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5/16/2020

Ataque a maternidade em Cabul tem 24 mortos e pelo menos 20 feridos

Maternidade do hospital Dasht-e-Barchi sofre ataque em Cabul, no Afeganistão.
Maternidade do hospital Dasht-e-Barchi sofre ataque em Cabul, no Afeganistão. 
Frederic Bonnot / MSF

Grupo armado invadiu na última terça (12) a maternidade do Dasht-e-Barchi, apoiada por MSF, e abriu fogo contra pacientes


A organização internacional de ajuda médica humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) se disse devastada após homens armados invadirem na última terça-feira (12) a maternidade do hospital Dasht-e-Barchi, em Cabul, no Afeganistão, e abrirem fogo contra gestantes, parturientes e bebês. O ataque durou horas. Vinte e quatro pessoas morreram e pelo menos outras 20 ficaram feridas.

MSF, que apoia a maternidade há seis anos, confirma que 26 mães estavam hospitalizadas no momento do ataque. Enquanto 10 delas conseguiram se esconder em salas de segurança junto a vários profissionais de saúde, nenhuma das 16 mães que continuaram expostas ao ataque foi poupada: 11 morreram; três delas na sala de parto, com seus filhos recém-nascidos, e cinco outras ficaram feridas. Entre os mortos há dois meninos pequenos e uma obstetriz afegã de MSF. Dois recém-nascidos foram feridos – um deles foi transferido para outro hospital para ser submetido a uma cirurgia de emergência depois de ser atingido por um tiro na perna, assim como três profissionais locais de MSF.

Durante o ataque, uma mulher deu à luz. Ela e o bebê estão bem.

“Eu voltei ao local no dia seguinte ao ataque e o que vi na maternidade demonstra que foi um assassinato sistemático contra as mães”, diz Frederic Bonnot, coordenador-geral dos programas de Médicos Sem Fronteiras (MSF) no Afeganistão. “Eles passaram pelos quartos da maternidade atirando nas mulheres em seus leitos. Foi metódico. Paredes furadas por balas, sangue no chão dos quartos, veículos incendiados e janelas estilhaçadas pelos tiros.” 

Os agressores, cujo número total ainda é desconhecido, invadiram o hospital pelo portão principal pouco depois das 10h da manhã. Havia outros prédios e enfermarias mais próximos à entrada, mas, de acordo com a equipe de MSF presente no momento do ataque, os agressores foram direto para a maternidade apoiada por MSF. Foram quatro horas de inferno – o ataque durou todo esse tempo, enquanto pacientes e profissionais procuravam abrigo.

“Durante o ataque, da sala de segurança, ouvíamos tiroteios e explosões por todo o lado”, diz Frederic Bonnot. “É chocante. Sabemos que esse local foi alvo de ataques no passado, mas ninguém poderia imaginar que eles atacariam uma maternidade. Eles vieram para matar as mães.”

Ao todo, 102 colegas da equipe nacional de MSF trabalhavam junto a um grupo de profissionais internacionais. Em meio ao caos do ataque, contabilizar os pacientes e os profissionais que estavam presentes no hospital se tornou extremamente difícil, uma vez que as pessoas estavam correndo para se proteger e muitas outras foram encaminhadas às pressas para outros hospitais.

“Este país infelizmente está acostumado a ver eventos horríveis”, diz Bonnot. “Mas não há palavras para descrever o que aconteceu na terça-feira.”

MSF condena esse ato de violência sem sentido e covarde, que custou a vida de muitas pessoas e privou mulheres e crianças em Cabul de um serviço de saúde vital, em um contexto em que o acesso a cuidados essenciais já é limitado. A maternidade está localizada em uma região no oeste de Cabul com mais de 1,5 milhão de habitantes.

Vinte e quatro pessoas foram mortas e outras 20 ficaram feridas 
em ataque à maternidade de Dasht-e-Barchi, em Cabul, no Afeganistão.
Frederic Bonnot / MSF
A organização lamenta profundamente a perda de vários pacientes e estima que um dos profissionais de nacionalidade local possa estar entre as vítimas. Por enquanto, ainda em meio a tanta incerteza, as equipes médicas seguem com o acompanhamento aos recém-nascidos na maternidade, para garantir o melhor atendimento possível aos pacientes e aos feridos, com apoio psicológico às pessoas afetadas e  provendo todo o suporte necessário aos sobreviventes.

As equipes de MSF compostas por obstetrizes, médicos, faxineiros, enfermeiros, cozinheiros, vigias e funcionários administrativos, prestam serviços inestimáveis a mulheres que precisam de cuidados maternos, especialmente àquelas cujos partos apresentam complicações.

Por enquanto, as atividades médicas na maternidade Dasht-e-Barchi estão suspensas, mas não foram encerradas definitivamente. Os pacientes foram evacuados para hospitais vizinhos e a equipe está em segurança.

Mais do que nunca, MSF se solidariza com o povo afegão.

MSF abriu a maternidade de 55 leitos no hospital Dasht-e-Barchi em 2014. Desde o início do ano, 5.401 bebês nasceram na maternidade e 524 estiveram em tratamento na unidade neonatal e na maternidade “canguru” de terapia intensiva.

MSF no Afeganistão
MSF começou a trabalhar no Afeganistão em 1980, mas esteve ausente do país entre 2004 e 2009, após o assassinato de cinco profissionais na província de Badghis. Em 2019, MSF manteve sete projetos em seis províncias do país e realizou mais de 100 mil consultas ambulatoriais, assistiu mais de 60 mil partos e realizou quase 10 mil intervenções cirúrgicas. MSF não aceita financiamento de nenhum governo para realizar seu trabalho no Afeganistão e conta inteiramente com doações privadas.

Sobre Médicos Sem Fronteiras
Médicos Sem Fronteiras é uma organização humanitária internacional criada em 1971 na França por médicos e jornalistas para levar cuidados de saúde a pessoas afetadas por conflitos armados, desastres naturais, epidemias, desnutrição ou sem nenhum acesso à assistência médica. Oferece ajuda exclusivamente com base na necessidade das populações atendidas, sem discriminação de raça, religião ou convicção política e de forma independente de poderes políticos e econômicos. Também é missão da MSF chamar a atenção para as dificuldades enfrentadas pelas pessoas atendidas em seus projetos.

2 comentários:

  1. Nobre colega Armindo, que coisa triste. Quem tem coragem que realizar um ato deste não pode ser chamado de ser humano. Meu Deus, aonde vamos parar.

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  2. Amigo Narley, fanatismo em ideologia política, futebol, religião e seja no que for, nunca dá bons resultados nem bons exemplos. Sempre uma desgraça em vez de tolerância. Ninguém é dono da verdade e da razão. Valendo-me de um trecho da "Balada da Nave" do poeta Augusto Gil (1873-1929), apetece-me perguntar: Mas as crianças, Senhor,
    porque lhes dais tanta dor?!... Porque padecem assim?!..."
    Mando-te o link do poema completo para o caso de não o conheceres. Grande abraço.
    https://www.escritas.org/pt/t/2470/balada-da-neve

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