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8/17/2020

Apesar de comum, acne não é inofensiva e pode deixar marcas, cicatrizes e manchas na pele

Algumas pessoas conseguem notar manchas e textura irregular da pele após um período de convivência com as espinhas
Algumas pessoas conseguem notar manchas e textura irregular da pele após um período de convivência com as espinhas

São Paulo — agosto 2020 - Definitivamente, a acne pode deixar marcas. Seja por meio de mancha ou de cicatriz, as estruturas da pele podem ser comprometidas por conta do nascimento de uma espinha e também da forma como a tratamos. Para entender melhor sobre esse assunto, consultamos a dermatologista Dra. Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, para explicar o que você deve fazer e evitar para não ter marcas de acne:

Alguns pacientes com acne ficam com marcas e outros não. O que determina as manchas, marcas e cicatrizes que ficam na pele após a acne?
Segundo a Dra. Paola, no geral, alguns pacientes têm maior predisposição a apresentar cicatrizes, mas tudo também depende do tempo em que a acne fica na pele sem ser tratada efetivamente, do que é feito para tratar (se você espreme as espinhas por exemplo) e de fatores ligados à inflamação. “A formação de cicatrizes devido à acne é muito comum, principalmente quando as espinhas são espremidas. Essas cicatrizes de acne são uma tentativa do organismo de recuperar a pele agredida pelas espinhas inflamadas, que causam o rompimento das fibras de colágeno e da elastina. Mas mais comum que as cicatrizes de acne são as manchas, que muitas pessoas confundem com as cicatrizes de acne. Essas manchas superficiais de tom rosa ou marrom que surgem na pele após o tratamento de cravos e espinhas são chamadas de hiperpigmentações pós-inflamatórias e ocorrem quando uma inflamação, neste caso a acne, causa um aumento na produção de melanina, responsável pela coloração da pele e formação das manchas. Mas elas tendem a desaparecer conforme ocorre a renovação celular da pele”, afirma a médica. 

Como proceder caso minha pele manifeste acne e espinhas?
Segundo a dermatologista, é imprescindível que você consulte um dermatologista o mais rápido possível, principalmente se não se tratar de uma espinha isolada e sim de um quadro acneico mais avançado. “Apenas ele poderá realizar uma avaliação e indicar o melhor tratamento, seja tópico ou oral. Espremer espinhas ou se automedicar não é recomendado”, diz a Dra. Paola. Mas caso se trate de uma espinha isolada, daquelas internas ou vermelhas sem a famosa coloração amarelada, você pode aplicar gelo envolto em um tecido ou bolsas pequenas de gelo, por alguns minutos, com cuidado para não queimar a pele. “O gelo é anti-inflamatório e reduz o inchaço da espinha rapidamente. Logo após, pode-se aplicar um creme "secativo", explica a médica. O princípio ativo do creme vai depender da pele de cada paciente e possivéis alergias.

Vale a pena esfoliar a pele?
“Desde que as espinhas não estejam muito inflamadas e o produto promova uma esfoliação leve, ou seja, contenha partículas esfoliantes suaves e grânulos menores, pode ser feito uso do esfoliante. O uso de um tônico adstringente com ativos secativos e bactericidas também pode ser associado em alguns casos”, afirma a médica. Em seguida, é indicada a aplicação de um creme para tratamento da condição. E, claro, a higienização e a fotoproteção da pele também são fundamentais.

Caso eu não resista e esprema uma espinha, o que fazer em seguida?
Primeiro, lembre-se que espremer espinhas não é, de forma alguma, recomendado. Mas, se for o caso, existem cuidados que você pode tomar para diminuir os danos. Primeiro, veja se a espinha possui uma coloração amarela ou branca, já que este tipo de espinha está mais próximo da superfície da pele, possuindo menos chances de causar manchas e cicatrizes ao ser espremida. “Já após espremer a espinha, higienize muito bem a região a fim de evitar uma infecção do local. O ideal seria, em seguida, aplicar um creme de antibiótico ou secativo. E não se esqueça do fotoprotetor para evitar que as manchas de acne se tornem evidentes”, diz a médica.

Existem outras causas para o aparecimento de manchas na pele?
Além das manchas de acne, que são hiperpigmentações pós-inflamatórias, existem ainda outros tipos de manchas. Existem, por exemplo, as melanoses solares, que são manchas arredondadas de tom acastanhado que surgem devido à exposição solar desprotegida ao longo da vida. Já as efélides, popularmente conhecidas como sardas, são manchas arredondadas e claras presentes geralmente desde a infância, surgindo então por fatores genéticos. Por fim, existe ainda o melasma, condição caracterizada por manchas escuras nas regiões expostas ao sol, sendo comum a presença de vasos sanguíneos finos no meio da mancha.

Além da acne, quais são as outras causas das cicatrizes na pele?
Cicatrizes podem surgir pelos mais diversos motivos, como acne, acidentes e procedimentos cirúrgicos. “Até mesmo um pequeno machucado pode gerar uma cicatriz. O processo de cicatrização acontece toda vez que existe uma interrupção da integridade dos tecidos, ou seja, quando uma célula passa a não encontrar a célula ao lado”, afirma a médica.

Manter uma rotina de cuidados com a pele ajuda a prevenir e amenizar as manchas e cicatrizes?
Uma rotina de cuidados com a pele ajudará a manter o tecido saudável, evitando assim a formação de cravos e espinhas e, consequentemente, manchas e cicatrizes causadas por essas alterações. “Porém, a melhor alternativa para prevenir o aparecimento de manchas e cicatrizes é evitar espremer as espinhas e procurar um dermatologista que poderá indicar o melhor tratamento, incluindo uma rotina de cuidados adequada para sua pele”, diz a Dra. Paola.

Como tratar as cicatrizes?
Existem lasers e outras tecnologias como o microagulhamento. “Ambas técnicas são capazes de melhorar a textura da pele, amenizar as cicatrizes mais profundas e refazer o colágeno danificado pela acne. Além disso, alguns peelings químicos podem ajudar”, afirma a médica.

Quais cuidados básicos devo ter com a minha pele no dia a dia?
A ordem básica de cuidados com a pele é limpar, tonificar, hidratar e proteger. Pode-se também esfoliar a pele após a limpeza de uma a duas vezes por semana, dependendo do tipo de pele. “Os produtos utilizados devem ser adequados para seu tipo de pele e necessidades individuais. Ou seja, peles oleosas e acneicas devem optar por sabonetes que controlam a oleosidade e sejam formulados com ativos anti-inflamatórios, enquanto peles secas e sensíveis devem receber loções de limpeza e mousse com fórmulas hidratantes e calmantes. Após o uso do sabonete ou loção, é necessário utilizar tônico, para pele seca, ou adstringente, para pele oleosa. A hidratação pode ser realizada na forma de cremes para a pele seca e loções ou sérum para pele oleosa. Por fim, deve-se utilizar um protetor solar, que deve possuir, no mínimo, FPS 30 e pode ter cor, o que ajuda a aumentar a eficácia da fotoproteção”, finaliza.

FONTE: DRA. PAOLA POMERANTZEFF - Dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), tem mais de 10 anos de atuação em Dermatologia Clínica. Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina Santo Amaro, a médica é especialista em Dermatologia pela Associação Médica Brasileira e pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, e participa periodicamente de Congressos, Jornadas e Simpósios nacionais e internacionais. http://www.drapaola.me/

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