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3/16/2020

Contágios de equipes médicas em Itália e reforço do apelo à prevenção é preocupação dos Médicos Sem Fronteiras

Quase 1.700 profissionais de saúde já foram contaminados pelo Covid-19 na Itália enquanto cuidavam de pacientes em estado grave e que necessitam de hospitalização prolongada devido ao avanço da doença

Com falta de equipamentos de proteção, país tem quase 1,7 mil profissionais de saúde doentes

Quase 1.700 profissionais de saúde já foram contaminados pelo Covid-19 na Itália enquanto cuidavam de pacientes em estado grave e que necessitam de hospitalização prolongada devido ao avanço da doença. A pandemia gerou uma demanda sem precedentes por equipamentos de proteção, que não estão disponíveis em quantidade suficiente, agravando os riscos de contágio para os que estão na linha de frente do combate à doença.

A cifra de trabalhadores do setor de saúde doentes, que corresponde a 8% do total de casos na Itália, mostra a dimensão do desafio que a pandemia coloca para profissionais médicos de todo o mundo e a urgência da adoção imediata de medidas de contenção do contágio para minimizar o alcance da doença.

“Mesmo em hospitais europeus de alto nível, vemos profissionais de saúde sobrecarregados, lidando com até 80 ambulâncias por dia, com escassez dramática de equipamentos de proteção que os colocam em grande risco. Alguns médicos estão sendo forçados a usar a mesma máscara facial por 12 horas”, diz Claudia Lodesani, presidente de Médicos Sem Fronteiras (MSF) na Itália e líder da resposta de MSF ao Covid-19 no país.

Desde que começaram a trabalhar na semana passada em quatro hospitais na região norte da Itália, epicentro da epidemia no país, membros da organização têm visto que a escassez de equipamentos de proteção individual é cada vez mais comum. Essa falta de equipamentos está alimentando a epidemia e dificultando a capacidade de salvar vidas. “Todos os dias estamos recebendo novos pedidos de ajuda, de mais profissionais, de mais suprimentos. Sem a chegada de equipamentos de proteção urgentemente necessários, mais e mais profissionais de saúde adoecerão, reduzindo a disponibilidade de atendimento aos pacientes, gerando novos grupos de casos e enfraquecendo perigosamente a luta contra a doença”.

MSF alerta que a situação dramática vivida atualmente na Itália pode se repetir em outros países com o avanço do Covid-19. “Hoje é a Itália que precisa urgentemente de suprimentos de equipamentos médicos para proteger os profissionais de saúde, mas em algumas semanas também pode ser o caso em outros lugares”, diz Brice de le Vingne, coordenadora da força-tarefa de MSF para o Covid-19 em Bruxelas. "Enquanto isso, as ameaças ao fechamento de fronteiras podem prejudicar o fluxo de recursos e profissionais para as áreas mais afetadas", afirma ela.

Além de reforçar os hospitais e o atendimento individual de pacientes, é fundamental aumentar as medidas padrão de saúde pública que se mostraram eficazes em controlar outros surtos de doenças infecciosas. Isso inclui a busca proativa de casos e o rastreamento das pessoas que tiveram contato com doentes, testes, isolamento de pacientes, isolamento de contatos de alto risco, mobilização do público em geral para impedir a transmissão progressiva e uma triagem rigorosa de pacientes leves e graves em hospitais.

Em relação a cuidados individuais, MSF recomenda fortemente que todas as pessoas sigam de maneira estrita as principais medidas de higiene e distanciamento social, para ajudar a achatar a curva da epidemia (fazer com que o pico de casos da doença seja o menor possível). Ações deste tipo podem evitar a sobrecarga de hospitais e preservar o acesso a cuidados de saúde também para pacientes com problemas não relacionados ao Covid-19. Tudo isso é necessário para controlar a epidemia e minimizar a perda de vidas.

Especificamente para endereçar a questão da falta de equipamentos de proteção, MSF solicita os Estados-membros europeus a demonstrarem solidariedade além suas fronteiras nacionais. Suprimentos médicos essenciais, incluindo equipamentos de proteção individual como máscaras faciais para proteger a equipe de saúde, devem ser urgentemente priorizados para onde a situação é mais crítica. 

Neste momento de crise, nenhum país pode lidar ou produzir os suprimentos de que precisa sozinho. Os Estados-membros europeus devem implementar urgentemente os mecanismos de solidariedade criados pela União Europeia. Os recursos devem ser compartilhados para combater a pandemia em que está atualmente assolando o mundo.

MSF pede que seja promovida a cooperação entre os Estados para evitar o estoque de suprimentos. Em vez disso, deve ser oferecida assistência para além das fronteiras nacionais para proteger os profissionais de saúde que são nossa primeira linha de resposta coletiva contra o vírus. 

"Este vírus não respeita fronteiras e a solidariedade também deve ser estendida além delas", diz de le Vingne. “O Covid-19 continua a se espalhar e todos os países enfrentarão o mesmo desafio, a menos que o epicentro da pandemia seja enfrentado com um forte esforço comum.”

Para obter mais informações sobre a resposta de MSF ao Covid-19 e nossos maiores esforços para proteger o acesso à saúde em nossos programas em todo o mundo, visite https://www.msf.org/covid-19-depth.

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