Publicado no jornal A União em 22 de Agosto de 2012
Saldanha? Não vou falar do ex-árbitro internacional António Saldanha Ribeiro que, após a sua presença no Mundial do México (1970), esteve comigo um dia na ilha Terceira, acompanhado da esposa e do filho. Falarei sim de outro Saldanha que causou muitos calafrios. Lá chegarei.
A ideia de escrever este artigo partiu de algumas fotos que vi da ilha da Madeira e colocadas no facebook. Recordei as minhas passagens (não foram poucas) pela Pérola do Atlântico, acompanhando equipas terceirenses (Lusitânia e Angrense, nomeadamente), Jogos Juvenis Insulares e Jogos do Atlântico. Do futebol, um jogo em que Lusitânia perdeu com o Nacional por 1-0 (na época do Orlando Ramin) e que tive, no final do jogo, que falar com o árbitro, por ser meu amigo (só digo que é do Barreiro), para passar o amarelo que contemplou Teves (seria o terceiro) para outro colega, cabendo a “sorte” ao José dos Reis. Ó “Zé cavalinho” ainda te lembras desta?
Nestas viagens existia um protocolo com o Marítimo para facultar um dos seus autocarros para o serviço aeroporto-Funchal-aeroporto e ainda para a deslocação ao local onde o jogo se realizava. Nessa altura, o Clube Sport Marítimo tinha ao seu dispor um motorista de nome Saldanha e que, na verdade, causava muitos calafrios aos seus transportados, na exata medida em que conversava muito olhando para a retaguarda e nós vendo ali aquelas ravinas que ainda assustavam mais. Numa dessas viagens, o Saldanha (amigo? Puxa...) repetiu as mesmas cenas e, a dada altura, eu que ia à frente na companhia do falecido Valdemar Bretão, tive que intervir chamando a atenção do Saldanha de que não tinha a vida no seguro, isto perante as gargalhadas e aplausos da malta lusitanista. O Valdemar Bretão esse ficou encavacado com a minha ousadia, mas não me contive. Ele conversando daquela maneira e passando aquelas enormes ravinas pelo lado esquerdo, era mesmo de arrepiar. E durante a estadia não se falava em outra coisa: o maluco do Saldanha.
Numa deslocação posterior, de novo coube-nos o Saldanha. Quem manda, manda, e ele era funcionário do Marítimo. Contudo, quando entrei no autocarro dei-lhe um aperto de mão e sempre fui alertando o motorista do CSM: amigo, desta vez vou anotar no meu bloco as vezes que você conduzindo olha para trás conversando. O Saldanha não esperava esta minha reação e manda a verdade dizer que a história de registar no bloco pegou. Ele manteve-se toda a viagem calado e nunca olhou para a retaguarda do autocarro. Apenas para o lado onde eu me encontrava. No final, disse-lhe: parabéns, Saldanha, foi ótimo o seu comportamento, merece beber uma Coral comigo, mas fica para a próxima viagem. Só que na viagem seguinte, volvidos alguns meses, coube-nos outro motorista, este com verdadeiro sentido de responsabilidade.
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