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3/20/2020

Conflitos no Iêmen atingem atividades de Médicos Sem Fronteiras

Nos últimos dois anos, os 40 ataques ao hospital apoiado pela organização na cidade de Taiz, no Iêmen...
Marcas de bala no hospital em Taiz (Iêmen) apoiado por MSF
Maya Abu Ata / MSF

Nos últimos dois anos, os 40 ataques ao hospital apoiado pela organização na cidade de Taiz, no Iêmen, colocaram em risco vida de pacientes e de profissionais


Ataques sucessivos contra instalações de saúde apoiadas por Médicos Sem Fronteiras (MSF) na cidade de Taiz, no Iêmen, estão comprometendo a capacidade da organização de prestar assistência médica de forma eficaz à população. Entre 2018 e 2020, MSF registrou pelo menos 40 casos de violência contra o Hospital Geral Al-Thawra, apoiado por MSF, que afetaram pacientes e profissionais de saúde que ali trabalham. Houve diversos tiroteios dentro e nas proximidades do hospital. As instalações foram atingidas mais de 15 vezes, por tiros de armas de pequeno porte e bombardeios, e as equipes médicas foram assediadas e atacadas inúmeras vezes.

A organização fez um apelo a todas as partes beligerantes para que tomem todas as medidas necessárias para que se respeitem a integridade das unidades de saúde e para cessar os ataques e outras ameaças à vida de profissionais de saúde, pacientes e outros profissionais.

O Hospital Geral Al-Thawra é considerado o maior hospital público da cidade de Taiz e vem sofrendo com bombardeios e investidas armadas, perpetrados pelas forças armadas do grupo Ansar Allah e por grupos armados ligados ao governo internacionalmente reconhecido do Iêmen.

"Nosso espaço humanitário está ameaçado pelas constantes violações cometidas pelas diferentes partes em guerra em Taiz", diz Corinne Benazech, gestora de operações de MSF no Iêmen. "No hospital Al-Thawra, a equipe não se sente mais segura onde deveria ser um espaço protegido, e os pacientes evitam ir ao hospital, temendo por suas vidas, mesmo quando essa é sua única opção viável para atendimento médico".

Os ataques também estão afastando equipes médicas do hospital.

"Sendo da equipe médica, sua vida está ameaçada a todo momento neste hospital", diz Hashem*, profissional do hospital Al-Thawra. “A maioria da equipe médica foi embora depois dos vários ataques que ocorreram. Restou apenas um especialista em ortopedia e dois especialistas em cirurgia geral. O resto dos especialistas não está mais aqui".

Em uma série de ataques chocantes, invasores armados mataram pacientes que recebiam atendimento médico dentro do hospital. Isso levou à suspensão das atividades de MSF em várias ocasiões e à decisão da administração do Al-Thawra de fechar departamentos hospitalares, impedindo as pessoas de obter cuidados médicos vitais.

Embora a taxa de bombardeios aéreos e ataques de artilharia contra instalações médicas em Taiz – direta ou indiretamente – tenha diminuído em 2019, os recentes bombardeios que atingiram o hospital Al-Thawra confirmam que os episódios de violência continuam sendo uma grande preocupação. Os atos de violência direta e indireta contra instalações médicas não apenas colocam em risco a vida da equipe médica e dos pacientes, mas também colocam barreiras adicionais ao acesso à saúde em meio a um sistema já restrito e frágil.

No início deste mês, novos confrontos eclodiram no lado leste da cidade de Taiz e rapidamente se espalharam pela cidade, quando houve bombardeios em áreas residenciais. No dia 13 de março, a sala de emergência do hospital Al-Thawra chegou a receber oito pessoas já sem vida por causa da violência daquele dia. O próprio hospital foi atingido várias vezes por bombardeios no mesmo dia. Uma semana antes, no dia 5 de março, outro incidente semelhante ocorreu, quando o laboratório-geral do hospital foi danificado e um membro da equipe médica que estava dentro do hospital foi ferido.

Médicos Sem Fronteiras pede que os grupos armados dentro e fora da cidade cessem a troca de tiros, evitando áreas densamente povoadas. A organização chegou a levar a questão às autoridades dos lados envolvidos no conflito, sem sucesso até então.

“As ações das partes em conflito demonstram claramente um desrespeito flagrante pela neutralidade de hospitais e espaços médicos. Todos os dias, a equipe médica toma decisões corajosas quando se propõe a continuar a prestar assistência médica, apesar dos riscos, para o benefício de pacientes iemenitas que dependem desses cuidados. Todas as partes envolvidas neste conflito têm uma responsabilidade, sob o Direito Internacional Humanitário, de garantir que os civis e a infraestrutura civil, incluindo hospitais, sejam respeitados e protegidos", diz Benazech.

Sobre Médicos Sem Fronteiras
Médicos Sem Fronteiras é uma organização humanitária internacional que leva cuidados de saúde a pessoas afetadas por conflitos armados, desastres naturais, epidemias, desnutrição ou sem nenhum acesso à assistência médica. Oferece ajuda exclusivamente com base na necessidade das populações atendidas, sem discriminação de raça, religião ou convicção política e de forma independente de poderes políticos e econômicos. Também é missão da MSF chamar a atenção para as dificuldades enfrentadas pelas pessoas atendidas em seus projetos.

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