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ROBERTOLOGIA EM DESTAQUE

6/08/2020

Vírus nunca antes encontrados podem ser liberados do gelo


A mudança climática é a causa mais provável da COVID-19 e possivelmente provocará futuros surtos e pandemias


Por Maxime Renaudin, fundador da plataforma de reflorestamento Tree-Nation

Nos últimos meses, a COVID-19  rapidamente substituiu a mudança climática como a ameaça mais imediata à humanidade na agenda da mídia. No entanto, pesquisas apontam que tais ameaças, aparentemente independentes, estão intrinsecamente ligadas.

Investigações sobre a origem do vírus colocaram os morcegos como a provável fonte, com o vírus sendo passado para as pangolins (mamíferos que vivem em zonas tropicais da Ásia e da África)  como hospedeiro intermediário antes de ser transmitido aos seres humanos (Zhou et al., 2020). Mas muitos ignoraram o fator subjacente à rápida disseminação desse vírus: a mudança climática. Sabendo que não podemos corrigir nossos erros agora, é importante olhar para frente e nos preparar para futuros surtos.

A interação entre vírus e mudanças climáticas

As evidências estão sendo construídas para apoiar a alegação de que as mudanças climáticas resultarão em um aumento do número e intensidade de pandemias. Isso pode ocorrer como resultado de vários fatores, como o derretimento do permafrost (tipo de solo encontrado na região do Ártico), a extinção de espécies devido ao aquecimento e a maior facilidade da sobrevivência dos vírus nos meses de inverno. Também devemos considerar os efeitos de alguns fatores indiretos.

Por exemplo, a mudança climática tornará algumas áreas do mundo inabitáveis; portanto, mais pessoas estarão aglomeradas em espaços menores, permitindo taxas mais altas de transmissão de vírus de uma pessoa para outra. Outras atividades humanas, como a exploração do ambiente natural, em particular o desmatamento, a urbanização e o aumento das viagens globais, também contribuem para o aumento de pandemias globais como a COVID-19 (Madhav et al., 2018).

Vírus para os quais nunca desenvolvemos imunidade podem ser liberados do permafrost

As mudanças climáticas chegaram ao estágio em que o permafrost, solo congelado geralmente difundido no Ártico, subártico e Antártico, começou a derreter. A preocupação é que, enterrados no permafrost, estejam vírus antigos, presos no gelo por milênios, para os quais nunca desenvolvemos imunidade. Um estudo encontrou um vírus de 30.000 anos no permafrost que mantinham sua infectividade (Legendre et al., 2015). Este estudo prova que existe a possibilidade de vírus como a Peste Negra, a varíola, o antraz ou a gripe espanhola, que se acredita estarem presos no permafrost, serem viáveis.

Depois que o permafrost derreter, esses vírus serão liberados. Os efeitos destes são inimagináveis, agravados ainda mais pelo aumento do risco de transmissão de vírus entre animais selvagens e humanos acarretados pelas  mudanças climáticas.

As mudanças climáticas, e especificamente o desmatamento, causam a redução do habitat para os animais e aumentam sua aglomeração. Portanto, os animais são forçados a entrar em áreas habitadas por seres humanos, aumentando o risco geral de transmissão de vírus entre as espécies animais e seres humanos.

Também está provado que as mudanças climáticas alteram a extensão da gama de mosquitos portadores de doenças. À medida que as temperaturas globais aumentam com as mudanças climáticas, os mosquitos poderão sobreviver em áreas antes inabitáveis para eles e transmitir vírus como o vírus Zika, febre amarela, dengue e chikungunya. (Kraemer et al., 2019).

Soluções e mitigação

Uma maneira de reduzir a propagação de vírus transmitidos por animais seria deter a violação humana dos habitat de animais selvagens, tão comum no mundo de hoje. O desmatamento e a perda e fragmentação de habitats não deixam escolha para muitos animais selvagens a não ser viver entre ou próximos aos seres humanos, onde há um risco maior de transmissão de uma doença infecciosa.

Ao proteger esses habitats, limitamos nossa própria exposição a doenças (Morse et al., 2012). Além disso, o comércio ilegal de espécies, como o pangolim, também aumenta o risco de transmissão dessas doenças em todo o mundo. Portanto, acabar com esse comércio também deve ser prioridade.

A mitigação das mudanças climáticas também ajudará a impedir a propagação de vírus, por impedir o aumento de determinadas  espécies, por exemplo: mosquitos e o derretimento do permafrost. As soluções para mudanças climáticas incluem a transição de combustíveis fósseis para recursos de energia renovável, o envolvimento em reflorestamento e arborização e o comprometimento em mudar nossos próprios estilos de vida para reduzir as emissões de carbono.

Sobre Tree-Nation
A Tree-Nation é uma plataforma de reflorestamento que usa seu próprio software de desenvolvimento para conectar cidadãos e empresas a projetos de plantações em todo o mundo. Fundada por Maxime Renaudin, a organização sediada em Barcelona atualmente possui mais de 80 projetos de reflorestamento ativos. Desde a sua criação em 2006, mais de 130.000 usuários e mais de 2.200 empresas plantaram 5 milhões de árvores usando sua plataforma. Mais informações em https://tree-nation.com

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