Thriller psicológico aborda deepfakes, cyberbullying e saúde mental
Quando a violência virtual ultrapassa a tela, as consequências podem ser reais
Em meio às discussões promovidas pelo Setembro Amarelo, o e-book Faces Roubadas coloca em evidência um problema cada vez mais presente na vida de adolescentes: a violência digital e seus impactos na saúde mental.
Ambientado em Vitória, no Espírito Santo, o thriller psicológico aborda temas contemporâneos como deepfakes, cyberbullying, misoginia, exposição íntima, Inteligência Artificial e violência psicológica, mostrando como situações iniciadas no ambiente virtual podem provocar consequências profundas na vida real.
Uma história sobre violência digital e saúde mental
A narrativa começa após uma tragédia envolvendo Allana, uma estudante de 15 anos da tradicional Escola São João Paulo II, frequentada por jovens da elite capixaba.
A adolescente torna-se alvo de uma campanha de humilhação e ameaças depois que imagens íntimas falsas, produzidas com recurso à Inteligência Artificial, são disseminadas no contexto de um esquema criminoso.
A partir desse acontecimento, Faces Roubadas mergulha nas consequências da exposição virtual e mostra como a combinação entre tecnologia, cultura da humilhação e violência psicológica pode afetar profundamente adolescentes.
A obra também chama atenção para um elemento frequentemente esquecido nesses casos: o silêncio de quem está ao redor.
Na história, a dificuldade de reconhecer sinais de sofrimento e a ausência de uma resposta adequada por parte de adultos e instituições contribuem para aumentar a sensação de abandono vivida pela vítima.
Deepfakes e os novos riscos da Inteligência Artificial
Depois da tragédia, Mariana, estudante bolsista da periferia de Vitória e apaixonada por tecnologia, aproxima-se de Bia, uma influenciadora digital pertencente à elite da escola.
Apesar das diferenças sociais, as duas decidem investigar o esquema responsável pela produção e comercialização das imagens falsas.
Com o apoio da ONG de direitos humanos Cunhantãs, elas enfrentam uma rede criminosa e procuram transformar a indignação provocada pela tragédia em uma denúncia capaz de responsabilizar os envolvidos.
Ao abordar a utilização criminosa de deepfakes e imagens íntimas falsas, o livro também chama atenção para um dos desafios trazidos pela popularização das ferramentas de Inteligência Artificial: a facilidade crescente para produzir conteúdos falsificados capazes de causar danos reais às vítimas.
Uma história que propõe reflexão
Ao combinar suspense psicológico e questões sociais contemporâneas, Faces Roubadas procura ir além do entretenimento.
A obra pode servir como ponto de partida para conversas entre estudantes, famílias, professores e profissionais da educação e da saúde mental sobre violência digital, segurança na internet, responsabilidade no uso da tecnologia e a importância de ouvir adolescentes que estejam passando por situações de sofrimento.
O livro também levanta uma questão particularmente relevante no atual cenário tecnológico:
O que acontece quando ferramentas capazes de criar imagens falsas encontram uma cultura de humilhação e o silêncio de quem poderia intervir?
A pergunta ganha ainda mais importância num período em que ferramentas de Inteligência Artificial estão cada vez mais acessíveis e em que conteúdos manipulados podem circular rapidamente pelas redes sociais.
E-book gratuito em PDF
Faces Roubadas está disponível gratuitamente em formato PDF, permitindo que a obra seja utilizada também em contextos educativos e de sensibilização para os riscos da violência digital.
Sobre o autor
Maxwell dos Santos é jornalista, radialista, professor de linguagens e ciências humanas e mestre em Tecnologias Emergentes em Educação pela Must University.
Autor de obras de ficção e não ficção, desenvolve trabalhos relacionados à educação, cidadania digital e questões sociais contemporâneas.
Em conteúdos relacionados à saúde mental e ao suicídio, o Portal Splish Splash privilegia uma abordagem responsável, evitando a exposição de detalhes que possam ser prejudiciais e valorizando a informação, a prevenção e a procura de ajuda. Em situações de sofrimento emocional, é importante conversar com alguém de confiança e recorrer a profissionais ou serviços de saúde adequados.
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