ROBERTOLOGIA EM DESTAQUE

8/28/2020

Sobre gerir talentos

Talentos vencem jogos, mas só o trabalho em equipe ganha campeonatos

“Talentos vencem jogos, mas só o trabalho em equipe ganha campeonatos” 


Prof. Paulo Lopes*

Esta frase de Michael Jordan, uma lenda do basquete, retrata bem a equipe que faço parte, há um ano.

Quando fui convidado para coordenar uma unidade esportiva, onde seriam oferecidos esportes olímpicos individuais (Atletismo, Ginástica Artística, Ginástica Rítmica e Judô) atendendo a comunidade desde a iniciação até o rendimento, a primeira sensação foi a de satisfação pelo reconhecimento do trabalho que vinha desenvolvendo. Porém, por ter uma paixão pelo tema da gestão de equipes e liderança, pensei em como seria difícil gerir uma equipe composta por técnicos de esportes individuais, pois o termo “individual” nos remete ao entendimento de pessoas que não estão acostumadas a trabalhar em equipes. Fui buscar embasamento teórico em um Pós MBA de Inteligência Emocional nas Organizações para conseguir gerir as minhas emoções e as dos profissionais que iriam compor a minha equipe a fim de desenvolvermos o nosso trabalho de forma harmônica e produtiva.

Iniciamos as atividades e eu, com um bom conhecimento teórico, estava na expectativa de colocar em prática todas as técnicas da Inteligência Emocional, pois imaginava mil situações e conflitos que poderiam ocorrer. Abro um parêntese para registrar que acredito ser a mediação de conflitos a primeira habilidade exigida de um gestor de equipes, pois onde existem duas pessoas trabalhando juntas, certamente haverá divergências de ideias que podem gerar conflitos. Nos primeiros dias até ocorreram conflitos...disputa por espaços, o volume do som, os “gritos” durante a execução dos golpes do judô... Porém, o tempo foi passando e fomos nos adaptando com a forma de trabalho de cada um, cedendo um pouquinho aqui, barganhando um pouquinho ali. As relações foram se afinando e através de almoços e conversas informais fomos ficando mais próximos. Os “apelidos carinhosos surgiram” (Meu Malvado Favorito, Minha Espaçosa Favorita...) e com eles a prática do diálogo na resolução dos problemas.

Após seis meses de atividades, a equipe estava trabalhando unida, alinhada e engajada, então fomos surpreendidos pela pandemia! 
Suspendemos as atividades na unidade e iniciamos uma nova realidade de aulas remotas. Cada professor, da sua casa, buscou adaptar-se às novas tecnologias. 
Qual a melhor forma de passar as técnicas específicas para os seus alunos? 
Qual a melhor plataforma digital? Qual o formato e duração das aulas? 

Há um ano essa situação seria preocupante, pois deduziria que cada um iria solucionar os seus problemas e seguir executando as suas aulas com as lições aprendidas, sem compartilhar com os colegas, afinal esse era o perfil que eu esperava de um técnico de esportes individuais. Porém, hoje, não tenho dúvida alguma de que o trabalho, mesmo distante, permanece em equipe. A troca de experiências ao final de cada aula, a dica da melhor plataforma digital, a palavra de ânimo quando encerrava uma aula com poucos alunos, tudo isso auxiliou para a equipe atingir uma maturidade de trabalho frente a essa nova realidade.

Hoje posso dizer que fazer parte dessa equipe tornou-me um gestor melhor. O conhecimento das habilidades da Inteligência Emocional que busquei para aplicar na equipe, na realidade foram aplicadas em mim, trazendo desenvolvimento pessoal através da empatia, vulnerabilidade, escuta compassiva, pré conceitos...entendi, da melhor forma possível, que não devemos “rotular” as pessoas, tampouco esperar comportamentos considerando apenas o cargo ou função.

Aguardo, ansioso, o fim da pandemia para retornarmos ao convívio diário em equipe, os almoços de confraternização, as trocas de experiências, afetos e risadas reforçando a frase de Augusto Cury: 
“Se quiser sobreviver e ser feliz, você precisa treinar, trabalhar e viver em equipe.”

*Professor Esp. Paulo Lopes
- CREF:3080 G/RS
- Graduado em Educação Física (UFRGS 2001)
- MBA em Gerenciamento de Projetos (UNILASALLE 2015)
- Pós MBA em Inteligência Emocional nas Organizações (UNILASALLE 2019). Leia Mais sobre o autor...

Sem comentários:

Publicar um comentário

ESTIMADO LEITOR: esteja à vontade para partilhar e comentar este post em qualquer rede social, mas não esqueça de comentar aqui no próprio post. O autor agradece,

Topo