O cantor nova-iorquino prepara um novo álbum entre indie pop e chamber pop
Loren Berí troca o protagonismo pela liberdade de simplesmente ser quem é
Loren Berí, cantor e compositor sediado em Nova Iorque, apresenta “Stagehand”, o seu novo single, numa proposta que cruza texturas exuberantes de música de câmara com o apelo imediato da composição indie. Conhecido pela narrativa inventiva e por uma presença artística carismática, o músico transforma experiências pessoais numa canção sobre identidade, vulnerabilidade e a necessidade de abandonar versões exageradas de nós próprios.
“Stagehand” aborda precisamente esse processo de deixar cair personagens e expectativas para encontrar beleza e alívio na possibilidade de sermos simplesmente quem somos. A imagem central é a de alguém que vive nos bastidores, em vez de ocupar o centro da história — uma metáfora para quem sente que nunca chegou verdadeiramente a ser escolhido para desempenhar o papel que imaginava.
O trabalho de Loren Berí tem merecido atenção de publicações como FLOOD, Atwood Magazine e 1883 Magazine, entre outras. A sua música foi também destacada por TMRW Magazine, Earmilk, Fault Magazine e Living Life Fearless.
Loren Berí - Stagehand
Uma carreira marcada pela narrativa e pela colaboração
Loren Berí ganhou particular destaque com um single de estreia que a FLOOD Magazine descreveu como uma homenagem magnética e bem-humorada a Nova Iorque, sublinhando os sintetizadores vibrantes e a inteligência da sua escrita.
Entre as suas colaborações mais recentes encontra-se “Al Pacino”, com Glassio, enquanto o álbum Alby’s Ghost contou com a participação de Mauro Refosco, músico associado a David Byrne, Atoms For Peace e Dirty Projectors.
Também de Alby’s Ghost é “Greta’s Inn”, tema que conta com a participação de Kishi Bashi e que chegou a integrar o universo de Fortnite.
Para além da música, Berí desenvolveu trabalho na área audiovisual, tendo realizado episódios para televisão na BRIC TV. É ainda licenciado em Dramaturgia, uma formação que ajuda a compreender a forte componente narrativa presente na sua criação musical.
“Stagehand” é também uma mudança de identidade artística
O segundo álbum de Loren Berí, intitulado Stagehand, será lançado este ano juntamente com um livro de poemas que o acompanha. A faixa-título apresenta-se como uma envolvente composição de chamber pop, construída em torno de uma reflexão sobre o ego, a identidade e a forma como cada pessoa se posiciona perante o mundo.
O próprio músico explica que a ideia nasceu durante uma noite de escrita, quando imaginou um técnico de palco convencido de que era uma personagem de uma peça. Sem perceber que a sua função era apenas movimentar os elementos do cenário no escuro, enquanto as verdadeiras personagens aguardavam imóvelmente o início da cena.
A partir dessa imagem, Berí percebeu que a canção representava a conclusão de um percurso iniciado em Alby’s Ghost. Se “Alby” explorava uma figura dominada pelo ego, pelo protagonismo e pela procura dos holofotes, “Stagehand” assume precisamente o caminho inverso.
Aqui, explica o artista, já não existe uma personagem grandiosa. Existe apenas ele próprio.
A canção aborda aquilo que Berí considera ser a versão mais pequena de uma pessoa: aquela em que alguém acaba por diminuir-se, muitas vezes sem perceber, para conseguir encaixar-se num mundo onde não sente pertencer ou numa história escrita por outra pessoa.
A falta de orgulho, a necessidade de integração e a sensação de estar nos bastidores tornam-se, assim, matéria-prima para uma reflexão sobre a identidade. Mas “Stagehand” não encara necessariamente esse estado como algo negativo.
Pelo contrário, a música procura descobrir a beleza que pode existir numa espécie de “morte do ego”, quando alguém se perde nos bastidores de uma peça na qual nunca parece conseguir ser escolhido para entrar em cena.
É, para Berí, uma sensação de alívio e, simultaneamente, uma representação mais próxima dos seus sentimentos reais.
Do “tamanho” das personagens à autenticidade
O contraste com Alby’s Ghost é deliberado. Segundo Loren Berí, “Alby” representou uma tentativa de experimentar uma nova confiança e uma nova persona através da personagem, enquanto o novo trabalho procura retirar progressivamente essas camadas.
O músico admite ter-se cansado de escrever como determinadas personagens e de explicar constantemente essas mesmas personagens.
Depois de deixar para trás as versões mais fantasiosas de si próprio, nomeadamente em Genesis 2.0 e Prince V, aquilo que restou foi o “stagehand”: uma figura que trabalha nos bastidores, longe dos holofotes, mas que acaba por se revelar talvez mais próxima da verdadeira identidade do artista.
Concerto de apresentação em Nova Iorque
Loren Berí assinalou o lançamento de Stagehand com uma actuação no dias 9 de Setembro, integrada na programação oficial do National Sawdust, em Nova Iorque.
O concerto contou com novas canções do álbum, interpretadas ao lado do Ondine Quartet, num formato que deverá reforçar a dimensão de música de câmara presente no novo trabalho.
Com “Stagehand”, Loren Berí apresenta não apenas um novo single, mas também uma nova etapa artística: menos centrada na criação de personagens e mais interessada naquilo que permanece quando todas elas desaparecem.
Crédito da foto: Nate DiDomizio
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NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
Loren Berí apresenta em “Stagehand” uma proposta artística que cruza indie pop, chamber pop e narrativa autoral para reflectir sobre identidade, ego e pertença. O tema antecipa o segundo álbum do cantor e compositor nova-iorquino, que será acompanhado por um livro de poemas. O Portal Splish Splash acompanha esta nova etapa de um artista que encontrou nos bastidores uma metáfora poderosa para falar de autenticidade e da liberdade de abandonar personagens que já não correspondem àquilo que somos.
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Uma carreira marcada pela narrativa e pela colaboração
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Do “tamanho” das personagens à autenticidade
Concerto de apresentação em Nova Iorque
Redatora Permanente do luso-brasileiro Portal Splish Splash. Uma sonhadora que acredita no verdadeiro amor, no romantismo e na felicidade, que carrega a fé em cada detalhe da vida. VER PERFIL
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