Wilson Guilherme leva o solo Soturno ao circo em São Paulo

Wilson Guilherme apresenta Soturno, solo de circo contemporâneo sobre ausência, desejo e masculinidades, com entrada gratuita em São Paulo.
 
Wilson Guilherme em palco no espetáculo Soturno, solo de circo contemporâneo do Projeto NZILA.

Espetáculo gratuito explora ausência, desejo e masculinidades através do circo contemporâneo


Wilson Guilherme transforma experiências pessoais numa investigação artística sobre identidade e pertencimento

O artista circense Wilson Guilherme apresenta “Soturno”, o seu primeiro solo autoral, numa temporada por espaços culturais de São Paulo, entre outubro e novembro. A criação integra o Projeto NZILA, contemplado pela 10.ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Circo para a cidade de São Paulo, da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa e da Prefeitura de São Paulo.

Entre as próximas apresentações, o espetáculo chega ao Mundo do Circo nos dias 31 de outubro e 1 de novembro, às 15h30, com intérprete de Libras. A temporada termina a 4 de novembro, às 19h30, no Circo Caju. Todas as sessões anunciadas têm entrada gratuita.

Um corpo entre a ausência, o desejo e a intimidade  


“Soturno” nasce de uma sensação de falta, uma ausência difícil de nomear, que se manifesta no corpo como um buraco, uma lacuna. A partir desse estado, Wilson Guilherme desenvolve uma investigação artística sobre pertencimento, desejo, intimidade e masculinidades, colocando em cena os comportamentos e as expectativas sociais associados a um corpo negro masculino.

Partindo da linguagem circense, o artista procura outras formas de ocupar a cena. Em diálogo com a dança e a música, utiliza aparelhos circenses não convencionais, que são ressignificados ao longo da performance e estabelecem uma relação direta com o corpo e a dramaturgia.

O resultado é um solo de 30 minutos que alterna delicadeza e dureza, encanto e estranhamento, presença e ausência.

Experiências pessoais transformadas em linguagem artística  


A vivência de Wilson Guilherme como pessoa preta e gay na periferia de São Paulo atravessa a obra e orienta o olhar para os mecanismos de proteção desenvolvidos perante as expectativas impostas a determinados corpos.

“Soturno” investiga o que acontece quando esse corpo encontra espaço para experimentar a vulnerabilidade, o desejo e a intimidade. Em vez de apresentar respostas definitivas, a criação propõe perguntas sobre as faltas que atravessam uma vida e sobre aquilo que pode surgir a partir delas.

Primeiro solo autoral do artista, o espetáculo inaugura uma nova etapa da sua trajetória. A montagem recupera questões presentes em trabalhos anteriores e aprofunda-as a partir de uma perspetiva mais pessoal.

A direção geral é de Ronaldo Aguiar, a direção musical de Melvin Santana e a direção de movimento de Verônica Santos. A preparação corporal está a cargo de Hélder Vilela e Pedro Vinicius.

O processo criativo e a relação com os aparelhos circenses  


O processo de criação foi marcado pela reflexão sobre as dores pessoais do artista. A utilização de aparelhos circenses não convencionais abriu novas possibilidades para a cena, mas trouxe também o desafio de investigar como esses equipamentos poderiam relacionar-se com o movimento e a dramaturgia.

A trilha sonora teve igualmente um papel importante no desenvolvimento do trabalho. Ao ouvi-la pela primeira vez, Wilson Guilherme percebeu que os diferentes elementos explorados durante a pesquisa começavam a ganhar forma em conjunto.

Uma trajetória construída entre o circo, a dança e o teatro 


O percurso de Wilson Guilherme nas artes circenses começou em projetos sociais, sobretudo no Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso e na Fábrica de Cultura Vila Nova Cachoeirinha, espaços onde teve os primeiros contactos com esta linguagem artística.

A sua formação reúne também referências da dança, do teatro e da performance.

Entre os trabalhos em que participou encontram-se “3x4”, “Sobre Nós Memórias e Bicicletas” e “Último Setor”, dirigidos por Maria Carolina Oliveira e produzidos pela Cia. Resto D’Ontê.

O artista integra ainda o elenco fixo de “Protnistas – O Movimento Negro no Picadeiro”, com direção de Ricardo Rodrigues, e participou em “ERANKO”, criação do Circo de Ébanos.

Com “Soturno”, Wilson Guilherme aprofunda a pesquisa sobre o corpo e as suas possibilidades expressivas, cruzando circo contemporâneo, dança, música e experiências pessoais numa criação que questiona as ideias de identidade, pertencimento e masculinidade.

SERVIÇO:
Soturno - Projeto NZILA
Entradas gratuitas
31 de outubro (sábado), às 15h30
Local: Mundo do Circo
Endereço: Av. Cruzeiro do Sul, 2630 - Carandiru, São Paulo
Com intérprete de Libras
1 de novembro (domingo), às 15h30
Local: Mundo do Circo
Endereço: Av. Cruzeiro do Sul, 2630 - Carandiru, São Paulo
Com intérprete de Libras
4 de novembro (quarta-feira), às 19h30
Local: Circo Caju
Endereço: R. Lavradio, 404 - Barra Funda, São Paulo - SP

FICHA TÉCNICA
Intérprete e criação: Wilson Guilherme
Direção geral: Ronaldo Aguiar
Direção musical: Melvin Santana
Direção de movimento: Verônica Santos
PreParação corporal: Hélder Vilela e Pedro Vinicius
Criação e operação de luz: Le Trovijo
Rigger: Denis Inoue
Trilha sonora: Melvin Santana e Lucas Melifona
Operação de som: Jonas Coutinho
Produção executiva: Renan Marangoni
Assistência de produção: Alex Bingó
Figurino: Karine Lopes
Fotografia: Kaue Andryh
Filmagem: Em Cena Produtora
Confecção do aparelho: Marian Del Castillo Hernandez e Circus To
Design gráfico: Tamires Silva
Realização: Projeto NZILA, Instituto Transforma Brasil e Secretaria Municipal de Cultura
Este projeto foi contemplado pela 10ª edição do Fomento ao Circo da cidade de São Paulo.

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NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
“Soturno” evidencia o potencial do circo contemporâneo para abordar questões de identidade, pertença e experiência humana através do corpo e do movimento. Ao transformar vivências pessoais numa criação artística, Wilson Guilherme propõe uma reflexão sobre as expectativas sociais associadas à masculinidade, sem perder de vista a dimensão poética e experimental do espetáculo. A entrada gratuita e a presença de intérprete de Libras nas sessões anunciadas no Mundo do Circo contribuem para ampliar o acesso do público à criação artística.
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