Aos 77 anos, a pioneira do rock independente chega ao Brasil com uma história ligada ao Nirvana e ao grunge
O Dead Moon influenciou gerações do rock independente, do Mudhoney ao Pearl Jam
Toody Cole aprendeu a tocar baixo aos 30 anos e fundou, ao lado do marido, Fred Cole, uma das bandas mais influentes do rock independente norte-americano. Em 1992, recusou um convite para fazer uma digressão com o Nirvana, preferindo cumprir os concertos que já tinha assumido. Aos 77 anos, a cantora, baixista e cofundadora do Dead Moon apresenta-se no sábado, 31 de outubro de 2026, no Cine Joia, em São Paulo, na Dead Moon Night, com Toody Cole and Her Band. Será a sua primeira e única passagem pela América do Sul.
Organizada pela Associação Cultural Cecília, a noite inclui ainda atuações de Pink Opake, Thee Dirty Rats e Dente Canino, além de sessões de discotecagem.
O Dead Moon nasceu em 1987, em Portland, nos Estados Unidos, formado por Toody Cole, Fred Cole e o baterista Andrew Loomis. A banda tocava regularmente em Seattle antes da explosão do grunge. Toody recorda que elementos dos Nirvana e dos Soundgarden, ainda menores de idade, entravam às escondidas para assistir aos concertos. Os Mudhoney também faziam parte desse círculo musical.
Anos mais tarde, a influência do grupo chegaria a nomes como os White Stripes.
Os Pearl Jam são talvez o exemplo mais conhecido dessa herança. Em 2000, no primeiro concerto após a tragédia do festival de Roskilde, na Dinamarca, a banda de Eddie Vedder interpretou «It's O.K.», uma canção do Dead Moon que, ainda hoje, costuma surgir ao vivo ligada a «Daughter».
O jornal neozelandês NZ Herald resumiu esta história ao descrever o Dead Moon como a banda mais importante de que provavelmente nunca se ouviu falar.
A recusa do convite dos Nirvana, em 1992, diz muito sobre a personalidade e os princípios do casal. O Dead Moon já tinha confirmado uma digressão de 20 concertos pela Nova Zelândia quando recebeu o convite. Fred Cole seguia uma regra inabalável: nunca cancelar um concerto previamente assumido para aceitar outro de maior dimensão.
Depois de integrar bandas como os Rats, pertencentes à primeira geração punk de Portland, Toody Cole encontrou no Dead Moon um dos projetos mais marcantes da sua carreira.
O grupo atravessou diferentes territórios musicais, do garage rock ao punk, passando pelo rock'n'roll primitivo e pelo country. A estética lo-fi nunca foi apenas um acabamento sonoro: fazia parte de uma abordagem musical direta, sem artifícios nem concessões.
A música do Dead Moon distinguia-se pela urgência, pela simplicidade das melodias e por uma sonoridade crua. As letras abordavam a vida quotidiana, as tensões, a perda, o desenraizamento e a sobrevivência. A voz de Toody, aliada às linhas de baixo incisivas e à guitarra intensa de Fred, tornou-se uma das marcas distintivas do grupo.
Em 2004, a história da banda chegou ao cinema com o documentário Unknown Passage: The Dead Moon Story, que retrata o percurso e o legado deste projeto fundamental do rock independente.
Toody Cole and Her Band surgiu em 2023, com Kelly Halliburton na bateria e Christopher March, músico da banda Jenny Don't & The Spurs, na guitarra.
O repertório percorre diferentes fases da carreira de Toody Cole, recuperando canções dos Rats, do Dead Moon e dos Pierced Arrows. O concerto em São Paulo representa, assim, uma oportunidade de revisitar décadas de música independente através de uma das suas protagonistas.
Classificação etária: 18 anos. Menores de 18 anos só podem entrar mediante autorização do responsável legal, com assinatura reconhecida em cartório.
Organização: Associação Cultural Cecília
Apoio: Cine Joia e Porta [separador]
NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
O percurso de Toody Cole e do Dead Moon recorda-nos que a influência de uma banda não se mede apenas pelas vendas de discos ou pela dimensão dos palcos. Com uma atitude independente, uma sonoridade crua e uma ética de trabalho inabalável, o grupo ajudou a abrir caminho a gerações posteriores do rock alternativo. A recusa de uma digressão com os Nirvana, para honrar compromissos assumidos, é também um retrato de integridade artística. A atuação de Toody Cole em São Paulo celebra não apenas uma carreira, mas um legado que continua a atravessar gerações
Aos 77 anos, a pioneira do rock independente chega ao Brasil com uma história ligada ao Nirvana e ao grunge
Redatora do luso-brasileiro Portal Splish Splash. VER PERFIL
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