Gíria ou calão Linguagem diferente



André Júnior, Especial para  Opiniãopública


Gíria ou calão é um fenômeno de linguagem especial usado em uma classe ou até em uma profissão, para indicar outras palavras formais da língua com o objetivo de fazer um segredo, um ato cômico ou criar um grupo com seu próprio dialeto. É empregada por jovens e adultos de diferentes classes sociais, e observa-se que seu uso cresce entre os meios de comunicação de massa. O termo calão, embora possa ser percebido por vezes como sinônimo de gíria, outras vezes é classificado como uma forma de gíria mais grosseira ou obscena. As gírias pertencem ao vocabulário específico de certos grupos, como os surfistas, cantores de rap, tatuadores, entre outros. A linguagem das gírias são informais pois tem um sentido figurado diferente. Elemento polêmico nas diversas línguas, amadas por uns e odiadas por outros, as gírias provam o constante movimento de nosso idioma. É inútil negar que a língua não é um elemento vivo e mutável, pois, de acordo com a época e com a moda, assume algumas características que podem se transformar em pouco tempo. As línguas estão inseridas em um contexto cultural e, conforme o panorama muda, ela também se modifica. Exemplo – a música “Broto do jacaré”, sucesso de Roberto Carlos nos anos 60. As gírias nascem da necessidade de se utilizar recursos expressivos na fala, e é o tempo que determinará a permanência ou descarte de uma expressão idiomática. Algumas gírias que eram muito utilizadas nos anos 60 hoje se tornaram obsoletas, porque certamente deixaram de cumprir sua função, sendo assim substituídas por novas palavras e expressões. Infelizmente, algumas pessoas associam as gírias à falta de cultura e ao desconhecimento da norma culta, pregando uma verdadeira “caça às bruxas” a esse movimento espontâneo da língua. Tentar coibir a juventude (que é quem melhor se apropria desse jeito diferente de falar) de usar gírias é inútil, mas vale saber que o princípio da adequação linguística deve ser lembrado sempre. Você, em uma entrevista de emprego, não vai se expressar da mesma maneira que se expressa quando conversa com seus amigos. Para Ferdinand de Saussure, que foi um importante linguista e filósofo suíço, “é sincrônico tudo quanto se relacione com o aspecto estático da nossa ciência, diacrônico tudo que diz respeito às evoluções. Do mesmo modo, sincronia e diacronia designarão respectivamente um estado de língua e uma fase de evolução”. Ou seja, a própria Linguística, ciência que estuda a linguagem, considera que as gírias são uma evolução que contribuem para a transformação da língua, e quem faz isso são os falantes, inseridos em diferentes grupos sociais. Fonte: Brasil escola. Umas e outras– Mais utilizado juntamente com beber ou tomar. Refere-se ao consumo de bebidas alcoólicas. Não fui para o trabalho porque tomei umas e outras. Não aguentei levantar. A casa caiu – É utilizado em várias situações, principalmente, onde tudo dá errado e não há nada que se possa fazer para se contornar o caos, quando uma mentira é descoberta. Em maus lençóis – significa que alguma coisa ruim está para acontecer com uma pessoa ou que já aconteceu, algo inesperado. Estou em maus lençóis, não sei mais o que fazer. Fazer tempestade em copo d’água – Essa expressão é utilizada para uma preocupação ou reação exagerada e que, na verdade, não são tão graves. Não metafóricamente, se imaginarmos uma tempestade ocorrendo em um copo d’agua. Presente de grego – É o recebimento de algum presente ou dádiva que traz prejuízo ou não acontece beneficamente, como era para ser. Surgiu a partir da famosa Guerra de Tróia. Meter o nariz onde não é chamado – Utilizado para uma pessoa que está fazendo algo, tentando escutar algo, presenciar ou falando algo que não deveria. Se duas pessoas estão conversando sobre algo que ninguém deve saber. Estar com a corda no pescoço – Utilizada para designar alguém que está pressionado, com problemas financeiros ou algo muito ruim está acontecendo com essa pessoa. Essa expressão é utilizada como referência a um enforcamento. Ideia de jerico – Má ideia. Ideia tola. Na Região Nordeste do Brasil, jerico é o mesmo que mula. Ou seja, seria o mesmo que ideia de burro, de mula. Tapar o sol com a peneira – Tentar ocultar algo com medidas temporárias, parcialmente eficientes ou ineficientes. Essa expressão vem do fato de que tentar tapar o sol com a peneira é ineficiente. Dar uma de João sem braço – pessoa que se faz de desentendida, que se faz passar por boba. Refere a pessoa que fingi não entender o que esta acontecendo para tirar vantagem da situação para o próprio bem. Pagar o pato – Significa fazer o papel de tolo, pagando por aquilo que não deve. A expressão é proveniente de um jogo que era praticado em Portugal. Fazer media – Agradar, recompensar. Ato de querer agradar em prol de algum interesse. Faz uma média com ela, dá um bom presente de dia dos namorados. Abrir o jogo – contar a verdade. Baixar a bola – acalmar. Arregaçar as mangas – dar início a um trabalho. Paty ou patricinha – rica, bem-vestida, mulher fresca. Baranga, tribufu – mulher feia. Playboy ou mauricinho – garoto rico ou que quer aparentar que é. Bater na mesma tecla – insistir. Bater boca – brigar, discutir. Com a faca e o queijo na mão – com tudo para resolver um problema. Dar com a língua nos dentes – fofocar, contar um segredo. Fazer vista grossa – fingir que não viu algo importante, negligenciar. Mudar da água para o vinho – mudar radicalmente para melhor ou pior. É importante estudar a gíria e seu efeito em relação aos valores sociais, pois é um meio de se entender o mundo atual e a repercussão que os canais de comunicação detêm. No entanto, sempre estabelecendo os limites e os motivos pelos quais tal fenômeno é usado. Pois há muitos que o utilizam desordenadamente. E, outras dezenas de gírias que usamos no cotidiano, e muitas vezes não percebemos que se trata de gíria, fazemos delas parte de nosso vocabulário, mas com certeza será penalizado se usar em textos nos concursos ou vestibulares. Os níveis de linguagem dizem respeito ao uso da fala e escrita em uma determinada situação comunicativa. O emissor e o receptor devem estar em concordância para que haja entendimento. Assim sendo, cada ocasião exige uma linguagem diferente.

(André Júnior, membro UBE União Brasileira de Escritores-GO – escritorliterario@yahoo.com.br)

In Diário da Manhã
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