Anabolizantes: 4 riscos que podem afetar a saúde

Uso indiscriminado de anabolizantes pode causar danos ao coração, rins, fertilidade e circulação, alertam especialistas.
 Ilustração sobre os riscos do uso indiscriminado de esteróides anabolizantes

Uso indiscriminado pode causar danos ao coração, rins e saúde reprodutiva


Coração, rins e fertilidade estão entre os alvos dos anabolizantes


São Paulo – agosto 2026 - A busca por ganho muscular rápido, definição corporal e melhora da performance tem levado muitas pessoas ao uso de esteroides anabolizantes sem indicação médica, muitas vezes estimuladas por influenciadores, vídeos de transformação corporal e discursos que vendem a ideia de que é possível controlar os riscos. Mas, ao contrário do que é repetido incansavelmente nas redes sociais, esse tipo de estratégia pode custar caro para a saúde. “Os anabolizantes, quando utilizados em doses elevadas e sem indicação médica adequada, não atuam apenas sobre os músculos aparentes, mas sim em todos os tecidos sensíveis à ação hormonal, incluindo vasos sanguíneos, rins e coração, por exemplo. E o grande perigo é que é uma agressão silenciosa” afirma o farmacêutico Dr. Maurizio Pupo*, pesquisador, professor e diretor científico do IPUPO Pós-Graduações - Instituto Maurizio Pupo de Educação e Pesquisa. Para lançar luz sobre esses danos silenciosos, especialistas explicam abaixo como o uso abusivo de anabolizantes pode afetar diferentes áreas do organismo:

Infertilidade: O uso de anabolizantes pode levar a problemas relacionados à saúde reprodutiva. “O uso indiscriminado de anabolizantes pode afetar a fertilidade de forma total ou parcial em homens, já que o aumento dos níveis de testosterona provocado por essas substâncias inibe a produção do hormônio responsável pela maturação das células reprodutivas. E alguns estudos recentes também mostraram que o uso pode comprometer de forma semipermanente a produção de testosterona nos testículos, causando uma disfunção testicular”, explica o Dr. Rodrigo Rosa*, especialista em reprodução humana e diretor clínico da Clínica Mater Prime, em São Paulo. Nas mulheres, os anabolizantes inibem a produção dos hormônios que regulam o ciclo menstrual, como o FSH e o LH. “Com isso, o organismo pode parar de ovular e a mulher deixar de menstruar por meses ou até anos. Esse quadro é reversível em alguns casos, mas, quanto maior o tempo de uso e a dose, maior o risco de danos duradouros. Além disso, os anabolizantes podem afetar a qualidade dos óvulos, causar alterações morfológicas nos ovários e até favorecer o surgimento de cistos. Há também consequências indiretas: alterações no endométrio e mudanças no padrão corporal e metabólico que podem afetar a saúde reprodutiva como um todo”, comenta o médico.

Danos ao coração: Por uma série de mecanismos bioquímicos complexos, o uso de anabolizantes pode favorecer um crescimento patológico do músculo cardíaco, especialmente do ventrículo esquerdo. “Diferente da hipertrofia fisiológica induzida pelo exercício aeróbico saudável, isso torna o coração mais espesso, rígido e menos eficiente. Além disso, ocorre morte programada das células musculares cardíacas e surgimento de fibrose no espaço deixado”, diz o Dr. Maurizio Pupo. Essas alterações podem favorecer diferentes complicações cardiovasculares, incluindo quadros de cardiomiopatia, arritmias, insuficiência cardíaca e morte súbita.

Maior risco de trombose: Segundo a Dra. Aline Lamaita*, cirurgiã vascular em São Paulo e mestre em Ciências pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, essas substâncias também podem aumentar a produção de glóbulos vermelhos, favorecendo o aumento da viscosidade do sangue e a formação de coágulos. “Esse cenário pode levar à trombose venosa, especialmente em pessoas que já têm predisposição devido a fatores como histórico familiar, presença de varizes e tabagismo, por exemplo. Em casos graves, esse coágulo que obstrui o fluxo sanguíneo pode se desprender da parede da veia e alcançar a circulação pulmonar, causando uma embolia pulmonar, quadro potencialmente fatal”, detalha a médica. Além disso, os anabolizantes podem favorecer o surgimento ou a piora de varizes em pessoas predispostas. “Apesar de não causarem varizes de maneira direta, os anabolizantes podem alterar a circulação de diferentes formas, com aumento da pressão arterial, vasoconstrição e maior dificuldade no retorno venoso, assim contribuindo para o adoecimento das veias”, explica a Dra. Aline.

Prejuízos aos rins: Outro ponto alarmante e frequentemente negligenciado pelos usuários de anabolizantes é o impacto dessas substâncias nos rins. “O tecido renal expressa receptores de androgênio e pode sofrer com a exposição prolongada a essas substâncias. O risco se torna ainda maior quando o uso de anabolizantes é associado a dietas hiperproteicas, desidratação, uso de diuréticos e estratégias extremas de definição corporal, práticas comuns em alguns contextos de fisiculturismo”, alerta o Dr. Maurizio Pupo. Com isso, os rins passam a trabalhar no limite e podem surgir lesões nos vasos renais e quadros como a glomerulosclerose segmentar e focal, quando partes dos glomérulos, que são responsáveis pela filtração do sangue, sofrem cicatrização. “Esse processo pode levar à perda progressiva da função renal e, nos casos mais graves, à insuficiência renal crônica”, acrescenta.

Além dos danos invisíveis, o uso de anabolizantes também pode causar outras alterações estéticas, como queda de cabelo e acne, segundo a Dra. Patricia Magier*, ginecologista formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF). “E nas mulheres, principalmente, pode acontecer virilização, isto é, elas começam a notar aumento do clitóris, mudança da voz, que fica mais grossa, e outras características masculinas”, detalha a médica. Mulheres com prótese de mama também podem sofrer com alterações no resultado da cirurgia devido ao uso de anabolizantes. “Os anabolizantes mudam a composição corporal. Eles tendem a diminuir a quantidade de gordura e aumentar a quantidade de músculo dos pacientes. No caso de uma paciente que tem a prótese nas mamas, principalmente localizada acima do músculo e em contato muito próximo com a pele, em um tecido mamário que atrofiou muito pela perda de gordura, a prótese pode ficar muito colada na pele, causando alterações que chamamos de rippling, que são deformidades. É como se a prótese estivesse envolta em um lençol e criam-se essas ondulações”, explica o cirurgião plástico Dr. Carlos Manfrim*, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.  Nesses casos, a cirurgia pode precisar ser refeita. “Caso a paciente apresente alguma alteração dessa, ou seja, a prótese muito próxima da pele, podemos retirar essa prótese e colocá-la abaixo do músculo. Existe até uma técnica que a gente desenvolveu, chamada HC BRA, que usa uma parte da cápsula da prótese para deixá-la bem estruturada e faz o ajuste da pele em relação a essa nova cirurgia. É uma mastopexia com troca de plano, em que a prótese é transferida de cima para baixo do músculo. Assim, essa prótese vai ter uma cobertura maior e não dá pra ver esses ripplings”, acrescenta o médico. 

Por fim, a Dra. Patrícia Margier ressalta que é importante, no entanto, não confundir o uso de esteroides anabolizantes em doses suprafisiológicas com a reposição hormonal chamada de fisiológica, feita com hormônios bioidênticos. “A reposição hormonal é feita em pacientes que estão na menopausa, com insuficiência de determinado hormônio depois dos 40 anos. O objetivo é devolver aquilo que a paciente não está conseguindo produzir. Já o uso de esteroides anabolizantes em doses suprafisiológicas, acima do que é considerado o ideal para cada pessoa, é usado principalmente com finalidade estética”, finaliza a ginecologista.

*DR. MAURIZIO PUPO - farmacêutico pela PUC-Campinas (1988), pesquisador, professor e diretor científico do IPUPO Pós-Graduações - Instituto Maurizio Pupo de Educação e Pesquisa - e diretor de P&D da ADA TINA. É professor nas áreas de Cosmetologia Avançada, Fotoproteção e Nutracêutica Clínica e Estética.

*DRA. ALINE LAMAITA: Cirurgiã vascular em São Paulo, Mestre em Ciências pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Com atuação focada em tratamentos modernos e minimamente invasivos de varizes, a médica tem título de especialista em Cirurgia Vascular e é membro de sociedades nacionais (como a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular - SBACV) e internacionais na área de flebologia. Atua em hospitais de referência e é palestrante em eventos científicos nacionais e internacionais. CRM-SP 101355 | RQE 26557. Instagram: @alinelamaita.vascular

*DRA. PATRICIA MAGIER: ginecologista formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com residência médica pelo IASERJ e pós-graduação pela Universidade do Rio de Janeiro – UNIRIO, e Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia – TEGO; também possui especialização em Medicina Integrativa e Funcional. Criadora do Método Plena para cuidado da mulher de forma completa, profunda e individualizada. Além disso, é mentora de médicos na formação Plena Master’s. CRM-RJ 54925-6 | RQE 34538 | Instagram: @drapatriciamagier

*DR. RODRIGO ROSA: Ginecologista obstetra especialista em Reprodução Humana e sócio-fundador e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo, e do Mater Lab, laboratório de Reprodução Humana. Membro da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), o médico é graduado pela Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Especialista em reprodução humana, o médico é colaborador do livro “Atlas de Reprodução Humana” da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana. CRM 119789 | RQE 61439 | Instagram: @dr.rodrigorosa

*DR. CARLOS MANFRIM: Cirurgião plástico membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e da Associação Brasileira de Cirurgia Plástica (BAPS). Graduado em Medicina pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) com especialização em cirurgia plástica pelo serviço Dr. Ronaldo Pontes (Niterói) e em Cirurgia Geral e Trauma pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). É criador da técnica de mastopexia secundária HC BRA e da técnica de lipoenxertia glútea KA Method. Autor do livro “O Norte” e professor e palestrante internacional da SAPS Academy, também é CEO da Clínica Dall’Aago & Manfrim, em Maringá, e sócio fundador do Saine Health Complex, o maior hotel cirúrgico exclusivo de cirurgia plástica do Brasil. CRMPR 24525 | RQE 20582 | Instagram @plasticasemmisterio [separador]
NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
O texto alerta para os riscos associados ao uso indiscriminado de esteróides anabolizantes e reúne informações e declarações de especialistas de diferentes áreas da saúde. O conteúdo tem carácter informativo e não substitui avaliação ou orientação médica.
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