baixo: PH Rocha

Bateria: Daniel Duarte


03 - Amor-Vício

Voz, guitarra, percussão, arranjos adicionais: Neiva

Clarone: Mike Watson

Baixo: PH Rocha

Bateria: Daniel Duarte


04 - mEu

Voz, guitarra, Synth: Neiva

Guitarra: Douglas Valério

Baixo: Ph Rocha

Bateria: Daniel Duarte


05 - FORA!

Voz, guitarra, synth, samples, arranjos adicionais: Neiva

Baixo, Synth: Marcos Thanus

Bateria: Marcelo Callado


06 - Nós

Voz, guitarras, synth: Neiva

Baixo: Mari Romano

Bateria: Daniel Duarte


07 - MATA ATLÂNTICA

Voz, violão, guitarras, synth, baixo, arranjos adicionais: Neiva

Clarone: Mike Watson

Bateria: Daniel Duarte


08 - NÃO DÁ MAIS

Voz, guitarra, violão, synth, percussão, arranjos adicionais: Neiva

Guitarra: Augusto Feres

Baixo: PH Rocha

Bateria: Daniel Duarte


09 - GUERRAS ÍNTIMAS

Voz, baixo, synth, guitarra, violão: Neiva

Bateria: Daniel Duarte


10 - MOLÉSTIA-VIDA

Voz, violão: Neiva

Backing Vocal, rhodes VST: Bru Ferri

Clarone: Mike Watson

Percussão: Dwayne Kapula


Faixa-a-faixa, por Felipe Neiva:


01 – Desire: é um uma versão beta de funk carioca (cantado em inglês) que se situaria entre os anos 90/início dos 00. Ele introduz o álbum com uma certa sensação de claustrofobia fruto da sensação de se ter cometido um erro no amor, ao ter acreditado em alguém que não era confiável. Temática comum ao samba, o desamor e o desengano como tema da música popular do Rio traduzidas numa língua que não é sua casa e aludindo à “máquina desejante” deleuzo-guattariana. É uma música sobre desejo.


02 – Tilele: é um brega que trata das idealizações que se fazem pra preencher espaços vazios de uma relação. Uma espécie de amor não-correspondido por uma pessoa “tilele”, “cirandeira”, “neo-hippie”. Musicalmente, várias ideias e timbres que eu considero “bregas” (por exemplo, as guitarras de hardcore/heavy metal), jogando com a própria ideia do que é brega e kitsch.


03 – Amor-Vício: Se jogar num amor pra esquecer de tudo. Depositar demais numa relação sexo-afetiva. Tentar amar alguém por que você não se ama. E precisar dos aplausos de alguém por que você não se admira. Uma relação insustentável consigo e com o outro, apesar de inicialmente funcional. Uma espécie de “relacionamento ansiolítico”.


04 – mEu: Fantasiar demais sem os pés no chão, acreditando no invisível e na magia que, no fim, nunca chegaram a acontecer.


05 – FORA!: A política como parte da vida. “Na verdade, eu só queria...” poder viver a minha vida em paz. Mas a vida e a política pública são cheios de personagens escusos, falsos e traiçoeiros e a música traz a esperança de que um dia os farsantes caiam.


06 – Nós: Um retrato micro-geracional da minha bolha pessoal. A internet como um lugar inócuo de produção de discurso pra gente cheia de opinião. Fala-se muito e todo dia, mas fica em silêncio exatamente o essencial do que devia ser dito e de como isso vai deixando “nós na garganta” geracional.


07 – Mata Atlântica: Lutas femininas. Se Marte é o deus da guerra na mitologia romana, aqui eu clamo no fim da música por uma “Marta” Atlântica, aludindo a uma entidade feminina guerreira e fictícia que habita o bioma Mata Atlântica e pode ser capaz de dar estratégias e ferramentas de luta a quem é oprimido.


08 – Não dá mais pra mim: O limite. Ansiedade social e depressão como um lugar. “É difícil” como “edifício”. Um grito de cansaço e desespero pela simples existência.


09 – Guerras Íntimas: O vácuo que fica no fim de um relacionamento. Alguém tentando catar os pedaços do que “um dia já foi” e se preparando para se jogar na próxima relação, simplesmente por carência. Buscando amor em qualquer lugar. Aquelas batalhas que a gente trava com a gente mesmo e, muitas vezes, perde.


10 – Moléstia-Vida: A busca pelo equilíbrio por fim. Entre uma voz masculina (yang) e uma feminina (yin) a busca por entender a dor primordial de existir. Um mergulho nas cores e nos afetos do cotidiano.

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