ROBERTOLOGIA EM DESTAQUE

5/30/2011

1º Concurso Literário de CONTOS E POESIAS


Armindo Guimarães em destaque na categoria de prosa



Por: Carlos Alberto Alves
Portal Splish Splash


A Confraria Cultural Brasil-Portugal, anunciou os resultados do I Concurso Internacional de Poesia - Prémio 'Fernanda de Castro 2011' e do I Concurso Internacional de Prosa - Prémio 'Machado de Assis 2011'. A Confraria fez questão de agradecer imensamente a todos os participantes das duas


modalidades dos concursos de Poesia e Prosa e igualmente agradecendo à Academia Salgadense de Artes e Letras – ASAL, em especial ao Presidente e à Secretária, Escritora e Poetisa, Sirlene Quadros Rezende Cazeca, que actuaram com presteza, ética e muita lisura, tanto na avaliação de cada texto como em terem mantido todo o sigilo necessário.

Quadro de vencedores...

Categoria: Poesia

1º HIPNOSE
Autor: Márcio Dison da Silva
Trindade – Florianópolis – Santa Catarina - Brasil

2º CORDEL ENCANTADO
Autor: Tiago Dias Oliveira
Lisboa - Portugal

3º NOVES FORA
André Luiz Alves Caldas Amóra
Rio de Janeiro - Brasil

Menção Honrosa:

CERIMONIAL NOCTURNO - Autor: Robson Leandro Soda - (Santa Cruz do Sul – Rio Grande do Sul – Brasil)
ULTIMATO – Autor: João Elias Antunes de Oliveira - (Goiânia – Goiás – Brasil)
DISTÂNCIA – Autor: Marcos Antônio Maués Vitelli – (Soure – Ilha de Marajó – Pará – Brasil).

Categoria: Prosa

1º O EMINENTE EDUCADOR
Autor: Ronyere Silva Lima
Teresina – Piauí - Brasil

2º UM CHEIRINHO A BRILHANTINA
Autor: Armindo Isolino Gonçalves Guimarães
Maia – Portugal

3º DESTINO
Autora: Maria de Fátima Dos Santos Parente Ferreira
Portuguesa/residente no Rio de Janeiro - Brasil

Menção Honrosa:

SILÊNCIO
Autor: Charles de Macedo Phelan – (Natal – Rio Grande do Norte – Brasil)

CARTA DE DESPEDIDA
Autor: Francisco Ferreira – (Betim – Minas Gerais – Brasil)

O QUE ACONTECEU?
Autor: José Vicente Neto – (Pratapólis – Minas Gerais – Brasil)


Congratulamo-nos com o prémio conseguido pelo administrador do Splish Splash, o nosso bom amigo Armindo Guimarães. Tínhamos a certeza, pelo que conhecemos da sua prosa, que alcançaria um lugar do pódio. E aqui já nos chegou o cheiro da brilhantina.

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Um cheirinho a brilhantina

Era de manhãzinha e o sol já batia forte e risonho.

Lá foi ele de sacola de pano ao ombro para o fim do mundo, a setenta quilómetros de casa. A mãe deixou-o na camioneta onde já estavam outros meninos e meninas. Alguém o fez ocupar um lugar, não à janela como ele tanto queria, mas ao lado de uma menina da sua idade e cujos cabelos deixavam no ar um cheirinho a brilhantina que lhe entrava pelas narinas adentro. Durante a viagem até ao fim do mundo, o menino e a menina pouco ou nada disseram, excepto quando faziam coro com os outros meninos, cantando:

“Senhor chauffeur, por favor, carregue mais no acelerador! E vinte e sete, e vinte e sete, e vinte e sete, bibó chauffeur da camionete!”.

Finalmente e para contentamento geral, a camioneta chegou ao fim do mundo e todos saíram dos seus lugares ansiosos por calcarem terra, qual Cabral pisando Terras de Vera Cruz e qual Armstrong pisando solo lunar.

Ele e a menina só se viram no dia seguinte, vestidos com as roupas das colónias de férias. Ele, com uma espécie de fato-macaco até aos joelhos, de tecido aos quadradinhos azuis e brancos. Ela, com um vestido também até aos joelhos, igualmente de tecido aos quadradinhos, não azuis mas vermelhos e brancos.

Era a hora do recreio e enquanto toda a meninada corria e gritava jogando à bola, andando de baloiço ou de escorrega, ele, a um canto, limitava-se a observar os outros brincando, quando, de repente, olha para o lado e viu que não estava só: a cinco metros estava a menina que com ele tinha viajado na camioneta. Olharam-se nos olhos e sorriram. Ela tirou da sua sacola 6 pedrinhas coloridas, 3 vermelhas e 3 azuis, convidando o menino para um jogo a dois. Ele sorriu de contente lembrando-se que era o melhor da sua rua naquele jogo.

Desde então, nos recreios, os dois meninos gostavam era de brincar às pedrinhas, sempre alheios às brincadeiras dos outros meninos correndo e gritando.

No dia em que deixaram o fim do mundo e a camioneta os levou de regresso a casa, o menino e a menina sentaram-se mais uma vez lado a lado, com a diferença que, desta vez, a menina disse para o menino: “Queres ir tu à janela?” e o menino de imediato respondeu: “Quero!”. Mas ainda hoje o menino se interroga para quê, pois durante toda a viagem só via era a menina.

Por vezes, uma breve brisa vinda da janela entreaberta levantava ao de leve os sedosos e delicados cabelos da menina, impregnando no ar à sua volta um familiar e delicado odor a brilhantina.

“Senhor chauffeur, por favor, carregue mais no acelerador! E vinte e sete, e vinte e sete, e vinte e sete, bibó chauffeur da camionete!”.

Por fim, a camioneta parou e todos se beijaram e abraçaram com a alegria da chegada.

“E vinte e sete, e vinte e sete, e vinte e sete, bibó chauffeur da camionete!”.

Contudo, a alegria da chegada foi para o menino e para a menina a tristeza da despedida. Não houve um beijo, não houve um abraço, não houve um adeus, mas apenas uma troca de olhares presenciada pelo mesmo sol que os viu partir e que os viu chegar.

Chegou a noite e com ela o cansaço. Nos braços de Morfeu dormiu o menino.

De manhã, ao despertar, o menino viu a seu lado a sacola de pano que a sua mãe havia despejado de toda a saudade nela guardada.

Junto à sacola, três pedrinhas vermelhas olhavam-no sorrindo e um cheirinho a brilhantina entrou no seu quarto.


9 comentários:

  1. Amigo Carlos Alberto, muito obrigado pelo seu artigo. Na verdade, ao enviar-me o artigo para publicação fiquei surpreendido pela notícia. Só depois é que vi que tinha uma mensagem da Confraria dando-me conhecimento do resultado.
    Como deve imaginar, nem estou em mim!
    :)
    Grande abraço

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  2. Armindo Guimarães, fiquei muito feliz de você ter obtido a classificação no I Concurso Internacional de Prosa da Confraria Cultural Brasil-Portugal com sede em Divinópolis, Estado de Minas Gerais, Brasil.

    Marlene Gandra
    Academia Divinopolitana de Letras

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  3. Armindo, Parabéns pela conquista!

    Esse seu conto que já conheço muito bem, é o melhor de todos que já escrevestes, pela sensibilidade, criatividade, pela história em si, que nos emociona.

    E se eu soubesse que estaria concorrendo eu já teria a certeza do êxito que iria alcançar, com esse teu conto que sempre emocionou-me e com a foto do Isolino veio apenas abrilhantar esse grande prêmio que recebestes merecidadamente.

    Cuidado com as pedrinhas, pra não jogar na lua lá do Elo Geográfico e perder-se no espaço infinito! Ehehehehe.

    Beijos e abraços!

    Mazé Silva

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  4. Ilustre e Eclético Amigo, Armindo!

    Somando-se o meus Parabéns com as Congratulações dos nobres amigos acima, entendo que ainda é muito pouco para esternarmos quão felizes ficamos com esta sua conquista.

    Vc merece!

    Méritos!

    E mérito é conquista!

    Abraços!

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  5. Olá Armindo

    Parabéns pelo prémio!
    Foi bom relembrar este texto lindo que tem um cheirinho a infância!
    Inesquecível também , esta canção do Carlos Paião!
    Além das felicitações ,só posso dizer que é um bom incentivo, para continuares a presentear-nos com os teus textos!
    Abraços
    Miriamdomar

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  6. Olá maninho!

    Parabéns pelo prêmio, esse conto é lindo, gosto muito dele. Por isso, e pela beleza dele, acho que merecia um 1º lugar.

    O vídeo do Carlos Paião também merece destaque.Muito linda a música. Ele já esteve por aqui...

    Carlos Alberto obrigada por nos trazer a notícia.
    Um abraço.

    Beijos maninho,
    Carmen Augusta

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  7. Olá, Amigos!
    Obrigado a todos pelos vossos simpáticos comentários que muito me sensibilizaram.
    Gostaria de dizer que salvo raras excepções toda a ficção que escrevo tem sempre algo de realidade. “Um cheirinho a brilhantina” é uma história toda ela verídica, excepto a parte final.
    Foi a primeira vez que apresentei um escrito meu a concurso e para isso era do regulamento apresentar o trabalho com pseudónimo. Usei o de Deolinda Gonçalves, o nome da minha mãe. Portanto, foi ela que ganhou o prémio.
    :)
    Abraço a todos!

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  8. Alba Maria Fraga Bittencourt14 de março de 2012 às 05:56

    Querido Armindo!

    Só hoje, passado quase um ano, é que tomei conhecimento dessa tua grande conquista e quero juntar-me as pessoas que te querem bem, para deixar aqui os meus parabéns.
    "Um cheirinho a brilhantina", que maravilha...que história linda....e saber que ela é verídica a torna ainda mais emocionante...
    Como em todos os textos que escreves ,eu fiz parte da história...pude viver cada detalhe...pude até sentir o cheirinho de brilhantina dos cabelos da menina....participei do jogo de pedrinhas...senti o cansaço do menino ao chegar em casa e a emoção, quando ao amanhecer, ver as três pedrinhas vermelhas e sentir o cheirinho de brilhantina no ar.
    Emocionou-me também em saber, que apresentaste o trabalho com o pseudónimo de Deolinda Gonçalves e vieste a conquistar o prêmio,foi uma linda homengem para a senhora tua Mãe.
    Parabéns ao meu Grande Escritor!
    Beijos
    Alba Maria

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  9. Alba Maria Fraga Bittencourt14 de março de 2012 às 06:00

    Querido Armindo!

    Quero também parabenizar pelo lindo vídeo com bela e singela canção, que deu um fechamento maravilhoso na história.
    Beijos
    Alba Maria

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