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8/27/2019

Brasil é apontado pela OMS como referência no combate ao fumo


Consumo do tabaco diminuiu em 40% nos últimos 13 anos, mas aumentou o consumo de narguilés

Por: Dr. Pedro Rubens Pereira*

Em julho, o 7º Relatório sobre a Epidemia Mundial do Tabaco da Organização Mundial da Saúde, que aborda os progressos feitos pelos países para ajudarem as pessoas a deixar de fumar, apontou o Brasil como exemplo no combate ao tabagismo, junto à Turquia. Os dois países foram os únicos, dentre 171 nações, que aderiram às medidas da OMS implementando medidas governamentais para redução no consumo da substância.

Nos últimos 13 anos, a população entrevistada diminuiu em 40% o consumo do tabaco. A pesquisa revela ainda que uso da substância no Brasil caiu nas faixas etárias pesquisadas. De 18 a 24 anos de idade (12% em 2006 e 6,7%, em 2018), 35 e 44 anos (18,5% em 2006 e 9,1% em 2018); e entre 45 a 54 anos (22,6% em 2006 e 11,1% em 2018). Entre as mulheres, a redução alcançou 44%.

Hoje, principalmente entre jovens e na contramão dos dados, torna-se mais comum o uso do Narguilé, dispositivo de fumo onde uma mistura de tabaco é aquecida e a fumaça gerada passa por um filtro de água, antes de ser aspirada pelo usuário por meio de uma mangueira.

Seu consumo é visto como menos nocivo à saúde por utilizar mecanismos de filtro. Lojas especializadas estão hoje por todo lado. Introduziu-se até tabaco aromatizado e há também uma dimensão social de fumar narguilé. Contudo, ao contrário do que muitos pensam, seu uso é mais prejudicial que o de cigarros.

Para se ter uma ideia, 20 a 80 minutos de uso correspondem à exposição tóxica de aproximadamente 100 cigarros. Com base na evidência científica disponível, o uso de narguilé foi significativamente associado ao desenvolvimento de câncer, doenças respiratórias, coronárias e periodontais.

Além disso, há também maior exposição a metais pesados, altamente tóxicos e de difícil eliminação, como o cádmio. Fora as doenças infectocontagiosas, devido ao compartilhamento do bucal entre os usuários, contribuindo para transmissão de herpes, hepatite C e tuberculose.

O coração e o pulmão estão entre as partes mais afetadas pelo fumo. A nicotina leva apenas alguns segundos para chegar ao cérebro. Com o charuto e o cachimbo, ela é absorvida rapidamente pela mucosa oral, não havendo necessidade de tragá-la.

No caso dos cigarros, a dependência da nicotina, que por si só já causa problemas cardíacos e vasculares, leva ao consumo de mais de 4.700 substâncias tóxicas também presentes ali. Dentre elas, o monóxido de carbono, que reduz a oxigenação do corpo, e o alcatrão, que reúne vários produtos cancerígenos, como polônio, chumbo e arsênio.

Fumantes adoecem com frequência duas vezes maior, têm menor resistência física, menos fôlego e envelhecem mais rapidamente. Fumar pode causar cerca de 50 doenças diferentes, especialmente problemas ligados ao coração e à circulação, câncer em vários órgãos e doenças respiratórias com infecções e inflamações. Ainda pode causar úlcera do aparelho digestivo, osteoporose, catarata, impotência sexual, infertilidade, menopausa precoce e complicações na gravidez.

Por estes motivos, ainda se faz necessária a conscientização sobre o fumo e continuam sendo importantes as políticas relacionadas a fatores prejudiciais à saúde da população.

*Dr. Pedro Rubens Pereira é Cardiologista, Coordenador dos setores de cardiologia, pronto-socorro e UTI Adulto do HSANP, centro hospitalar da Zona Norte de São Paulo (SP).

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