Woyzeck, dos auéééu, chega ao CCB com olhar sobre poder e violência

Woyzeck, dos auéééu, chega ao CCB de 24 a 27 de setembro com uma leitura contemporânea sobre poder, pobreza, progresso e violência patriarcal.
Cartaz oficial de Woyzeck, criação dos auéééu, no Centro Cultural de Belém

Espetáculo inspirado em Georg Büchner cruza ciência, poder e feminicídio


Um clássico inacabado ganha novas formas no teatro contemporâneo


O Centro Cultural de Belém (CCB) recebe, de 24 a 27 de setembro, no Pequeno Auditório, Woyzeck, criação dos auéééu a partir da obra inacabada de Georg Büchner. O espetáculo propõe uma leitura contemporânea de um dos textos que anunciam o teatro moderno, cruzando poder, progresso científico, pobreza e violência patriarcal.

As sessões realizam-se quinta e sexta-feira, às 20h00, sábado, às 19h00, e domingo, às 17h00.

Um texto inacabado como ponto de partida 


Georg Büchner morreu aos 23 anos, em 1837, sem concluir Woyzeck. Fragmentário e inacabado, o texto permanece, por isso mesmo, aberto a múltiplas interpretações e possibilidades cénicas.

É precisamente nesse território de possibilidades que os auéééu desenvolvem a sua criação, partindo da obra de Büchner para questionar as relações entre poder patriarcal, progresso científico e violência.

O problema colocado pelo coletivo está relacionado com a vocação do poder patriarcal para agir segundo as leis do progresso científico e, simultaneamente, com as suas evidentes e catastróficas consequências.

Um laboratório científico em palco 


Em cena, é criado um laboratório científico povoado por máquinas humanoides que obedecem a uma ordem artificial de inteligência sem se reger por valores éticos.

Neste ambiente distópico, estas figuras operam exclusivamente em nome do progresso. A lógica de avanço científico transforma-se, assim, num mecanismo de poder cujas consequências culminam num feminicídio.

Através desta abordagem, Woyzeck ganha uma nova dimensão cénica, aproximando a obra de Büchner de questões contemporâneas relacionadas com a tecnologia, a ética, as estruturas de poder e a violência de género.

Ficha artística

Woyzeck
A partir da obra inacabada de Georg Büchner
Criação: auéééu
Com Filipe Velez, Frederico Barata, Joana Manaças e Sérgio Coragem

Cocriação e Conceção Plástica: Fernando Roussado, Filipe Andrade
Cocriação e Cinematografia: Manuela Viegas
Cocriação e Desenho de Iluminação: Daniel Worm d’Assumpção
Figurinos: Miss Suzie e auéééu
Produção e Apoio à Criação: Joana Amado Silva
Apoio à Pesquisa: David Antunes e Francisco Luís Parreira (Inúteis Conversas)

Residência de Coprodução: O Espaço do Tempo
Residência Artística: OSSO, Cão Solteiro · Residências 120
Coprodução: Teatro Nacional São João e Centro Cultural de Belém

Apoios: Direção-Geral das Artes (DGArtes), Junta de Freguesia de Santo António (Lisboa), Casa da Comarca de Arganil e Sociedade Filarmónica João Rodrigues Cordeiro

Woyzeck | auéééu
CCB · Pequeno Auditório · 24 a 27 de setembro
Quinta e sexta às 20h00 · sábado às 19h00 · domingo às 17h00

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NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
O coletivo auéééu revisita o fragmentário Woyzeck, de Georg Büchner, para construir no palco do CCB um laboratório distópico onde ciência, tecnologia e poder patriarcal se cruzam. Uma proposta de teatro contemporâneo que encontra, num texto escrito no século XIX, inquietantes questões sobre ética, progresso e violência.
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