Às quintas-feiras






Por: Carlos Alberto Alves
jornalistaalves@hotmail.com

Era homem duro, mas equilibrado

Alguns posts colocados no facebook pelo João Manuel Machado e relacionados com algum historial da Escola Comercial e Industrial de Angra do Heroísmo (vulgo “escola Madeira Pinto”), trazem-me à memória o meu tempo de estudante naquele estabelecimento de ensino onde fiz algumas amizades que ainda hoje perduram, uns no rol dos vivos e outros no “outro lado da vida” que jamais serão esquecidos, entre eles, e nomeadamente, Horácio Teixeira de Medeiros e João Alberto da Rocha Veríssimo, para apenas falar destes. E no rol dos vivos, para gáudio de todos aqueles que com ele conviveram naquele tempo, o Joaquim Maria da Costa, conhecido no burgo angrense pelo “Costa das Baterias”.

Do Orfanato João Batista Machado, que funcionava no Largo dos Remédios, freguesia do Corpo Santo (hoje transformado num complexo de secretarias do governo açoriano), muitos foram aqueles que passaram pela ECIAH, nesse caso os mais antigos, ou seja, aqueles que já tinham mais de 15 anos de idade. Ora, o Orfanato João Batista Machado estava quase sempre lotado de jovens desprotegidos e, curiosamente, entre a maioria existia a paixão pelo futebol e que ficou mais acentuada com a passagem do professor Alberto Lemos por aquela instituição, formando equipas entre os alunos das terceira e quarta classes.

Para quem comandava aquela rapaziada não era tarefa fácil, mas sempre constatamos o respeito que havia pelo senhor Alvarino, um homem duro, mas equilibrado nos momentos em que agia com mais dureza. E lembro-me de uma briga no pátio quando, na hora do almoço, jogávamos uma partida de futebol englobada no nosso campeonato interno. Uma briga entre dois alunos da Escola Comercial e Industrial de Angra do Heroísmo, concretamente o João Carlos Costa e o Osvaldo. Uma briga acesa e que só terminou com a enérgica intervenção do senhor Alvarino. Depois ambos foram castigados no que concerne às saídas no final de semana. Quanto aos dois brigões, o Osvaldo foi jogador do Sport Club Angrense e o João Carlos Costa, depois de regressar à sua terra natal (São Miguel), representou o Clube União Micaelense, transferindo-se mais tarde para o Atlético Clube de Portugal e, posteriormente, serviu o União de Tomar e Estoril Praia. Mais tarde, rumou para o Canadá, tal como seu irmão, Virgínio Costa, antigo jogador do Santa Clara e que foi alcunhado por “Martelo”.

Mais um caso curioso: todos os alunos da quarta classe, transferidos da escola do Corpo Santo, tinham um grande respeito pelo senhor Alvarino. Aliás, também a relação do senhor Alvarino com o professor Alberto Lemos foi bastante cordial. Entendiam-se perfeitamente.
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