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8/22/2019

Beto Bruno (Cachorro Grande) lança disco solo


Beto Bruno – Depois do Fim

Por Luiz Cesar Pimentel

Beto Bruno poderia seguir o caminho simples de tocar a vida com o nome Cachorro Grande, banda que liderou durante 20 anos, e lançar mais um álbum pela franquia vitoriosa. Mas aceitou o risco de cunhar seu nome próprio como assinatura do novo trabalho e coloca-lo à prova do público. Algo (o disco) me diz que a história vai lhe fazer justiça e o início deste capítulo principia uma nova trajetória longeva.

Porque, resumindo: “Depois do Fim”, seu primeiro trabalho solo, é uma lufada de ar fresco roqueiro em período que cheira a retrocesso de 50 anos no país. 

Não que o trabalho não traga referências do mesmo período. Mas o flerte com os anos 1960 e 70 remete ao insuperável criativo da época.

“Depois do Fim” soa como se uma banda hard roqueira gravasse composições de Brian Wilson da época de “Pet Sounds” e, principalmente, “Smile”. Ou o inverso disso. Tem os dois melhores lados de duas moedas que possuem ambas as faces virtuosas.

Fora que funcionaria tranquilamente como uma sequência dos recentes trabalhos da Cachorro Grande, “Costa do Marfim” e “Electromod”.

Minto.

“Depois do Fim” é um upgrade nestas duas décadas do conjunto, que encerrou carreira em julho recente. Beto Bruno concebe o melhor da fusão que a Cachorro mostrou principalmente nos mais recentes discos, quando incluiu na receita a cena de Madchester.

“A Ruptura da Linearidade do Tempo...” abre o trabalho como um mantra. Guitarra psicodélica e o texto: “O tempo passando/O mundo girando/O vento soprando/E o povo cantando”. Quase uma vinheta de minuto e meio, que faz a ponte para “Por Isso o Meu Samba é Diferente”. Um riff gêmeo bivitelino setentista com uma guitarra emulando Keith Richards em um canal e a outra, Pete Townshend, timbre de rock de arena, sopro da cena ecstasy britânica, rockão de escutar em air guitar e air piano.

“Por Que Eu Te Amo Muito e Há Tanto Tempo” (os títulos mereciam um release à parte) encharca em psicodelia, sonoridade de cravo com baixo, guitarra e bateria flutuam pela composição.

Já “Depois do Fim” remete a Mutantes meets indie rock. Uma costura quase instrumental e viajandona em “Marlon Brando, Beatles e Pelé” e uma pancada no tímpano batizada “Não É Todo Mundo que Tá de Boa Contigo” (não falei que os títulos mereciam release à parte?).

A música carrega o melhor de uma disputa mod x rockers, Clash versus Small Faces, hard rock setentista e dá a deixa para “Porco Garrafa” em levada synth soprar para os ares da gravadora Elephant 6, que lançou o melhor da sonoridade psicodélica norte-americana registrada nos últimos 20 anos.

Pedal steel, violão baladeiro, conduzem o clima como se para um filme do Elvis com trilha composta pelo Byrds em “A Mais Linda do Verão”, que disfarça o tom para uma nova pancada hard roqueira em “Digby, O Maior Cão do Mundo”.

E no violão o disco entra na levada final com “...Ou Provavelmente Estarei Dormindo”.

Ok, não falarei pela terceira vez sobre os títulos, as referências, timbres ou qualquer outra legenda para surdo. Mas que fique a advertência: nem um mês depois de fechar a tampa da Cachorro Grande, Beto Bruno corre o sério risco de estar lançando o disco que marcará o 2019 roqueiro brasileiro.

||| Show de lançamento:

Local: Z – Largo da Batata (Av. Brigadeiro Faria Lima, 724 – Pinheiros – São Paulo – SP)
Dia 29/08 - quinta-feira
Horário: Abertura da casa 20h | Show 22h
Antecipados: R$ 25 (no Ingresse.com) | Na hora: R$ 35

Beto Bruno – Depois do Fim [2019]
01. A Ruptura da Linearidade do Tempo (Beto Bruno/Denise Gadelha) [1:22]
02. Por isso meu samba é diferente (Beto Bruno) [3:40]
03. Porque eu te amo muito e há tanto tempo (Beto Bruno) [3:36]
04. Depois do Fim (Beto Bruno/Sebastião Reis/Théo Reis) [3:10]
05. Marlon Brando, Beatles e Pelé (Beto Bruno) [3:16]
06. Não é todo mundo que tá de boa contigo (Beto Bruno) [3:06]
07. Porco Garrafa (Beto Bruno) [3:28]
08. A Mais Linda do Verão (Beto Bruno) [2:52]
09. Digby, O Maior Cão do Mundo (Beto Bruno) [2:23]
10. ...Ou provavelmente estarei dormindo (Beto Bruno/Denise Gadelha) [0:51]

||| Links:
Google Play: http://bit.ly/2Z549WR

||| Ficha Técnica: 
Beto Bruno: vocais
Gustavo X: guitarra
Henrique Cabreira: guitarra
Sebastião Reis: violões, mandolin e backing vocal
Rodrigo Tavares: baixo e guitarra
Pedro Pelotas: piano, piano elétrico, órgão, cravo, sintetizador e guitarra
Eduardo Schuler: bateria
Théo Reis: backing vocal em Depois do Fim

Martin Mendonça: guitarra em Marlon Brando, Beatles e Pelé
Rodolfo Krieger: baixo em Marlon Brando, Beatles e Pelé
Eduardo Machado: bateria em Marlon Brando, Beatles e Pelé

Produzido por Beto Bruno, Rodrigo Tavares (faixas 1, 2, 3, 6, 8, 9, 10), Pedro Pelotas (faixas 2, 4, 6, 7, 9), Jander Antunes (faixas 5, 6, 7), Sebastião Reis (faixa 4), Martin Mendonça (faixa 5), Rodolfo Krieger (faixa 5) e Eduardo Machado (faixa 5).

Gravado nos estúdios Boca de Cigano, Estúdio Banha e Estúdio Madeira.
Mixado por Rodrigo Tavares no estúdio Boca de Cigano.
Masterizado para CD e formato digital por Jander Antunes no estúdio Kluster.
Masterizado para formato analógico por Sanjai Cardoso na Jamute.
Foto e Capa: Denise Gadelha
Arte Final: Gustavo Serrano

“Depois do Fim” lançado em CD, LP e formato digital por 180 Selo Fonográfico.
Código de catálogo: 180-CD/170 | 180-12/170 | 180-D/170
Alba Maria Fraga Bittencourt

Sobre a autora

Alba Bittencourt - Doutorada em Robertologia Aplicada e Ciências Afins. Redatora do Portal Splish Splash e Administradora/Redatora do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Leia Mais sobre a autora...

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