Mariana Paraizo estreia no Sesc Barra Mansa

Mariana Paraizo estreia exposição individual no Sesc Barra Mansa com cerca de 30 obras que exploram os limites entre o doméstico e o público.
 Cartaz oficial da exposição Construir o Aberto, de Mariana Paraizo, no Sesc Barra Mansa

Exposição reúne cerca de 30 obras e propõe novos olhares sobre o cotidiano



Quando a casa encontra a rua, os objetos cotidianos ganham novos sentidos


O Sesc Rio de Janeiro apresenta, no Sesc Barra Mansa, a exposição “Construir o Aberto”, primeira mostra individual de Mariana Paraizo. Realizada através do edital Sesc Pulsar, a exposição tem curadoria de Ana Carla Soler e Julia Baker e reúne cerca de 30 obras entre esculturas, fotografias, gravuras e desenhos.

Em cartaz de 3 de julho a 4 de outubro de 2026, a mostra propõe uma reflexão sobre os limites entre a casa e a rua, o doméstico e o público, levando ao interior do estado do Rio de Janeiro uma produção de arte contemporânea que já circulou por importantes instituições culturais do Brasil e do exterior.

Arte contemporânea entre a casa e a rua


Doutoranda e mestre em Linguagens Visuais e graduada em Escultura pela UFRJ, Mariana Paraizo já apresentou trabalhos no Museu de Arte do Rio, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e em outros espaços culturais. Sua produção também já circulou por países como Canadá, França, Estados Unidos, Haiti e Argentina.

Para o Sesc Barra Mansa, a artista apresenta uma obra inédita: “Domo Dromo” (1,60 m x 2 m x 20 cm), conjunto de delicadas cúpulas de lustre de vidro apresentadas com rodas, na forma de carrinhos. A instalação estabelece uma relação com os limites entre os espaços interiores e exteriores urbanos.

Outro destaque é “Amortecimentos” (20,5 cm x 21,9 cm), série composta por oito gravuras em relevo seco, impressas a partir de pedaços de solas de tênis e outros sapatos encontrados na rua.

Já em “Condomínio” (1,80 m x 1 m x 1 m), a artista apresenta uma instalação formada por dezenas de caixas de ovos produzidas em argamassa e concreto. A obra articula conceitos relacionados a abrigo e moradia, fragilidade e resistência.

Entre os desenhos, destaca-se “Projeto para muro”, elaborado em giz pastel oleoso sobre papel, com 35 cm x 50 cm.

Objetos cotidianos ganham novos significados 


Ao longo de “Construir o Aberto”, Mariana Paraizo retira elementos banais do cotidiano dos seus contextos habituais, provocando estranhamento e deslocando os seus sentidos.

Calçadas, bueiros e carros surgem inesperadamente ao lado de camas, sofás e tapetes. A operação artística cria um território de cruzamento entre aquilo que pertence ao espaço público e os elementos associados à intimidade doméstica.

“Ao mesmo tempo em que encontramos signos do doméstico na rua, também levamos para dentro de casa questões que pertencem ao campo público. Meu trabalho fala desse atravessamento de fronteiras, desse movimento contínuo entre os territórios do íntimo e do público. É a inevitabilidade do desejo do desvio”, afirma Mariana Paraizo.

A artista participou de residências na FAAP, no Instituto Hilda Hilst e na Despina.

Curadoria destaca o diálogo entre espaços 


Segundo a curadora Julia Baker, objetos e elementos simbólicos circulam, na produção de Mariana Paraizo, entre os universos doméstico e da rua, desafiando as percepções habituais.

“A artista observa os limites entre os espaços públicos e privados, mas também os pontos em que eles se cruzam. Esse deslocamento provoca o olhar e desperta novas interpretações”, afirma Julia Baker.

Para Ana Carla Soler, a produção da artista estabelece um diálogo direto com o espectador através de referências simples do cotidiano.

“Ao serem retirados de seus contextos originais, esses elementos ganham novos sentidos e abrem caminho para diferentes leituras.”

A curadora acrescenta que o título da exposição, “Construir o Aberto”, remete à liberdade de imaginar e construir outras formas de ocupar os ambientes compartilhados.

Mariana Paraizo — artista


Artista visual, pesquisadora e professora, Mariana Paraizo é mestre e doutoranda em Linguagens Visuais pela EBA/UFRJ. Graduou-se em Escultura pela mesma instituição e cursou durante três anos Letras na PUC-Rio.

Com ampla experiência no circuito de publicações, produziu diversos livros e realiza intervenções urbanas na cidade do Rio de Janeiro desde 2014.

Em 2023 e 2024, foi contemplada nos Editais Fomento de Incentivo à Cultura Carioca e Conexões Urbanas — Lei Paulo Gustavo, realizando o projeto CASA PÚBLICA, do qual é fundadora.

Suas obras integraram exposições coletivas em instituições como o Museu de Arte do Rio, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Centro Cultural de São Paulo, Museu Municipal de Cultura de Curitiba e Museu de Arte de Ribeirão Preto, entre outras.

Em 2016, foi premiada pelo edital de Narrativas Experimentais (Des.Gráfica), promovido pelo Museu da Imagem e do Som de São Paulo.

Participou de publicações artísticas no Brasil, Colômbia, Argentina, Estados Unidos, França e Haiti, além de residências em instituições como a Fundação Armando Álvares Penteado, o Instituto Hilda Hilst, a Despina e o Museu Bispo do Rosário de Arte Contemporânea.

Ana Carla Soler — curadora 


Ana Carla Soler é curadora e pesquisadora, graduada em História da Arte pela UERJ e em Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. É pós-graduada em Direção e Gestão de Marketing pela Universidade de Barcelona e especialista em Marketing Digital pela ESPM.

Sua pesquisa é direcionada à presença das mulheres no ensino e no sistema da arte.

Em 2023, foi selecionada para a Residência de Pesquisa do Instituto Inclusartiz. Em 2022, foi premiada no Edital OMA de curadoria pelo projeto de exposição “Houve-me”.

Assinou a curadoria de exposições em instituições como Museu de Arte do Rio (MAR), Centro Cultural PGE-RJ, ArtRio, Sesc Rio de Janeiro, Parque das Ruínas (Parque Glória Maria), Centro MariAntônia — USP e Oficinas Culturais Oswald de Andrade.

Também ministra cursos que investigam as relações entre Arte e Comunicação. É cocriadora do projeto digital Elas Estão Aqui, curadora no Coletivo Artistas Latinas e integra o coletivo MOTIM — Mito, rito e cartografias feministas nas artes.

Julia Baker — curadora

Julia Baker trabalha com pesquisa, produção e curadoria. É uma das fundadoras da coletiva curatorial NaPupila, onde desenvolve curadorias independentes, pesquisa em artes e ações virtuais com foco na visibilidade de artistas e profissionais mulheres. Também é sócia da empresa Bomba Criativa.

Entre as suas curadorias estão “O Meu Lugar”, no Sesc São Gonçalo (2024); “Entre montes brancos e espelhos d’água”, no Sesc Niterói (2023); “Decolonizando o Grito — independência ou morte”, exposição virtual (2023); “Pelas Ondas do Rádio”, no Museu da Imagem e do Som, no Rio de Janeiro (2022); e “a respeito do fracasso e outras virtudes”, de Rafael Amorim, no Sesc Ramos (2022).

Entre 2013 e 2018, integrou a equipe curatorial do Museu de Arte do Rio (MAR), atuando na pesquisa e elaboração de exposições.

Foi assistente curatorial da exposição “À Nordeste”, no Sesc 24 de Maio, em São Paulo (2019), e realizou a pesquisa iconográfica para o livro comemorativo dos 50 anos do Balé da Cidade de São Paulo (2018/2020).

SERVIÇO:
Exposição: “Construir o Aberto”
Artista: Mariana Paraizo
Curadoras: Ana Carla Soler e Julia Baker
Local: Sesc Barra Mansa — Galeria de Arte
Visitação: de 3 de julho a 4 de outubro de 2026
Horário: terça a sexta, das 10h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 17h
Entrada: gratuita
Endereço: Av. Tenente José Eduardo, 560 — Ano Bom — Barra Mansa — RJ — CEP 27323-240
Telefone: (21) 4020-2101
E-mail: falecomagente@sescrio.org [separador]
NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
A exposição “Construir o Aberto” parte de uma ideia particularmente interessante: aquilo que parece banal pode mudar completamente de significado quando é retirado do seu lugar habitual. Ao aproximar objetos, espaços e referências do universo doméstico e da rua, Mariana Paraizo convida o público a olhar de novo para aquilo que normalmente passa despercebido. A iniciativa ganha ainda maior relevância por levar uma produção de arte contemporânea já reconhecida para o interior do estado do Rio de Janeiro, com entrada gratuita e acesso alargado ao público.
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