Fãs de Roberto Carlos disputam espaço para ganhar uma flor do 'Rei'
Rodrigo Ortega Pagar cerca de R$ 10 para ouvir quatro ou cinco faixas de um artista, seja por download ou em álbum físico, deve ser opção oferecida muitas vezes ao consumidor de música no Brasil neste ano. Puxado pelo enorme sucesso de "Esse cara sou eu", EP com a faixa homônima e mais três músicas de Roberto Carlos - 2 milhões de cópias vendidas até o fim de 2012 -, o formato deve crescer no mercado brasileiro, dizem o empresário de Roberto Carlos, Dody Sirena, e o diretor geral da gravadora Som Livre, Marcelo Soares, em entrevistas ao G1. A sigla EP vem do inglês "extended play", usada para um disco longo demais para ser um single, geralmente com duas faixas, e curto demais para ser um LP, ou "long play", de cerca de doze músicas. Não será surpresa se o próximo hit do "rei" vier novamente encartado em um EP. "Tudo que é sucesso fica como uma saída, uma opção", diz Dody. "Pessoalmente, sou a favor de projetos especiais e músicas inéditas, não mais concentrar em um único produto de 12 ou 14 faixas", opina o empresário. "Foi uma jogada genial de fazer esse lançamento com o Roberto Carlos", elogia Marcelo Soares, diretor da Som Livre. "É um artista cultuado por todas classes que não lançava uma música inédita há muito tempo", completa. Ele quer investir no formato também na Som Livre para 2013. "Durante o primeiro semestre, têm alguns lançamentos previstos em EP digital e físico", diz, sem revelar nomes ainda. Em 2012, a Som Livre lançou EPs do cantor capixaba Silva e da carioca Clarice Falcão. O consumo digital de faixas separadamente é hábito consolidado no mercado mundial na última década. A particularidade do mercado brasileiro atual pode ser a combinação disso com o consumo também físico, embalando as novas faixas em um pacote "caprichado" de EP. "Esse passo que a gente percebeu no segundo semestre do ano passado é um passo para trás e para frente ao mesmo tempo, curiosamente. Ao mesmo tempo leva de volta para o mercado físico, com o EP nas lojas, e incentiva o consumo digital", diz Marcelo. "No formato físico o EP se torna um produto um pouco mais interessante [do que apenas uma faixa], mais viável economicamente. Você precisa vender por um mínimo que não pode ficar abaixo de 10 reais. Na conta do consumidor, isso vale entre 4 ou 5 músicas. É uma quantidade de músicas que ele consegue absorver hoje", explica o diretor da Som Livre. Dody Sirena diz que, com o EP, é possível trabalhar cada lançamento com um padrão de qualidade maior. "O Roberto trata cada lançamento dele com o mesmo nível de exigência que uma Madonna, um Paul McCartney. Só que esses artistas demoram de três a cinco anos para lançar um disco cheio, e aí saem em turnê. Não é a realidade brasileira. Aqui, um artista não pode ficar dois anos fora do mercado". Segundo ele, seria possível lançar faixas separadas com mais frequência, como os "compactos" do próprio Roberto nos anos 60, e investir esporadicamente em discos cheios para colecionadores. O consumo dos EPs por download não deixa de ser um objetivo importante. De 2 milhões de cópias vendidas até o fim de 2012, 500 mil foram virtuais. "Numa primeira leitura, equivocada, podia se imaginar que o público do Roberto não é grande 'navegador da internet', o que os números contrariam. Nos últimos shows dele, mais de 30% do público tinha abaixo de 30 anos", contabiliza Dody. "A margem de lucro do EP é bem menor. Mas é mais vantajoso financeiramente, sem dúvida. O que compensa é o volume. O EP vale a pena vendendo em quantidade. Vendendo 1 milhão, a margem de lucro é equivalente a 200 mil de um CD normal.Se você acredita no produto, e vai chegar a um preço acessível, é uma escolha altamente positiva", avalia o empresário de Roberto.
Do G1, em São Paulo10/01/2013
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Rodrigo Ortega
Pagar cerca de R$ 10 para ouvir quatro ou cinco faixas de um artista, seja por download ou em álbum físico, deve ser opção oferecida muitas vezes ao consumidor de música no Brasil neste ano. Puxado pelo enorme sucesso de "Esse cara sou eu", EP com a faixa homônima e mais três músicas de Roberto Carlos - 2 milhões de cópias vendidas até o fim de 2012 -, o formato deve crescer no mercado brasileiro, dizem o empresário de Roberto Carlos, Dody Sirena, e o diretor geral da gravadora Som Livre, Marcelo Soares, em entrevistas ao G1.
A sigla EP vem do inglês "extended play", usada para um disco longo demais para ser um single, geralmente com duas faixas, e curto demais para ser um LP, ou "long play", de cerca de doze músicas.
Não será surpresa se o próximo hit do "rei" vier novamente encartado em um EP. "Tudo que é sucesso fica como uma saída, uma opção", diz Dody. "Pessoalmente, sou a favor de projetos especiais e músicas inéditas, não mais concentrar em um único produto de 12 ou 14 faixas", opina o empresário.
"Foi uma jogada genial de fazer esse lançamento com o Roberto Carlos", elogia Marcelo Soares, diretor da Som Livre. "É um artista cultuado por todas classes que não lançava uma música inédita há muito tempo", completa. Ele quer investir no formato também na Som Livre para 2013. "Durante o primeiro semestre, têm alguns lançamentos previstos em EP digital e físico", diz, sem revelar nomes ainda. Em 2012, a Som Livre lançou EPs do cantor capixaba Silva e da carioca Clarice Falcão.
O consumo digital de faixas separadamente é hábito consolidado no mercado mundial na última década. A particularidade do mercado brasileiro atual pode ser a combinação disso com o consumo também físico, embalando as novas faixas em um pacote "caprichado" de EP.
"Esse passo que a gente percebeu no segundo semestre do ano passado é um passo para trás e para frente ao mesmo tempo, curiosamente. Ao mesmo tempo leva de volta para o mercado físico, com o EP nas lojas, e incentiva o consumo digital", diz Marcelo.
"No formato físico o EP se torna um produto um pouco mais interessante [do que apenas uma faixa], mais viável economicamente. Você precisa vender por um mínimo que não pode ficar abaixo de 10 reais. Na conta do consumidor, isso vale entre 4 ou 5 músicas. É uma quantidade de músicas que ele consegue absorver hoje", explica o diretor da Som Livre.
Dody Sirena diz que, com o EP, é possível trabalhar cada lançamento com um padrão de qualidade maior. "O Roberto trata cada lançamento dele com o mesmo nível de exigência que uma Madonna, um Paul McCartney. Só que esses artistas demoram de três a cinco anos para lançar um disco cheio, e aí saem em turnê. Não é a realidade brasileira. Aqui, um artista não pode ficar dois anos fora do mercado". Segundo ele, seria possível lançar faixas separadas com mais frequência, como os "compactos" do próprio Roberto nos anos 60, e investir esporadicamente em discos cheios para colecionadores.
O consumo dos EPs por download não deixa de ser um objetivo importante. De 2 milhões de cópias vendidas até o fim de 2012, 500 mil foram virtuais. "Numa primeira leitura, equivocada, podia se imaginar que o público do Roberto não é grande 'navegador da internet', o que os números contrariam. Nos últimos shows dele, mais de 30% do público tinha abaixo de 30 anos", contabiliza Dody.
"A margem de lucro do EP é bem menor. Mas é mais vantajoso financeiramente, sem dúvida. O que compensa é o volume. O EP vale a pena vendendo em quantidade. Vendendo 1 milhão, a margem de lucro é equivalente a 200 mil de um CD normal.Se você acredita no produto, e vai chegar a um preço acessível, é uma escolha altamente positiva", avalia o empresário de Roberto.
Do G1, em São Paulo10/01/2013
Redatora do luso-brasileiro Portal Splish Splash. VER PERFIL
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