A CIDADE DE NITERÓI - (Publicado em abril de 2011 no Portal Splish Splash)
Para um terceirense/lisboeta, nascido e criado no centro de uma cidade antiga e pacata, de ruas estreitas, casario antigo, com tendas de sapateiro, barbeiro, marceneiros e latoeiros em vários sítios da velha cidade de Angra do Heroísmo,onde se via, “vizinhas a
solicitar a outras”, por empréstimo, um “raminho de sal¬¬¬sa ou uma
ce¬bola” – quando, hoje, nos grandes centros, e nos prédios existentes,
com diversos apartamentos, os inúmeros moradores, pouco se conhecem e
convivem entre si – passar a viver num universo fantástico de
construções modernas, avenidas, ruas largas e espaços verdes, é
asilar-se da sua substância. Na periferia das antigas cidades foram
construídos blocos modernos de apartamentos, onde, embora bem acabados,
só há solidões, vazios, silêncios sepulcrais, ventanias enregelantes,
“autênticos dormitórios”, contrariando a tradicional forma de viver das
velhas cidades como, por exemplo, Angra do Heroísmo, onde me nasceram os
dentes, sentindo, por isso, estar fora de mim. Apesar de se contemplar o
mar, não é a cidade conhecida universalmente. Mas era uma cidade (ao
menos para mim), com ruas, com lojas, cafés, tascos, quiosques. Passeios
com gentes a cruzar-se, saudar-se e conversar. Aromas, cheiros e ruídos
das lojas. Falares e vozeares na partilha dos espaços comuns. Homens de
profissões típicas, cauteleiros, vendedores ambulantes e até penduras.
Pedintes existem em minoria. Uma cidade são varandas com flores,
granitos lavados, anúncios, letreiros, cartazes, trânsito. Tudo isso
existe. Como diria o poeta, “tudo isto existe, tudo isto é fado”. Falo
apenas por conhecimento de outras cidades próximas desta onde me
encontro neste Brasil, uma vez que tive a sorte de passar a viver numa
cidade moderna, é certo, mas com todos os condimentos desejados – virada
para o mar – grande, florida (Icaraí, exemplo), moderna, populosa, com
jardins, praças bem traçadas, redes de autocarros para diversos sítios,
embora sem metrô. Centro Comercial (Plaza) e diversos Hipermercados.
Inúmeras pessoas a circularem nas ruas durante todas as horas do dia.
Comércio florescente e volumoso. Niterói é, na verdade, uma cidade onde
vale a pena viver. Por ser grande, possui na sua periferia vários dos já
falados “espaços fantasmas”. E, na escala do Brasil, consta que é a
quarta colocada em termos de qualidade de vida.
Nota final – Nos meus contactos com pessoas amigas, sempre fui descobrindo que também em Niterói temos muitos fãs do Rei Roberto Carlos. E outra coisa não era de esperar. Em cada cidade brasileira – e não só – se espalha o perfume do nosso King.
NOTA ACRESCENTADA - De novo, voltei para o centro de Niterói. É a “terra prometida”, difícil sair daqui. Um retorno que eu próprio saudei com um tinto bem português. Centro de Niterói, cá estou eu.
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