Música brasileira, poesia e memória marcam dois encontros especiais no Rio de Janeiro
Dois espetáculos integram a programação de aniversário da Acaso Cultural
A Acaso Cultural, espaço multidisciplinar instalado em um casarão centenário no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro, comemora seu primeiro aniversário com duas atrações especiais dedicadas à música brasileira. Nos dias 14 e 15 de novembro de 2026, a programação reúne uma roda de samba que celebra grandes compositores nacionais e uma aula-espetáculo dedicada à vida e à obra de Noel Rosa.
As apresentações aproximam música, poesia, memória e identidade cultural, proporcionando ao público duas experiências distintas, mas unidas pela valorização da riqueza da cultura brasileira.
Corações Brasileiros celebra a diversidade do samba
No sábado, 14 de novembro, às 18h, a Sala Acaso recebe o projeto Corações Brasileiros – Roda de Samba na Acaso, um encontro dedicado à diversidade e à força coletiva de um dos gêneros mais representativos da música brasileira.
A apresentação reverencia compositores fundamentais como Cartola, Dona Ivone Lara, Elton Medeiros e Tom Jobim, reunindo diferentes vertentes do samba, desde os clássicos consagrados até composições inéditas, sambas de terreiro e sambas-canção.
A proposta valoriza também a criação musical contemporânea, com arranjos originais e um repertório que percorre diferentes épocas e tradições, combinando respeito à memória do gênero e liberdade criativa.
O encontro reúne quatro artistas de trajetórias complementares: Tiago Machado, ao violão; Patrícia Duarte, na voz; Thiago Ferrare, no cavaquinho e na voz; e Diego Zangado, na percussão.
A apresentação terá dois sets musicais e um formato especialmente pensado para recuperar a atmosfera descontraída e participativa das tradicionais rodas de samba. Para isso, o espaço térreo da Sala Acaso ficará sem cadeiras, favorecendo a proximidade entre músicos e público. Outra novidade é a possibilidade de consumir bebidas e outros itens dentro da própria sala.
Noel Rosa: poesia, humor e genialidade em destaque
No domingo, 15 de novembro, às 18h30, será a vez de Noel Rosa: Poesia e Prosa, uma aula-espetáculo conduzida por Geraldo Carneiro, poeta e membro da Academia Brasileira de Letras, e Alfredo Del-Penho, cantor, compositor, violonista, ator e pesquisador da música brasileira.
O encontro propõe uma viagem pela vida e pela obra de Noel Rosa, compositor nascido em Vila Isabel, em 1910, e falecido em 1937, aos 26 anos. Apesar da trajetória breve, deixou uma contribuição decisiva para a história da música popular brasileira.
Com uma linguagem próxima da conversa cotidiana, Noel transformou o samba em uma forma inteligente e irreverente de retratar a sociedade carioca. Seus versos abordaram os amores, a boemia, as desigualdades, as relações sociais e as contradições humanas, sempre com uma combinação singular de humor, ironia e sofisticação poética.
Canções como Conversa de Botequim e O Gago Apaixonado demonstram a originalidade de um compositor que revolucionou a linguagem do samba e transformou cenas aparentemente banais do cotidiano em retratos musicais de grande valor literário.
Ao longo da apresentação, Geraldo Carneiro e Alfredo Del-Penho alternam músicas, histórias e comentários, revelando aspectos menos conhecidos da trajetória do compositor e mostrando por que sua obra permanece atual quase nove décadas depois de sua morte.
Os dois artistas já participaram de um espetáculo dedicado a Noel Rosa e retomam agora esse universo num formato que privilegia a proximidade com o público, aproximando literatura, música e memória cultural.
Dois artistas, diferentes trajetórias e um mesmo compromisso cultural
Geraldo Carneiro, eleito para a Academia Brasileira de Letras em 2016, é autor de nove livros de poesia, reunidos em Poesia Reunida, finalista do Prêmio Jabuti. Sua produção inclui ainda mais de duzentas canções compostas em parceria com nomes como Egberto Gismonti, Astor Piazzolla, Francis Hime, Wagner Tiso e Martinho da Vila. No audiovisual, escreveu centenas de roteiros e recebeu o Emmy Internacional em 2012 pela minissérie O Astro.
Alfredo Del-Penho desenvolveu uma carreira que transita entre a música, a composição, a pesquisa e o teatro. Com mais de dez discos lançados, indicação ao Grammy Latino e duas conquistas do Prêmio da Música Brasileira, recebeu também importantes distinções, entre elas os prêmios Shell, Cesgranrio, Bibi Ferreira, APTR e Reverência. É fundador e diretor musical da Barca dos Corações Partidos, companhia reconhecida pelo trabalho desenvolvido no teatro musical brasileiro.
Acaso Cultural: um ano de encontros e experiências artísticas
Instalada em um casarão centenário na Rua Vicente de Sousa, em Botafogo, a Acaso Cultural completa seu primeiro ano de atividades em novembro de 2026, consolidando-se como um espaço multidisciplinar dedicado à música, ao teatro, às artes visuais, à literatura, à educação e à convivência.
Durante esse período, a casa reuniu mais de 500 artistas e profissionais da cultura. Entre seus espaços de destaque está a Sala Acaso, reconhecida pela qualidade acústica e pelas condições de escuta oferecidas aos músicos e ao público.
O local também abriga salas para cursos e ensaios, galeria de arte, livraria, ambientes de convivência e o restaurante Nonô.
Com uma programação que inclui concertos, espetáculos teatrais, exposições, oficinas, debates, encontros literários e atividades formativas, a Acaso Cultural procura aproximar artistas e público por meio de diferentes manifestações culturais.
As duas apresentações de novembro reafirmam esse propósito: celebrar a música brasileira, preservar a memória de seus grandes criadores e proporcionar novas experiências de encontro com a arte.
A Acaso Cultural dispõe de rampas, elevador e banheiros acessíveis.
Os ingressos dão direito a descontos no restaurante Nonô e no estacionamento Estapar, localizado na Rua Muniz Barreto.
Há descontos exclusivos para membros do Clube O Globo.
Os lugares na Sala Acaso não são marcados.
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NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
A música brasileira é um património vivo, cuja riqueza se revela tanto na espontaneidade de uma roda de samba como na genialidade poética de compositores que marcaram gerações. Ao reunir duas propostas artísticas tão distintas, mas culturalmente complementares, a Acaso Cultural celebra não apenas o seu primeiro aniversário, mas também a importância de preservar, divulgar e reinventar a memória musical brasileira. Uma iniciativa que merece aplauso por aproximar artistas e público, valorizando a cultura como espaço de encontro, partilha e identidade.
Música brasileira, poesia e memória marcam dois encontros especiais no Rio de Janeiro
Corações Brasileiros celebra a diversidade do samba
Noel Rosa: poesia, humor e genialidade em destaque
Dois artistas, diferentes trajetórias e um mesmo compromisso cultural
Acaso Cultural: um ano de encontros e experiências artísticas
Redatora do luso-brasileiro Portal Splish Splash. VER PERFIL
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