Debate na AML reúne especialistas para discutir livros, memória e conservação
Debate gratuito na AML acompanha o lançamento de obra com estudos de dez países
"Costuras, capas e papéis também contam histórias"
— Carmen Augusta
Original do Portal Splish Splash
Antes mesmo de abrir um livro, há uma história para contar. Costuras, capas, papéis, materiais, técnicas e marcas de uso revelam modos de produzir, fazer circular, preservar e estabelecer relações com a cultura escrita.
É a partir dessa perspectiva que a Academia Mineira de Letras (AML) recebe, no dia 7 de outubro, às 15h, a palestra de lançamento de Encadernação: Práticas Editoriais, Colecionismo e Conservação. O encontro reunirá especialistas de diferentes áreas para discutir a encadernação como prática, objeto histórico e parte fundamental da história dos livros. A atividade terá tradução em Libras.
Participam da mesa Ana Utsch (UFMG), Fernanda Brito (UFMG), Alice Gontijo (USP) e Rodrigo Camargo de Godoi (Unicamp), com mediação de Eliana Dutra (UFMG). A conversa parte do lançamento do livro, organizado por
com colaboração de Alice Gontijo, para abordar a história, as técnicas, os usos e os significados da encadernação, bem como as suas ligações às práticas editoriais, ao colecionismo, à conservação e às chamadas artes do livro.
Livro reúne pesquisas de dez países
Com mais de 30 estudos de pesquisadores do Brasil, África do Sul, Colômbia, Cuba, Espanha, França, Itália, México, Reino Unido e Suécia, Encadernação: Práticas Editoriais, Colecionismo e Conservação propõe compreender a encadernação não apenas como acabamento, mas como um objeto histórico complexo.
Ao longo do volume, são investigados os saberes técnicos envolvidos na produção dos livros, o trabalho dos profissionais do setor, os circuitos comerciais, as práticas de colecionamento, os códigos simbólicos e as políticas de preservação do património.
Os estudos percorrem diferentes espaços e perspectivas: das oficinas às editoras, das bibliotecas às livrarias, passando por discursos técnicos e pela literatura. História do livro, biblioteconomia, design, estudos literários, artes visuais e conservação-restauro encontram-se para investigar de que modo a materialidade participa na construção dos sentidos atribuídos aos textos.
Materialidade do livro amplia a compreensão da cultura escrita
Para Ana Utsch, voltar o olhar para a dimensão material do livro é especialmente relevante num momento de transformação das formas de leitura e de circulação dos textos.
“Num momento marcado pelas transformações das práticas de leitura e pela circulação digital dos textos, voltar a atenção para a materialidade do livro permite compreender dimensões da cultura escrita que frequentemente permanecem invisíveis”, afirma.
Segundo a investigadora, a encadernação ocupa um lugar privilegiado nessa discussão por articular “história, técnica, criação, conservação e memória”.
Mais do que discutir como os livros são feitos, a mesa propõe pensar o que os livros revelam quando observados também como objetos. Marcas de fabricação, escolhas estéticas, técnicas de encadernação, formas de conservação e modos de circulação ajudam a contar histórias que nem sempre estão registadas nas páginas, ampliando a compreensão sobre a própria cultura escrita.
Iniciativa reúne instituições académicas e culturais
A palestra é uma iniciativa da Academia Mineira de Letras, em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Artes e o Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários, ambos da Universidade Federal de Minas Gerais, e com o Ateliê Editorial.
O evento acontece no âmbito dos projectos “Academia Mineira de Letras Manutenção e Funcionamento 2026 (CA 2024.3810.0027)”, incluído na Lei Estadual de Incentivo à Cultura, e “Plano Anual Academia Mineira de Letras – AML (PRONAC 256536)”, previsto na Lei Federal de Incentivo à Cultura.
A iniciativa tem o patrocínio da CEMIG, a energia da cultura, e do Instituto Unimed-BH, por meio do incentivo fiscal de mais de 5,9 mil médicos cooperados e colaboradores. O evento conta ainda com o apoio da Minasmáquinas.
Sobre os palestrantes
Alice Gontijo é doutora em Estudos Literários pela Faculdade de Letras da UFMG, mestre em Artes, na linha de Preservação do Património Cultural, e bacharel em Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis pela Escola de Belas-Artes da UFMG.
Actua no Laboratório de Conservação e Restauro do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP) e desenvolve pesquisas nas áreas de Cultura Gráfica, Preservação do Património e Conservação-Restauração, com ênfase em acervos bibliográficos e documentais e em obras artísticas sobre papel.
Integra a Red Latinoamericana de Cultura Gráfica (RED-CG) e projectos de investigação e extensão dedicados à cultura e à memória gráficas, como “Documentar: fontes para a cultura gráfica” e “Museu Vivo Memória Gráfica”. Possui experiência profissional e docente na área de conservação-restauro e colaborou na organização, tradução e elaboração de conteúdos para a publicação Encadernação.
Ana Utsch é professora da Escola de Belas-Artes da Universidade Federal de Minas Gerais, onde integra o Programa de Pós-Graduação em Artes (EBA) e o Programa de Pós-Graduação em Letras: Estudos Literários (FALE).
Cofundadora da Red Latinoamericana de Cultura Gráfica, coordenou o projecto que deu origem ao Museu Tipografia Pão de Santo António. É bolseira do CNPq, autora de Rééditer Don Quichotte (Classiques Garnier, 2020) e Panorama de la Encuadernación (Uniandes, 2022), além de organizadora de Encadernação: Práticas Editoriais, Colecionismo e Conservação (Ateliê Editorial, 2026).
Eliana de Freitas Dutra é professora titular aposentada da Universidade Federal de Minas Gerais e professora do Programa de Pós-Graduação em História da UFMG.
Foi vice-presidente do International Committee of Historical Sciences (ICHS) entre 2015 e 2026. Realizou pós-doutoramento na École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS) e na Université de Versailles Saint-Quentin.
É investigadora na área de História, com ênfase em História do Brasil, actuando principalmente nos temas dos intelectuais, nação e identidade nacional, cultura política, memória histórica, imaginário político, livros e edições e anos 1930. Coordena o projecto Coleção Brasiliana: Escritos e Leituras da Nação.
Fernanda Brito é professora adjunta do curso de graduação em Conservação-Restauração de Bens Móveis Culturais da Universidade Federal de Minas Gerais, na Escola de Belas-Artes.
Possui pós-doutoramento pela UFMA, doutoramento (2019) e mestrado (2015) pelo programa de História da Ciência da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), onde realizou investigação sobre a tradição, a técnica e a história da encadernação no Brasil.
Realizou o curso de aperfeiçoamento em Escritura y Documentación: Paleografía, Diplomática y Archivística, pela Universidad Complutense de Madrid, e o curso de Conservação e Restauração de Material Gráfico e Obra de Arte sobre Papel, pelo Centro Técnico Templo da Arte.
Possui pós-graduação em Gerência de Sistemas e Serviços de Informação pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo e graduação em Educação Artística, com Licenciatura Plena em Artes Plásticas, pela Faculdade Paulista de Artes.
Rodrigo Camargo de Godoi é professor associado e livre-docente em História do Brasil Império no Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (IFCH-Unicamp), onde integra os programas de Pós-Graduação em História e de Mestrado Profissional em Ensino de História (ProfHistória).
É investigador e coordenador do Núcleo de Estudos da Edição, Literatura e Imprensa (NEELIM). É mestre em Teoria e História Literária e doutor em História Social pela Unicamp. Realizou estágios de investigação na Vanderbilt University, em Nashville, nos Estados Unidos, e no Max-Planck-Institut für Rechtsgeschichte und Rechtstheorie, em Frankfurt, na Alemanha.
É autor, entre outros trabalhos, de Francisco de Paula Brito: A Black Publisher in Imperial Brazil (Vanderbilt University Press, 2020). As suas pesquisas concentram-se na história da cultura impressa e literária do Brasil oitocentista, com especial interesse pela história do livro e da edição, imprensa, autoria e propriedade literária, bem como pela liberdade de imprensa e de expressão no Brasil oitocentista.
Estar ao lado da cultura de Minas Gerais é contribuir para a valorização da identidade, para o desenvolvimento do estado, para a dinamização da economia criativa e para a geração de emprego e rendimento.
SERVIÇO:
Artes do Livro, encadernação e materialidade dos textos
Participantes: Ana Utsch (UFMG), Fernanda Brito (UFMG), Alice Gontijo (USP) e Rodrigo Camargo de Godoi (Unicamp).
Mediação: Eliana Dutra (UFMG).
Lançamento: Encadernação: Práticas Editoriais, Colecionismo e Conservação, organizado por Ana Utsch, com colaboração de Alice Gontijo.
O Instituto Unimed-BH completa 23 anos em 2026 e conta com o apoio de mais de 5,9 mil médicos cooperados e colaboradores da Unimed-BH.
A associação sem fins lucrativos foi criada em 2003 e, desde então, desenvolve projectos socioculturais e socioambientais voltados para a formação da cidadania, o estímulo ao bem-estar e à qualidade de vida, o fomento da economia criativa, a geração de trabalho e rendimento para diversas famílias, a valorização dos espaços públicos e a protecção do meio ambiente.
As iniciativas patrocinadas, apoiadas e realizadas estão organizadas em cinco linhas de actuação: Comunidade, Voluntariado, Meio Ambiente, Adoção de Espaços Públicos e Cultura. Todas estão alinhadas com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030. Saiba mais.
CEMIG
A Cemig continua a ampliar o incentivo ao sector cultural de Minas Gerais, patrocinando diferentes expressões artísticas em todas as regiões do estado.
Democratizar, descentralizar e ampliar o acesso às práticas culturais é um compromisso da companhia com a arte mineira. Ao incentivar a cultura, a Cemig fortalece a tradição, a memória e as raízes, sem deixar de ter a inovação e a tecnologia como aliadas.
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NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
A encadernação é muito mais do que a protecção exterior de um livro: é também um testemunho material da história, das técnicas, dos hábitos de leitura e dos modos de circulação da cultura escrita. O debate promovido pela Academia Mineira de Letras apresenta uma oportunidade relevante para conhecer diferentes perspectivas sobre a preservação dos livros e sobre o papel do coleccionismo na valorização do património bibliográfico. A entrada é gratuita, e a actividade terá tradução em Libras.
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Materialidade do livro amplia a compreensão da cultura escrita
Sobre os palestrantes
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