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11/02/2019

“Meus Nós”: Victor Mus costura novas sonoridades em EP plural e diverso


Álbum é resultado da vitória na Mostra Novos Talentos da Música, da FIRJAN/SESI, e conta com a participação da cantora Illy

Se no EP “Chão de Terra”, Victor Mus valorizou suas raízes, “Meus Nós”, o mais novo EP do artista carioca, vem para atestar uma liberdade musical e lírica amadurecida. O lançamento do álbum é a etapa final da Mostra Novos Talentos da Música, promovida por FIRJAN/SESI em 2019, da qual Mus foi o vencedor na categoria Voto Popular. Após o single “Vapor”, o EP completo chega às principais plataformas de streaming e tem produção assinada por Rogério da Costa Jr. e Rodrigo Vidal (Caetano Veloso, Maria Gadú).

Com uma visão sempre plural do cancioneiro nacional, Victor Mus passeia por ritmos regionais, sem se prender a rótulos, ao longo de quatro faixas. O trabalho abre com a já conhecida “Vapor”, construída como um “folk abrasileirado” para refletir a realidade dos relacionamentos líquidos e voláteis. Sua sintonia com a musicalidade baiana brota em “Que Sorte a Minha”, uma canção solar que busca inspiração no ijexá e samba-reggae em roupagem pop e moderna, com a ajuda do vocal convidado de Illy.

“Coragem” é um dos destaques do álbum, trazendo uma mensagem de enfrentamento do que oprime e amedronta. Sem cair nos clichês das canções motivacionais, a faixa entrega uma visão realista da vida, aceitando os desafios como parte do aprendizado. Tudo isso é embalado por elementos de bumba-meu-boi e maracatu que vão além das alfaias e do gonguê e desembocam no cello.

“Porto Seguro” encerra o ciclo de “Meus Nós” ao fazer uma conexão direta com a primeira música. A temática das relações efêmeras retorna para entregar uma visão mais pop e dançante, embalada tanto por influências de Jorge Ben Jor quanto por uma lírica que joga com as palavras e contradições de força bem-humorada.  A percussão orgânica se encontra com beats eletrônicos, enquanto violão, guitarras e flauta se mesclam a sintetizadores para remeter a influências como o afrobeat e o funk americano. 

Essa nova coleção de canções vem para somar à recente, porém prolífica carreira de Victor Mus. Inicialmente unindo a leve voz rouca com os acordes do violão, suas canções sempre falaram de amor e afeto em forma de poesia. Com mais de 50 apresentações em diversos palcos do Rio de Janeiro, o cantor e compositor se destacou com baladas como “Preguiça” e “Castelo”, presentes no EP “Chão de Terra” (2017). Desde então, vieram participações em festivais como Os Sons do Rio (Deezer/Secretaria de Cultura do Estado) e em coletâneas como “Garimpo”, realizada pelo portal Brasileiríssimos. 

Em 2019, Mus revelou o primeiro passo de sua nova fase na carreira com o single e clipe “Vapor”. Ele foi um dos 12 selecionados pela FIRJAN no edital Novos Talentos da Música, se unindo a nomes como Facção Caipira, Pedro Mann e Isadora Melo. Victor se destacou ainda na Maratona Competitiva da mostra, que premiou também Pietá e Ilessi/Thiago Amud. 

“Esse EP é um projeto que vem para coroar toda a correria feita até hoje, como a gente se aplicou em desenvolver o trabalho de forma independente nos últimos anos. Ainda estamos na correria, mas evoluímos muito, principalmente do EP ‘Chão de Terra’ pra cá. É, de fato, um prêmio. Não só um prêmio para nós, mas também para o público, que votou em mim e mostrou que queria ver mais sendo feito. Isso me torna ainda mais grato”, reflete Victor Mus.

Ele construiu todo o conceito de “Meus Nós” ao lado de Rogério da Costa Jr., que assina os arranjos e a produção musical, junto a Rodrigo Vidal; e de João Suprani, diretor artístico à frente da produtora Rebuliço. Não por acaso, o título reflete essa coletividade, mas também a pluralidade artística do próprio Victor, que explora novas cores e ritmos nesse trabalho. Partindo de uma perspectiva pessoal, as canções resultam em relatos universais sobre questões que nos unem enquanto humanos. A simbologia do nó ajuda a amarrar essa ideia, se utilizando da dualidade de sentidos: se por um lado representa um obstáculo a ser vencido, por outro remete ao que importa ou ao que une duas pontas distintas e as sustenta juntas. 

“Acho que esse álbum vai mostrar do que a gente é capaz. Apesar de falar muito sobre as relações humanas, tem uma diversidade grande de prismas, de olhares, sobre um mesmo tema. Tem também uma diversidade de formas, de lírica, de como falar, do quê falar, de onde falar. Tem uma diversidade de referências, de cores, de instrumentos, de texturas e de tudo mais que colocamos ali, diferentes espaços musicais e tudo conversando tão bonito. Acho que esse EP é um grande caldeirão de ideias e emoções, uma congruência de caminhos também. É a desembocadura de um rio. Muitas coisas foram feitas até chegarmos nesse momento”, comemora.

“Meus Nós” celebra uma identidade mais diversa de Victor Mus, sem perder contato com as raízes de sua música. Usando uma linha lírica metafórica para costurar uma gama de sonoridades, o artista se coloca como um multiplicador de referências regionais em um cenário moderno e de linguagem pop. 


Ficha técnica
Autor: Victor Mus (todas as obras)
Produzido por: Rodrigo Vidal e Rogério da Costa Jr. 
Gravado no LabSonica - Oi Futuro e no ARPx Audio 
Pós-Produzido no ARPx Audio 
Engenheiro de Gravação e Mixagem: Rodrigo Vidal 
Engenheiro de Pós-produção: Gustavo Krebs 
Assistente de Pós-Produção: Matheus Fernandes 
Masterizado no Magic Master por: Ricardo Garcia 
Arranjos: Rogério da Costa Jr. 
Direção Artística: João Suprani 
Produção Executiva: Rebuliço 
Apoio: Oi Futuro - LabSonica 
Realização: FIRJAN SESI 

Violões e guitarras das faixas 2 e 4 e backing vocals das faixas 3 e 4 gravados por Gustavo Krebs no ARPX audio. 

Vapor Voz: Victor Mus Bateria: Lourenço Monteiro Percussão: Cesar Lira Baixo elétrico: Viny Melanio Violão e Viola Caipira: Felipe Melanio Cordas: Pedro Mibielli Backing Vocal: Jonathan Panta 

Que Sorte a Minha Vozes: Victor Mus e Illy Bateria: Lourenço Monteiro Percussão: Cesar Lira e Felipe Roseno Guitarras: Heitor Azambuja e Rodrigo Solidade Synth: Rogério da Costa Jr. Baixo elétrico: Jonathan Panta Piano: Gustavo Salgado Flauta Alto: PC Castilho 

Coragem Voz: Victor Mus Violão: Felipe Melanio Bateria: Lourenço Monteiro Percussão: Cesar Lira e Felipe Roseno Baixo elétrico: Pedro Sodré Cello: Daniel Silva Synth: Rogério da Costa Jr. Violinos e Viola: Pedro Mibielli Backing Vocal: João Suprani 

Porto Seguro Voz: Victor Mus Violão: Rogério da Costa Jr. Bateria: Lourenço Monteiro Percussões: Cesar Lira e Felipe Roseno Flauta: PC Castilho Baixo elétrico: Jonathan Panta Guitarras: Heitor Azambuja e Rogério da Costa Jr. Rhodes e Órgão: Gustavo Salgado Synth e Beats: Rogério da Costa Jr. Backing Vocal: João Suprani 

Acompanhe Victor Mus:

Faixa-a-faixa, por Victor Mus:

1 - Vapor
(Victor Mus)

A música aborda o conceito de amores líquidos, tecido pelo sociólogo Zygmunt Bauman. “Vapor” compreende que, assim como se desfazem com facilidade, os vínculos afetivos também se constroem rápido demais. Essa é a música mais importante que lancei até hoje. Ela representa meu amadurecimento musical, tanto na letra, quanto por ter um tipo de construção diferente do que eu havia feito até então e também por fugir do senso comum. Acho que ela deixou claro meu amadurecimento não só para o público e para o mercado, mas também para mim mesmo.

2 - Que Sorte a Minha (part.: Illy)
(Victor Mus)

Uma música solar, que traz os ritmos baianos para o trabalho. Criada numa época em que estava estudando bastante a Bahia musical, principalmente a obra de Gil nos anos 70, mescla ritmos como ijexá e samba-reggae a uma construção extremamente pop. A música é uma grande celebração ao amor, perfeita para ouvir com a pessoa que se gosta em um dia feliz, para curtir com essa pessoa. Como é uma música que fala de uma relação a dois, foi fundamental trazer uma participação feminina para que a mensagem fosse passada da melhor forma. A escolha de Illy foi perfeita, uma artista baiana com uma voz e um sotaque lindo que valorizou a proposta. Illy tem esses ritmos muito presentes em seu trabalho e o dueto funcionou muito bem, com um contraste muito interessante de timbres.

3 - Coragem
 (Victor Mus)

“Coragem” é uma música que fala de superar os problemas, os medos e tudo aquilo que de certa forma te oprime. Ela fala sobre entender que a dor faz parte de todo o processo que é a vida. Não tem como viver sem sentir dor. Se você sente dor e passa por problemas, é porque está vivo. Musicalmente, representa bastante o trabalho. Do EP, “Coragem” é a música que foi composta há mais tempo, em uma viagem a São Tomé das Letras. Ela se chamava “Beleza do Herói”, mas a mudança de nome foi importante quando percebemos a verdadeira mensagem dela.

4 - Porto Seguro
 (Victor Mus)

"Porto Seguro" foi a última música a ser escolhida para o EP e partiu de um momento em que estava muito imerso na obra de Jorge Ben Jor e no balanço característico do seu trabalho. A letra aborda as relações efêmeras, onde uma pessoa não quer necessariamente estar presa ou viver exclusivamente uma única relação, e como a outra pessoa lida com isso. De certa forma, essa faixa, que fecha o EP, dialoga com “Vapor”, que abre. Musicalmente, talvez seja a faixa mais complexa do EP e recomendamos que as pessoas ouçam com atenção aos detalhes, tem muita coisa presente nela.

Assista a “Vapor”:
Victor Mus - Vapor (Clipe Oficial)

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