ROBERTOLOGIA EM DESTAQUE

3/08/2020

As Canções Reiróticas

Roberto Carlos - Canções Eróticas


Por: Carlos Marley

O erotismo

O erotismo que é o propulsor do amor paixão será o foco principal deste texto. Para isso pinçamos das letras da discografia de Roberto Carlos, passagens que apresentam conotações eróticas. A apresentação dos trechos compilados descreve em etapas os ingredientes do ritual do amor. Segundo o dicionário de Aurélio Buarque, erótico é definido como: Relativo ao amor. Inspirado pelo amor: que tem caráter de lirismo amoroso. Inspirado ou provocado pelo erotismo. Sensual, lascivo. Apesar da carga desse termo, RC passeia por ele, como intérprete ou como compositor de forma elegante, leve e delicada, usando figuras de linguagem adequadas para descrever cenas mais ousadas. 

Sabemos estar o mundo em plena revolução sexual, mas o erotismo sempre esteve presente em todos os segmentos da arte como: a pintura, as artes plásticas, o cinema, o teatro, a literatura, a dança, a fotografia e a música. O erotismo em algumas dessas expressões artísticas só se manifestou no século passado. Na discografia de RC essas manifestações estão distribuídas pelas canções relacionadas a seguir. 

O cenário

Começando pelo cenário ideal para a celebração do amor. Segundo RC, por mais requintado que seja o lugar só terá o mesmo encanto, se for com a pessoa amada: "Se você não vem comigo nada disso tem valor/ De que vale o paraíso sem amor" (Além do horizonte - 1975); Enumeramos a seguir alguns dos locais sugeridos: "Onde a gente pode se deitar no campo/ Se amar na relva escutando o canto dos pássaros" da mesma canção. Em outra citação diz que, quando existe amor o local é o que menos importa: "Pode ser na rua, pode ser na cama/ O amor é lindo, e tudo é mais bonito/ Quando a gente ama" (Quando a gente ama - 1994). Faz ainda uma observação: "Não me deixam mentir os casais/ Pelos cantos escuros das ruas" (a época era outra) e complementa: "E entre quatro paredes bem mais" (O amor é a moda - 1983). O cenário perfeito às vezes é criado em um momento de grande euforia: "A aceleração é louca quando beijo a sua boca/ Me dispara o coração/ Nosso corpo se resvala sem controle pela sala/ Que loucura que paixão (...) Nas esquinas dessa casa/ Não tem leis e nem sinais/ Vamos nós nesse carinho, mas paramos no caminho/ Dessa vez no corredor (...) E chegamos ofegantes ao destino dos amantes/ Nosso quarto nosso amor" (Pelas esquinas da nossa casa - 1985); No jogo do amor, como foi dito na canção acima, não existe regras pré-definidas. Essa afirmação foi reforçada quando disse: "Esse amor sem preconceito/ Sem saber o que é direito/ Faz as suas próprias leis" (Amada amante - 1971). 

A força do amor

A força do amor às vezes é tão grande que os espaços se tornam pequenos: "Que em nosso quarto já não cabe mais/ Pelas frestas da janela se derrama pela rua" (Tudo pára -  1981). A mudança de cenário algumas vezes, além de evitar a rotina motiva o relacionamento. Uma boa opção seria escolher um bom hotel, num lugar bastante agradável onde: "Na ânsia mais louca/ No céu da sua boca/ No alto as estrelas me dizem, meu bem/ Que a vida é isso/ Que eu vivo por isso/ Que você me dá, me dá/ (...) E nós dois num abraço/ Rolamos no espaço/ Me perco no amor com você, meu bem/ E perco o juízo/ Pois o paraíso/ É o que você me dá, me dá/ Tudo isso que você, meu bem, me dá" (Na paz do seu sorriso - 1979).

A temperatura

A temperatura do amor sofre variações de acordo com as reações dos sentidos. O olfato exerce um papel inegável nesse campo. O perfume é um dos elementos estimulantes na relação entre homens e mulheres: "Esse perfume a cabeça me embaralha/ De terno e gravata o que é que eu vou fazer (...) Me beija, me abraça e perfuma também minha roupa/ E fica no ar que eu respiro e então não dá outra (Cheirosa - 1996); A palavra ferormônio (ou feronômio, as duas formas estão corretas) que deriva do grego e significa "que transmite excitação". São substâncias que funcionam como mensageiros entre seres da mesma espécie, desencadeando respostas fisiológicas e comportamentais. Nas relações entre homens e mulheres os feronômios têm sido alvos de grande controvérsia entre pesquisadores. Na canção de Djavan (A ilha - 1980), encontramos uma passagem que pode se enquadrar no que foi posto acima: "E um cheiro de amor/ Empestado no ar a me entorpecer/ Quisera viesse do mar e não de você", que na gravação de RC foi alterada para: "Um cheiro de amor/ Espalhado no ar a me entorpecer". Lembrando ainda que, nesta mesma canção RC também modificou a frase de: "Estrela cadente reluzentemente sem fim" para "Estrela brilhante reluz nesse instante sem fim".

A visão 

É o sentido da observação e grande estimulador: "Os botões da blusa que você usava/ E meio confusa desabotoava/ Iam pouco a pouco me deixando ver/ No meio de tudo/ Um pouco de você" (Os seus botões - 1976); As formas e contornos do corpo feminino é um colírio para os olhos masculinos: "Você tem tudo nesse jeito/ Provocante e sensual (...) É tanto, que não cabe na medida atual/ Eu me amarro em seu short/ E no decote, em tudo seu afinal" (Símbolo sexual - 1985); Contemplar essas imagens é alimentar os desejos: "Se é de manhã te vejo/ Fruta fresca a provocar o meu desejo/ Delirando de paixão/ O suco dessa fruta eu bebo no seu beijo" (Você é minha - 1992). O movimento sensual do corpo feminino é outro elemento de grande poder visual, que desencadeia fortes emoções: "Ela apareceu, enlouqueci/ Quando ela sambou pedi socorro" (Nega - 1986); O bom se torna melhor, quando visualizamos a reação de uma provocação: "Gosto tanto do seu jeito/ De tirar as meias sem correr o fio/ Gosto de puxar seu zíper/ Te beijar os ombros, ver seu arrepio" (Você é minha - 1992).

O tato

No tato sentimos a maciez da pele e o calor do corpo. Tateia-se o corpo da cabeça aos pés e as vibrações se multiplicam: "No seu corpo minhas mãos/ Se deslizam e se firmam numa curva mais bonita/ No seu corpo o meu momento é mais perfeito/ E eu sinto no seu peito o meu coração bater/ E no meio desse abraço é que eu me amasso/ E me entrego pra você/ E continua a viagem no meio dessa paisagem/ Onde tudo me fascina/ E me deixo ser levado por um caminho encantado/ Que a natureza me ensina" (Seu corpo - 1975); Um toque num ponto sensível desencadeia fortes emoções: "Para de beliscar a minha orelha/ Porque se o sangue subir/ Eu faço o que me dá na telha" (Brotinho sem juízo - 1960); E mais ainda quando: "Sua mão leve desliza/ Pelos pêlos do meu peito/ Dentro da minha camisa (...) Não há roupa que se aguente e nenhum botão que dure/ Esse amor que a gente sente/ Não há nada que segure" (Mulher pequena - 1992).

O paladar

Através do paladar sentimos o gosto de tudo: "Quando você me aperta na medida certa/ Explode o desejo que em nós se desperta/ E o sabor do seu beijo/ Me dá arrepios dos pés à cabeça" (Aventura - 1987); Eu bebo em sua boca/ O gosto de tudo/ Eu mato em seu corpo/ A sede que eu tenho/ Nesse beijo eu tomo/ De todos os vinhos/ Mistura perfeita/ Dos nossos carinhos (...) Quando eu provo do seu beijo/ Eu me perco no sabor/ Da pureza dessas fontes/ Da beleza desse amor (O gosto de tudo - 1980); Sendo esse seu gosto hortelã/ Grudo no seu corpo igual "colant" / E sinto seu calor mexer comigo/ Nada mais falar, nem é preciso (Sabores - 1984).

A audição

Na audição captamos as palavras e sons que criam o clima para o amor: "Cada coisa que eu dizia/ Era sempre o que você queria ouvir" (Só vou se você for - 1985); O essencial no amor é ser correspondido em seus desejos: "Vem mais pra cá, chega pra mim/ Quero sentir esse som de amor e ficar/ Assim, na sintonia da emoção/ De coração pra coração" (De coração pra coração - 1985);

A mente

Apresentado os estímulos provocados pelos os sentidos vamos enveredar agora no mundo da mente. A mente é repleta de sutilezas e fantasias com uma breve ideia de realidade: "Paro pra pensar, mas não posso mudar/ Que culpa tenho eu me diga amigo meu/ Será que tudo que eu gosto/ É ilegal, é imoral ou engorda (Ilegal, imoral ou engorda - 1976); A distância da pessoa amada é um fator que aguça a mente:"Eu quase posso ver a água morna/ A deslizar no corpo dela/ Em gotas coloridas pela luz/ Que vem do vidro da janela/ Um jeito nos cabelos/ Colocando seu perfume preferido/ Diante do espelho aquilo tudo/ Ela esconde num vestido" (Rotina - 1973); Os desejos ocultos torna a mente muito mais fértil: "Às vezes chego até mesmo a sentir/ O teu corpo em minhas mãos e te ouço pedir/ Pra fazer o que eu quiser/ No prazer de te amar, até cansar (Às vezes penso - 1979); Mergulhamos euforicamente nesta deliciosa tortura: "Eu quero ser sua canção, eu quero ser seu tom/ Me esfregar na sua boca, ser o seu batom/ O sabonete que te alisa embaixo do chuveiro/ A toalha que desliza no seu corpo inteiro/ Eu quero ser seu travesseiro e ter a noite inteira/ Pra te beijar durante o tempo que você dormir (...) Quero estar na maciez do toque dos seus dedos/ E entrar na intimidade desses seus segredos/ Quero ser a coisa boa, liberada ou proibida/ Tudo em sua vida (...) E além de todo esse carinho que você me faz/ Fico imaginando coisas, quero sempre mais (...)Ele faz desse amor sua vida/ A comida, a bebida, na justa medida (Cama e mesa - 1981).

No amor devemos sonhar acordado: "O sexo e o meu coração andam juntos/ Só se alimentam de amor, comem juntos/ Na hora do amor nosso amor sabe tudo/ Tudo do bom e do melhor, não me iludo/ Loucuras de amor quando a gente se abraça/ Uma vontade que dá e não passa (...) Sexo ação mental não dá certo/ Só um amor total é completo (...) Ficar só pensando pra que" (Porque a gente se ama - 1990). 

O roteiro

O roteiro do amor deve ser feito sem guias, bússolas e mapas: "E embora eu já conheça bem os seus caminhos/ Me envolvo e sou tragado pelos seus carinhos/ E só me encontro/ Se me perco no seu corpo" (Seu corpo - 1975). 

O complexo jogo que antecede o ritual do amor pode começar ao som de uma boa música para dançar: "Dançando assim/ Eu tenho você nos meus braços/ E posso sentir seu corpo macio/ Seu peito desse jeito/ Apertado no meu peito/ E o seu rosto colado no meu/ Me convida a dizer/ Coisas que as outras pessoas não devem saber" (Música suave - 1978); Um carinho mais provocante é irresistível: "Me beija, me abraça/ Me assanha, me anima/ Você é tudo pra mim/ Me sobe um calor/ Que seu corpo irradia/ Mais quente que o sol/ De verão meio-dia" (No mesmo verão - 1983); "Então você se chega mais e me abraça/ Me beija e no seu beijo sinto tudo que é bom/ Eu te pego e me entrego/ E me esfrego todo no seu batom/ (...) Me acaricia, me provoca, me agita/ Depois me olha com esse jeito e me faz/ Chegar mais perto, eu chego perto demais" (Símbolo sexual - 1985); Resistir a tudo isso é impossível: "Cá com meus botões, bolas eu não sou de ferro" (Ilegal imoral ou engorda - 1976); "Tanto tempo esperamos por isso/ Desfrutemos de tudo" (Café da manhã - 1978); Nessa hora o controle já não existe mais: "Numa noite inesquecível/ Controlar foi impossível tudo aquilo a sós" (A primeira vez - 1978).

A celebração

A celebração do amor é o momento mágico da entrega: "E desarmado eu estava/ Tudo que eu tinha lhe dei/ Diante daquelas armas/ Não resisti, me entreguei/ E me entreguei no seu corpo/ Me confessei no seu peito/ Me amordacei na sua boca/ Enlouqueci no seu leito (...) Que eu me calava na boca/ Que me mordia a palavra" (Procura-se - 1980); Chegando à porta do quarto: "A porta se abre e de repente eu/ Me envolvo inteiro nos seus braços/ E o nosso amor começa" (Rotina - 1973); Na nossa privacidade: "Quando a gente fecha a porta tanta coisa se transforma/ Tudo é muito mais bonito nessa hora/ Entre os beijos que trocamos pouco a pouco nós deixamos/ Nossas roupas espalhadas pelo chão" (Tudo pára - 1981); As vestimentas são as únicas testemunhas: "Braços que se abraçam/ Bocas que murmuram/ Palavras de amor/ Enquanto se procuram/ Chovia lá fora/ E a capa pendurada assistia a tudo/ Não dizia nada/ E aquela blusa que você usava/ Num canto qualquer/ Tranquila esperava" (Os seus botões - 1976); Sentíamos no espaço: "Que flutua no meu leito/ Que explode no meu peito/ E supera o que já fez" (Amada amante - 1971); A caminhada é feita de forma prazerosa e conta com a colaboração do astro rei: "E na grandeza desse instante/ O amor cavalga sem saber/ Que na beleza dessa hora/ O sol espera pra nascer" (Cavalgada - 1977); No caminho desfrutamos de todas as belezas naturais e festejamos esse momento: "O ar que eu respiro/ No céu se mistura/ Da boca ofegante/ Que a minha procura/ Eu bebo nas fontes/ De tantas delícias/ Me perco em seus montes/ Jardins e carícias/ Na árvore plena/ Nosso amor conhece/ O gosto da fruta/ Que a vida oferece/Nós somos a festa/ E a dose atrevida/ Brindemos agora/ O amor e a vida" (O gosto de tudo - 1980): O amor é tão intenso: "E provoca inexplicáveis emoções/ Tudo para quando a gente faz amor" (Tudo para - 1981); E as emoções são tantas que: "Acelerou meu sangue/ Me arrepiou a pele/ Provocou minha mente/ Despertou meus sentidos/ Alucinou meu peito/ Meus músculos/ E nervos/ Na mais doce loucura/ E esse amor (...) No calor do aconchego/ Dos seus seios/ Se fez lindo/ E me fez enlouquecer/ Nesse momento/ De prazer" (Doce loucura -  1981); Conforme a receita e sob medida: "Nosso amor é assim, pra você e pra mim/ Como manda a receita/ Nossas curvas se acham, nossas formas se encaixam/ Na medida perfeita/ Esse amor é pra nós a loucura que traz/ Esse sonho de paz e é bonito demais/ Quando a gente se beija, se ama e se esquece/ Da vida lá fora/ Cada parte de nós tem a forma ideal/ Quando juntas estão, coincidência total/ Do côncavo e convexo/ Assim é nosso amor, no sexo" (O Côncavo e o convexo - 1983); Olhando estrelas: "No exato momento da nossa agonia/ Pra se completar/ Com seus beijos ardentes, tão doces, tão quentes/ Vem me embriagar/ No entanto sentida, no instante da briga/ Chega a delirar/ Entre bocas nervosas, com risos, com prosas (...) E rasgando essa vida da forma precisa/ De amar e de se Ter (...) Quero que você me tenha até pelo avesso/ Pra me sentir envolvido em seus cabelos/ Faça de mim o que quiser/ Eu sou seu homem, minha mulher" (Pelo avesso - 1976).

O dia seguinte

 “Amanhã de manhã/ Vou pedir o café pra nós dois/ Te fazer um carinho e depois/ Te envolver em meus braços/ E em meus abraços/ Na desordem do quarto esperar/ Lentamente você despertar/ E te amar na manhã/ Amanhã de manhã/ Nossa chama outra vez tão acesa/ E o café esfriando na mesa/ Esquecemos de tudo (...) Pensando bem/ Amanhã eu nem vou trabalhar/ Além do mais/ Temos tantas razões pra ficar..." (Café da manhã - RC/EC)

Roberto Carlos - Cavalgada

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