Quem-canta-quem?





Por: Carlos Alberto Alves



Por vezes, ouve-se e lê-se coisas do arca-da-velha, mas sempre temos que respeitar posições e ideologias. Concordar com elas já é bem diferente e eu nunca fui daqueles de me deixar levar na onda da demagogia ou coisa assim parecida.


Para ligar o fio à meada, e sem pretender constituir um paralelismo de igual quilate (o que também seria descabido da minha parte), em Agosto de 1966 (portanto completam-se agora 45 anos) a Associação Académica de Coimbra deslocou-se a Angola para realizar alguns jogos de índole particular, um deles no Distrito de Bié, concretamente na cidade de Silva Porto. Como era um jogo especial, todos os árbitros pretendiam ser nomeados para o dito particular entre a Briosa e a seleção do distrito. Gerou-se polémica, descontentamentos, enfim, o que já se previa em função do movimento criado. Votação foi coisa que o então presidente da comissão de árbitros, um senhor de nome Armindo (não tem nada a ver com o nosso do splish Splash) não aceitou e ele próprio, conjuntamente com os seus colegas do elenco, decidiu que seria o melhor árbitro do momento a ser chamado para o jogo em causa. Claro que eu, perante a minha nomeação, fiquei altamente satisfeito e lá estive no Estádio de Silva Porto ostentando o símbolo de melhor árbitro do ano.

Ora, vem isto a talho de foice em relação a uma questiúncula em torno de quem-canta-quem a marcha oficial da Copa do Mundo de 2014? Ora, um evento de tamanha envergadura que será disputado no país onde se encontra o maior cantor da América do Sul e uma das maiores referências do Brasil a par de Edson Arantes do Nascimento (vulgo Pelé), para quê andar-se com essa história de votar nos artistas que a Sony, patrocinadora oficial da FIFA, escolheu para o efeito. E o mais curioso de tudo isto é que Pelé, a convite da presidente do governo, foi nomeado figura de honra do Comité Organizador, óbvio pelo seu valor, pelo seu carisma. Então não seria mais lógico e racional que a Sony escolhesse Roberto Carlos Braga para cantar a marcha oficial da Copa do Mundo de 2014? Se ele é considerado o expoente máximo da América do Sul – e não só -, é porque esse valor foi conquistado ao longo de 50 anos de brilhante carreira. E aqui, meus amigos, podem dar as voltas que pretenderem para justificar outros meios, mas contra fatos não há argumentos. E Roberto Carlos por tudo aquilo que tem feito nos seus 50 anos (cinquenta anos, não são cinquenta dias, não são cinquenta semanas, não são cinquenta meses) de exemplar carreira, bem merecia ser respeitado pela entidade patrocinadora. Atente-se, como um dos mais recentes paradigmas, no que se passou no Carnaval de 2011, com o Rei a desfilar perante um sambódromo todo de pé, incluindo os próprios adversários da Beija-Flor de Nilópolis que apresentou como tema os 50 anos de carreira de Roberto Carlos. E a vitória conquistada corroborou que o Rei Roberto Carlos nunca será destituído do trono, ou seja, uma das maiores referências do povo brasileiro, que o venera pela sua simplicidade, pelo amor ao próximo e, claro está, pelo seu enorme valor como artista.

Os interesses da Sony não podem sobrepor-se a uma das mais brilhantes carreiras de um cantor que o mundo admira.
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