ROBERTOLOGIA EM DESTAQUE

11/25/2019

23ª Edição do ESCRITOR DO MÊS NA BIBLIOTECA CAMÕES | CCP Luanda 2 e 16/12


“(…) Homens de carga! assim as bestas vão curvadas!
Que vida tão custosa! Que diabo!
E os cavadores pousam as enxadas,
E cospem nas calosas mãos gretadas,
Para que não lhes escorregue o cabo.(...)   
("Cristalizações"  de Cesário Verde)

O CAMÕES/CENTRO CULTURAL PORTUGUÊS, no quadro do desígnio de promoção da leitura e divulgação de autores de língua portuguesa, criou na sua BIBLIOTECA um Núcleo de Leitura, que revisita autores consagrados de língua portuguesa, através da leitura colectiva de extractos das respectivas obras e biografias. Este Núcleo de Leitura, com momentos interactivos, conta com a participação activa de jovens, sobretudo, estudantes universitários e pré-universitários, utentes da Biblioteca.

Em dois dias de cada mês, a obra e a biografia do autor escolhido são revisitadas e analisadas.   

Na 23ª Edição/Dezembro de 2019 do “Escritor do Mês na Biblioteca Camões”, nos dias 2 (2ª feira) e 16 de Dezembro (2ª feira), a partir das 10H00, será revisitada a obra de CESÁRIO VERDE.  

CESÁRIO VERDE, de seu nome completo José Joaquim Cesário Verde, poeta do concreto das quadras simples   é um dos grandes percussores do modernismo em Portugal. Nasceu em Lisboa, em 1855, no seio de uma família abastada de comerciantes/agricultores. Frequentou o Curso Superior de Letras, que nunca veio a concluir. Foi um autodidata, embora a integração da sua poesia nas correntes estético-literárias mais representativas da época, o perfeito domínio da língua portuguesa, a riqueza e precisão do vocabulário e o rigor, originalidade e adjetivação,  deixem supor um grau de cultura superior ao que adquiriu por iniciativa própria, ao acaso de leituras sugeridas por amigos ou escolhidas segundo motivações pessoais de momento. 

A aventura literária de CESÁRIO VERDE começou no "Diário de Notícias". Os seus versos publicados foram mal recebidos  pelos seus contemporâneos e críticos literários. Ninguém estava preparado  para a sua poesia, tão  diferente da que se se fazia na época, nas  correntes melodramáticas e românticas que a todos agradavam.

CESÁRIO VERDE transgredia na forma e no conteúdo. Preferia as quadras aos sonetos. Escolhia temas não poéticos, coisas prosaicas do quotidiano, que descrevia sem sentimentalismos, recorrendo a palavras vulgares em vez de pesados vocábulos e frases de sentidos difíceis. Lisboa foi a  personagem principal dos seus poemas. O poeta observava atentamente o que se passava, filtrava a captava a cidade nos seus múltiplos ângulos e descrevia o que via em concisos instantâneos impressionistas. A mulher também ocupou um lugar primordial como tema da sua obra.   

Conhecido como o poeta da cidade de Lisboa, foi igualmente  o poeta da natureza anti-literária, numa antecipação de Fernando Pessoa, que considerou Cesário Verde um dos vultos fundamentais da  história literária portuguesa.  

No seu tempo, foi ostensivamente ignorado. O reconhecimento e admiração vieram muito depois da sua morte, aos 31 anos, vítima de tuberculose.   A sua poesia reunida no  volume "O Livro de Cesário Verde" publicado após a sua morte.

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