Como o ouro de família pode transformar-se em novas joias
Transformar uma peça pode ser uma forma de preservar memórias e começar de novo
Uma aliança que pertenceu à avó. Outra usada pela mãe. Um brinco que perdeu o par ou uma pulseira esquecida há anos. Para muitas pessoas, essas peças deixaram de fazer parte do dia a dia, mas o ouro e, sobretudo, a história que carregam continuam a ter significado.
É justamente essa possibilidade de ressignificar joias e reaproveitar ouro de família que tem levado clientes à Mieller Joias, no Centro de Niterói, no Rio de Janeiro. Com oficina e fabricação próprias, a empresa recebe desde joias familiares com forte valor afectivo até peças sem uso, que podem ser avaliadas para a criação de novas alianças e outras joias personalizadas.
Joalheiro, professor de ourivesaria e CEO da Mieller Joias, Michel Eller reúne 30 anos de experiência no ofício e explica que o primeiro passo é compreender o que aquele ouro representa para cada cliente.
“Às vezes, o valor está muito além do financeiro. A pessoa chega com uma joia da mãe ou da avó e diz: ‘Quero que isso faça parte da minha aliança’. Quando existe essa possibilidade técnica, transformamos o material preservando a história que ele carrega”, afirma.
O ouro de três gerações numa nova aliança
Recentemente, a Mieller Joias recebeu um casal que desejava produzir as suas alianças utilizando peças de ouro da própria família. Parte do material vinha da avó e outra parte, da mãe.
Após a avaliação, o ouro foi utilizado na produção das novas alianças.
“Aquela joia passou a carregar três momentos: a história da avó, da mãe e agora a daquele casal. É um significado que uma peça simplesmente comprada não teria para eles”, conta Michel.
Para Silvia Eller, directora executiva da Mieller Joias, compreender essa história também faz parte do atendimento.
“Algumas pessoas não querem vender aquele ouro porque existe uma ligação afectiva. Elas querem continuar carregando aquela memória, apenas de uma nova maneira. Por isso, antes de pensar na joia, precisamos ouvir”, explica.
Ouro sem uso também pode ajudar a realizar um sonho
Noutro caso, um casal já estava casado havia cinco anos, mas ainda não tinha as suas alianças. Os dois possuíam pequenas joias de ouro que já não utilizavam, incluindo peças incompletas e guardadas há bastante tempo.
O material foi avaliado e ajudou a viabilizar a produção das alianças que desejavam.
“Eles tinham um património parado e conseguiram transformá-lo em algo que desejavam havia anos. Foi uma forma de aproveitar aquele ouro para realizar um sonho sem precisar partir do zero financeiramente”, recorda Michel.
Dependendo da composição e das condições das peças, o ouro apresentado pelo cliente pode ser reaproveitado na fabricação de uma nova joia, sempre após avaliação técnica, ou ter o seu valor considerado como parte do pagamento de uma nova peça.
Ressignificar também pode significar começar de novo
Nem todo o ouro, porém, carrega uma memória que a pessoa deseja preservar.
Joias e alianças de relacionamentos anteriores também chegam à oficina. Nesses casos, alguns clientes preferem não utilizar o mesmo material na nova peça. O ouro pode ser avaliado e o seu valor utilizado como parte do pagamento de uma joia produzida com outro material.
“Ressignificar não significa necessariamente transformar aquela mesma peça em outra. Às vezes, significa encerrar um ciclo e permitir que aquilo ajude a construir algo novo”, afirma Silvia.
A transformação também acontece entre casais que permanecem juntos. Há quem procure a oficina para aumentar a largura das alianças, acrescentar ouro ou alterar o modelo. Outros fazem o caminho contrário e optam por peças mais finas e discretas.
“Uma aliança pode acompanhar as fases da vida. O modelo que representava o casal há dez ou vinte anos não precisa necessariamente representar quem eles são hoje”, explica Michel.
Da história da família à oficina de joalharia
Com fabricação própria no Centro de Niterói, a Mieller Joias acompanha directamente as diferentes etapas do processo, desde a avaliação e criação até à produção, aos ajustes e ao acabamento das peças, sempre considerando as condições técnicas do material apresentado pelo cliente.
Para Michel, esse contacto próximo entre cliente e ourives torna-se especialmente importante quando existe valor afectivo envolvido.
“Quando alguém entrega uma joia que pertenceu à sua família, não está entregando apenas alguns gramas de ouro. Está confiando uma memória a nós.”
Silvia completa:
“Existem joias que marcam o início de uma história. E existem aquelas que permitem que uma história continue sendo contada de uma nova forma.”
Sobre a Mieller Joias
Localizada no Centro de Niterói, no Rio de Janeiro, a Mieller Joias possui fabricação própria e actua na criação, transformação e personalização de alianças e joias.
Cada peça e material apresentado pelo cliente passa por avaliação, de modo a definir as possibilidades de reaproveitamento do ouro, transformação da joia ou utilização do seu valor como parte do pagamento de uma nova peça.
A proposta é unir o conhecimento técnico da ourivesaria à história de cada cliente, permitindo que ouro guardado, joias sem uso ou peças de outras fases da vida possam ganhar uma nova função e, em alguns casos, acompanhar o início de um novo capítulo. Instagram: @miellerjoias
[separador]
NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
Há joias cujo valor não se mede apenas pelo ouro que contêm. Uma aliança herdada, uma peça guardada durante décadas ou mesmo uma joia associada a uma etapa que chegou ao fim pode continuar a fazer parte da nossa história de uma forma diferente. A possibilidade de transformar, reaproveitar ou simplesmente dar um novo destino a esse material mostra como a joalharia pode cruzar tradição, memória e renovação. A experiência da Mieller Joias, através de Michel e Silvia Eller, revela precisamente essa dimensão mais humana do trabalho de ourivesaria: transformar matéria sem apagar as histórias que ela ajudou a contar.
🔎 Quer explorar mais este tema?
Escreva uma palavra relacionada com o assunto e descubra outros artigos.
Como o ouro de família pode transformar-se em novas joias
O ouro de três gerações numa nova aliança
Ouro sem uso também pode ajudar a realizar um sonho
Ressignificar também pode significar começar de novo
Da história da família à oficina de joalharia
Redatora do luso-brasileiro Portal Splish Splash. VER PERFIL
Comentários
Enviar um comentário
🌟COPIE UM EMOJI E COLE NO COMENTÁRIO: Clique aqui para ver os emojis