No dia 29 de fevereiro, em Divinópolis, na FIEMG Regional centro-Oeste, a Confraria Cultural Brasil – Portugal, da qual me orgulho pertencer na qualidade de membro efetivo, homenageou Dom Bertrand de Orléans e Bragança que se fez acompanhar por uma comitiva composta por vinte pessoas.
Dom Bertrand, para além de todo o carinho que é timbre do povo mineiro, foi presenteado com uma cesta de livros de autores divinopolitanos e produtos de Minas Gerais, tai como amêndoas e licor, não faltando, claro, os símbolos da Confraria Cultural Brasil-Portugal – a rosca-rei (receita portuguesa) e licor.
Perante uma plateia que se manifestou altamente reconhecida pela presença de tão ilustre figura, a Doutora Maria de Fátima Quadros, dinâmica e competente presidente da Confraria Cultural Brasil – Portugal, também presenteou os convidados e público presente com um discurso de todo bem elaborado e que passamos a transcrever:
“Vossa Alteza Imperial e Real, Príncipe Dom Bertrand de Orléans e Bragança, Autoridades presentes, senhoras e senhores:
É uma honra receber Vossa Alteza Imperial e Real, Príncipe Dom Bertrand de Orléans e Bragança, sucessor dinástico de D. Pedro II, num momento festivo em que Divinópolis comemora seu centenário de emancipação.
Os sentimentos que hoje nos abarcam em torno desta graciosa comemoração, torna-se sublime com a presença de um membro da Família Imperial a Minas Gerais, à nossa querida Divinópolis!
É a primeira vez que a cidade recebe a visita de um componente da Casa Real Dinátisca e isto é um feito histórico que deve ser lembrado por júbilo por todos divinopolitanos e região centro oeste de Minas Gerais. Bravo! Com aplausos acolhemos o nosso Príncipe! É a história de encontro a nós.
Neste momento histórico, nos visita a alma, a grata recordação: DOM LUIZ DE ORLÉANS E BRAGANÇA, homenageado na Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais pela poetisa e trovadora, Ana Ataíde, que num discurso empolgado iniciou sua saudação ao ilustre homenageado “Quando nossa Senhora quis mostrar seu rosto ao mundo, mostrou em terras portuguesas!” Hoje feliz, imensamente honrada, esta que traz em suas veias o sangue açoriano, roga ao Divino Espírito Santo, patrono das ilhas e cá em Divinópolis, terra do Divino, que os frutos desta visita sejam abundantes, que o nosso São João de Deus possa abençoá-lo nesta viagem em terras das Gerais.
Dom Bertrand, falo em nome da Confraria Cultural Brasil-Portugal, mas farei jus nomes e atuação de pessoas que nos aproximam fraternamente, lembrando aqui, da amizade de Bernardo Pinheiro Correia de Melo, primeiro Conde de Arnoso – “O Conde da Lápide”, filho de uma parenta nossa Senhora Dona Eulália Estelita de Freitas Rangel de Quadros, Fidalgo da Casa Real, entre outros, escritor, que divulgamos, cá do outro lado do Atlântico, amigo e secretário particular de sua Majestade El Rei Senhor Dom Carlos I de Portugal. O seu nome ficou na história portuguesa como um exemplo de caráter e fidelidade. Acompanhou Dom Carlos I a Pequim em 1887, e na Inglaterra, por ocasião do falecimento da rainha Vitória. Assistiu às cerimônias da Coroação do rei Eduardo VII, acompanhando sua Alteza, o príncipe Senhor Dom Luís Filipe. Também fez parte da comitiva real na viagem que suas Majestades realizaram em julho de 1901 às ilhas dos Açores e Madeira.
Não poderia deixar, no silêncio, a importância da transferência da Corte para o Brasil em 1808, o Império com Dom Pedro I, Dom Pedro II e as três Regências com a Princesa Isabel. A vinda da Família Real mudou positivamente o rumo da história das nossas nações.
“Dom João VI construiu a identidade do Brasil e garantiu a unidade da Nação, tornando-a para sempre uma herança do heróico povo luso, sabiamente orientado por “aqueles Reis que foram dilatando a Fé e o Império”, como registrou Camões no seu imortal poema”.
É raro privilégio relembrar a história de todos que construíram o Brasil, voltamos ao vitorioso e alegre desembarque da Família Real ao Brasil, hoje, passados mais de 200 anos, à visão que temos mostra o brilho maior do espírito luso com o único país gigante e unitário da América Latina, falando a mesma língua, movido pelos mesmos impulsos. A visão centralizada e firme da monarquia brasileira teve a marca portuguesa, no alinhamento de D. Pedro I. Ainda, foi dele a preocupação de criar os cursos jurídicos em São Paulo, Olinda, que mais tarde ocupariam o decanato de duas universidades brasileiras.
Independentemente das circunstâncias que marcaram a vinda da família real para o Brasil, verdade é que o espírito português terminou produzindo efeitos mais importantes e mais duradouros que espanhóis, holandeses e outros nas Américas.
Passados mais de 200 anos, repito, percebe-se que só Portugal alcançou êxito tão grande em sua política de colonização na América. Estendeu nossas fronteiras até os Andes. Transmitiu-nos seu idioma. O Brasil continental nasceu com os Portugueses.
Dom Pedro II e sua filha, a Princesa Isabel, dois apaixonados pela Cultura e pela Educação. Há inclusive uma passagem que nos dá conta do encontro da Princesa em Paris com Dom Bosco propondo-lhe enviar Salesianos para criar colônias agrícolas e educacionais no Brasil.
E Dom Bertrand de Orleans e Bragança, dispensa apresentações. Ele é simplesmente o bisneto da Princesa Isabel!
“E para celebrar os 200 anos de algo tão importante que foi a vinda da família real para o Brasil, o reinado de D. João VI em terras brasileiras e os benefícios extraordinários que este nos trouxe, celebramos com a criação neste ano histórico, a Confraria Cultural Brasil-Portugal, uma instituição sem fins lucrativos. Composta de membros efetivos e vitalícios, fundadores ou eleitos, brasileiros e português, ou pessoas de países de língua portuguesa e ainda nossos amigos de língua espanhola, com objetivos afins. Ultrapassamos os mares, produzimos frutos, incentivados, estimulados pelo poeta: “Uma língua é o lugar donde se vê o Mundo e em que se traçam os limites do nosso pensar e sentir. Da minha língua vê-se o mar”.
E nossa Confraria tem-se expandido com o crescente reconhecimento pela sociedade face à importância de seu objetivo nas atividades exercidas. Porém, há a necessidade de realizar os projetos de vida devido à contemporaneidade da explosão em questão, a exemplo de tanta gente portuguesa que veio para o Brasil. Não se limitaram a cuidar do seu trabalho e dos negócios, a constituir famílias, a lutar pela sobrevivência, eles também realizaram obras importantes e valiosas, criaram o Real Gabinete Português de Leitura, No Rio de Janeiro, expandindo-se depois, com Beneficências, Liceus, Grêmios e Associações de todos os segmentos, formando do Amazonas ao Rio Grande do Sul uma rede associativa de várias vertentes – a assistência social, o ensino, a cultura, o desporto, as tradições. Em Divinópolis não podemos nos esquecer do belo trabalho realizado pela Ordem Hospitaleira São João de Deus, mediante o aproveitamento da experiência que estamos adquirindo.
Estudamos genealogia e repassamos conhecimentos, reativamos e viabilizamos cultura, história, linhagem, usos e costumes. Pois, acreditamos que o Atlântico é o Portal ligando duas faces dessa “pátria espiritual que é a língua portuguesa”. Geneticamente chegamos ao Brasil há cinco séculos. Uns dos Açores, da Madeira, estão em São José dos Salgados, outros do continente, estão em Divinópolis... Aqui chegamos vindos do Porto, para o Rio de Janeiro... E Portugal em nossa saudade, em nossa vontade de manter viva nossa tradição, transformou-se em Confraria Cultural Brasil-Portugal.
Termino, trazendo de nossas confreiras e confrades, dos quais foram comunicados da vinda de Sua Alteza em Divinópolis, recomendações. Estas portadas de várias partes do Brasil, da Academia Luso Brasileira de Letras, do Rio de Janeiro e de nossos correspondentes residentes em Portugal, Canadá, Estados Unidos, África, Suíça... de todos aqueles que estão do outro lado do Atlântico.
Neste momento com alma e histórias para viver e navegar - irei fazer a leitura dramática do poema Portugal Cartão Postal do Mundo – Cá um bocadinho de saudade, depois ofertaremos ao nosso ilustre visitante, das mãos da confreira Angela Guimarães Goulart, ao mesmo tempo em que recordamos com saudades aquela bela frase “Aqui nasceu Portugal” – Guimarães, uma cesta com as delicias saboreadas em nossa confraria... simbolizando todo carinho, alegria e agradecimentos pela presença luminosa de Vossa Alteza em Divinópolis; E o Padre Casimiro para entregar-lhe o diploma de Membro Honorário da Confraria Cultural Brasil-Portugal, terminado com a fala da autora da lei municipal do dia da Confraria Cultural Brasil-Portugal, Confreira doutora Heloisa Cerri.
O poema da Doutora Maria de Fátima Quadros
Portugal cartão postal do mundo
Cá um “bocadinho” de saudades...
Portugal
linda terra
com cheiro de jasmim
gentil é teu povo
repleto de poesia e
muito de mim
De Pessoa “Nas ruas da feira... Na noite já cheia... De sombra entreaberta... A lua branqueia...”
Foto: Marlene Gandra
Fotocomposição: Portal Splish Splash
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