Jazz, ciência e comunidades em Silgueiros de Bodiosa e Várzea de Calde
A nova geração do jazz português leva talento, risco e liberdade até Silgueiros de Bodiosa e Várzea de Calde
O Ciclo de Outono do festival Que Jazz É Este? regressa às aldeias de Silgueiros de Bodiosa e Várzea de Calde, no concelho de Viseu, com concertos, conversas, música improvisada, performance e artes visuais. A programação decorre nos dias 11 e 25 de outubro, mantendo a entrada livre e o apelo ao donativo consciente.diarioviseu+1
Depois de uma 14.ª edição marcada pela forte adesão de público e pela vitalidade da nova geração do jazz português, o festival prolonga a sua programação para o outono e volta a sair do centro de Viseu. O objetivo é aproximar a música, a criação artística e o pensamento crítico das comunidades locais, em lugares onde nem sempre se espera encontrar jazz.
Duas tardes de música e diálogo
Cada domingo inclui uma arruada do coletivo Chinfrim, uma conversa aberta entre música e ciência e dois concertos. O percurso começa na rua, com um repertório que mistura dixieland, blues, funk, rock, latin e reggae, transformando o espaço público num palco aberto a todos.
A 11 de outubro, em Silgueiros de Bodiosa, João Paulo André e Carlos Fiolhais conversam com Catarina Machado sobre A Harmonia das Esferas, obra que explora as relações entre música e ciência, da matemática e da física à biologia, química e ciências da saúde. A sessão convida o público a olhar para fenómenos invisíveis que estão presentes na criação e na perceção musical.
Segue-se Mar Mor + Filipa Fróis, encontro entre o duo de improvisação livre formado por Bruno Pinto e Miguel Rodrigues e a atriz e criadora Filipa Fróis. Música, corpo e palavra cruzam-se numa criação em tempo real inspirada na censura e no controlo do pensamento.
A tarde encerra com o João Tavares Quinteto, formação integrada por cinco jovens músicos da nova geração do jazz português. Liderado pelo trompetista João Tavares, o grupo apresenta música original e chega a Viseu distinguido, no 6.º Concurso Internacional de Jazz da Universidade de Aveiro, com os prémios de Melhor Ensemble e Melhor Arranjo.
Várzea de Calde recebe música, imagem e experimentação
A 25 de outubro, em Várzea de Calde, Ana Bento conduz uma conversa com Nuno Trocado em torno da tese Analogia na Música e as Metáforas do Organicismo. Pólipos, sementes, rebentos, flores, sons da natureza e o corpo humano servem de ponto de partida para refletir sobre a relação entre música, organismos e práticas improvisatórias contemporâneas.
Depois, Os Filhos de Hey! apresentam um projeto multidisciplinar que combina percussão, eletrónica, objetos e vídeo. Num processo em tempo real, a imagem gera som e o som gera imagem, num diálogo criativo entre Pedro Melo Alves, João Carlos Pinto e Maria Mónica.
O ciclo encerra com o João Rocha Quarteto, composto por Gil Silva, Lucas Oliveira, Gonçalo Cravinho Lopes e João Rocha. Sem instrumento harmónico, o quarteto assume uma liberdade e uma responsabilidade acrescidas, com cada músico a desempenhar um papel determinante na construção coletiva da música.
Orquestra (In)fusão reúne aldeias e cidade
Em paralelo, o Coletivo Gira Sol Azul, sob direção artística de Ana Bento e Bruno Pinto, prepara o regresso da Orquestra (In)fusão, projeto de criação coletiva iniciado em 2015. A nova edição reúne o Grupo de Cantadeiras de Várzea de Calde, os BodiBombos, o coletivo Batalha da Visa e os músicos do Coletivo Gira Sol Azul.
O projeto prevê a criação de repertório original e sessões de residência conduzidas por Mara Maravilha, com a participação de pessoas das aldeias e da cidade na produção de cenografia, figurinos e adereços. O resultado será apresentado no Teatro Viriato, a 22 de dezembro, num concerto que reúne diferentes gerações, tradições musicais e territórios.
Workshop de jazz com Luís Lapa
O ciclo inclui ainda, no dia 19 de dezembro, um workshop de jazz dirigido a músicos e estudantes de música, orientado pelo guitarrista e pedagogo Luís Lapa, autor de Chave Mestra. A formação propõe a aplicação prática de exercícios e ferramentas de improvisação jazz, culminando na apresentação do trabalho desenvolvido.
Entre aldeias e cidades, tradição e experimentação, ciência e música, imagem e som, o Ciclo de Outono do Que Jazz É Este? mantém a pergunta aberta e leva-a a novos lugares. Todas as atividades são de entrada livre, com apelo ao donativo consciente; mais informações e horários serão disponibilizados em quejazzeeste.com
O regresso do Ciclo de Outono do Que Jazz É Este? a Silgueiros de Bodiosa e Várzea de Calde confirma a importância de levar a cultura para além dos grandes centros urbanos. Ao cruzar jazz, ciência, tradição, performance e criação coletiva, o festival reforça o seu papel como espaço de encontro, aprendizagem e participação comunitária no concelho de Viseu.
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Redatora Permanente do luso-brasileiro Portal Splish Splash. Uma sonhadora que acredita no verdadeiro amor, no romantismo e na felicidade, que carrega a fé em cada detalhe da vida. VER PERFIL
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