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2/12/2019

Estudo desvenda os alimentos que quem tem acne deve comer ou evitar


Estudo publicado no Skin Therapy Letter no começo do ano passado afirma que alguns alimentos são altamente maléficos para causar ou piorar inflamações de pele, como a acne, enquanto outros podem ajudar e muito no tratamento

São Paulo – fevereiro de 2019 - Sabia que você pode sentir na pele muita coisa por conta da sua alimentação? Segunda a pesquisa científica Skin and Diet: An Update on the Role of Dietary Change as a Treatment Strategy for Skin Disease, publicada em janeiro do ano passado no Skin Therapy Letter, a mudança na dieta pode servir como um componente importante na terapia para certas condições da pele, incluindo a acne. “Muitos nutrientes, alimentos ou padrões alimentares podem agir como ‘gatilhos’ de doenças, enquanto outros podem ser benéficos, colaborando com o tratamento. Um padrão alimentar que foque, por exemplo, no consumo de alimentos integrais, em vez de alimentos processados, pode ajudar no tratamento de certas condições da pele, principalmente àquelas ligadas à inflamação”, afirma a dermatologista Dra. Claudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da American Academy of Dermatology (AAD).

De acordo com a médica, o artigo esclarece as relações entre dieta e pele, um campo onde há muita desinformação principalmente na internet. “Um exemplo é o chocolate. Muitas vezes associado à acne, esse produto só é maléfico se tiver alta quantidade de carboidratos e gorduras e menor concentração de cacau, que é um flavonoide e com importante ação antioxidante. Dessa forma, não é o cacau o responsável por piorar inflamações de pele e, sim, a gordura e o carboidrato; então, as versões mais amargas não pioram a acne”, exemplifica. 

A dermatologista explica que a evidência mais forte até o momento sobre os gatilhos dietéticos para acne é para dietas de alta carga glicêmica, principalmente. Em um estudo, pacientes com acne demonstraram melhora significativa após 12 semanas de uma dieta de baixa carga glicêmica. Estudos posteriores documentaram que esse padrão alimentar resultou em menor biodisponibilidade de andrógenos e alteração na produção de sebo da pele.

O uso de suplementos como Whey Protein também merece acompanhamento mais rigoroso, uma vez que ele já foi indicado em estudos como influenciador importante no desenvolvimento de acne resistente, já que, por ser rico em IGF-1, um hormônio semelhante à insulina 1, o pó pode aumentar a produção de sebo, que está associada ao desenvolvimento da acne. “Além disso, esse suplemento pode desencadear a produção de andrógenos, ou hormônios que funcionam como hiperestimulantes das glândulas sebáceas e causam também inflamação. Isso pode obstruir os poros e favorecer o aparecimento da acne”, afirma a dermatologista Dra. Claudia Marçal. Também é preciso ter cuidado com os derivados do leite e alimentos ultraprocessados, como biscoitos, salgadinhos, doces industrializados, ou ainda aqueles produtos ricos em açúcar e gordura hidrogenada.

Com relação à dieta ideal, as recomendações alimentares para pacientes com acne incluem alimentos ou suplementos contendo probióticos, ácidos graxos, ômega-3, zinco, antioxidantes, fibras e vitamina A. “Probióticos são bactérias vivas, similares àquelas encontradas naturalmente no corpo humano, e que podem ser benéficas para a saúde. Os prebióticos, como certas fibras vegetais, são definidos como carboidratos não digeríveis que estimulam o crescimento de bactérias probióticas no intestino. Toda vez que cuidamos do intestino e da microbiota, isso reflete na nossa pele, melhorando principalmente inflamações”, diz. Alimentos com zinco têm papel importante para o controle da produção de sebo, de acordo com estudos.

Além disso, a médica ressalta a importância do acompanhamento nutricional. “Eu peço que o paciente faça o controle alimentar e aumente a ingesta hídrica e reduza os índices glicêmicos dos alimentos, diminuindo o consumo de açúcar e de hidrato de carbono”, afirma.

Causas e tratamentos da acne - “Quando se fala em tratamento, o primeiro passo é propor uma rotina investigativa para descobrir se há histórico familiar, se tem origem na adolescência (uma abordagem diferenciada), ou se é acne da mulher adulta (mais comum, mas o homem também pode ter), por stress, enfim, a diagnose vai ajudar a tratar”, diz a médica.

No caso dos adolescentes, o surgimento da acne está associado, quase sempre, à formação de muita queratina, que acaba obstruindo o folículo piloso. “As glândulas sebáceas, neste caso, são extremamente produtoras, há uma grande formação de ácidos graxos, o que alimenta a flora bacteriana, o Propionibacterium acnes, que é o grande responsável pela patologia quando ela é inflamatória e infecciosa”, afirma a dermatologista. Vale destacar ainda que a secreção sebácea depende da ação de hormônios androgênicos, dessa forma, é justamente na puberdade que ocorre o seu crescimento e observa-se, então, o aumento de secreção da glândula.

Contudo, independentemente da adolescência, a presença da acne pode estar relacionada ao consumo de alimentos com alto índice glicêmico, que colaboram para a hiperprodução sebácea; além disso, situações de estresse também estão relacionadas ao aparecimento da acne, uma vez pode ocorrer descarga de adrenalina na corrente sanguínea.

Erupções acneiformes também podem surgir devido ao uso de drogas (tabagismo, medicamentos etc.), produtos cosméticos e filtro solar com veículo não adequado, calor e exposição a agentes químicos, uso de roupas sintéticas ou produtos de contato com a pele tendem a causar essas erupções. A Dra. Claudia lembra que acne em mulheres adultas é considerada hoje uma patologia à parte. “Isso porque existe a influência de pílulas, presença de miomas, ovário policístico, estresse, uso abusivo de maquiagem, cosméticos sem orientação e terapia de reposição de hormônios”, afirma.

Com relação aos tratamentos, a dermatologista explica que além do uso habitual da Isotretinoína e o uso dos probióticos, alternados com os ácidos com a vitamina C (nicotinamida e azeloglicina) e Vitamina A, é possível utilizar o Hidroxitirosol por via oral e tópica, além dos ácidos derivados da Vitamina A por aplicação tópica, alfa e beta-hidroxiácidos. “Por via oral, outro ativo de destaque é o FC Oral, que trabalha muito bem a questão dos ômegas e ajuda no controle da acne; também indicamos antibióticos específicos para a acne e os probióticos, que também são interessantes tanto de vista tópico quanto por via oral”, diz a dermatologista. A médica ressalta também o uso tópico de peróxido de benzoíla, que é interessante para o controle da acne, e em associação com a clindamicina, quando o quadro é infeccioso.

Além disso, a utilização do LED de luz azul também é benvinda, desde que o paciente não tenha tendência ao melasma. “Esse recurso tem uma ação bacteriostática muito importante. Outra opção, para complementar esse tratamento, é usar a luz infrared – que tem um potencial cicatricial, calmante e anti-inflamatório”. No caso de pacientes com melasma, a luz vermelha é a mais indicada, já que a luz azul pode piorar a pigmentação.

Quando surgem as cicatrizes, outro problema estético que mexe com a autoestima e é comum em quem teve acne por muito tempo, o microagulhamento de ouro, com a ponteira Intensif, também é uma opção que propicia resultados eficazes. “O tratamento com microagulhamento não tira o paciente da rotina e é pouco doloroso. Com isso, é feito o reparo e estimulação desse colágeno que foi danificado pelo próprio processo inflamatório que destruiu o tecido de boa qualidade local”, afirma. O microagulhamento, segundo a dermatologista, é ideal para tratar casos de cicatrizes profundas ou superficiais. Em consultório ainda há opções como: Q-Plus Evo 6D, com seis passadas com ponteiras diferentes de Q-Switched 1064, em que a alteração das ponteiras renova a textura da epiderme, fecha os poros, melhora a hiperpigmentação melânica e faz estímulo de colágeno nas áreas com cicatriz de acne; e Hollywood Peel, um procedimento de laser e pasta de carbono, utilizando a ponteira do Q-Switched no modo fracionado em que remove todas as alterações da primeira camada e estimula a remodelação do colágeno a nível dérmico. 

Fonte: DRA. CLAUDIA MARÇAL - É médica dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), da American Academy Of Dermatology (AAD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD). É speaker Internacional da Lumenis, maior fabricante de equipamentos médicos a laser do mundo; e palestrante da Dermatologic Aesthetic Surgery International League (DASIL). Possui especialização pela AMB e Continuing Medical Education na Harvard Medical School. É proprietária do Espaço Cariz, em Campinas - SP.
Alda Jesus

Sobre a autora

Alda Jesus - Doutorada em Robertologia Aplica e Ciências Afins. Redatora do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Leia Mais sobre a autora...

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