Adorável Desgraçada entra na última semana em São Paulo

Peça Adorável Desgraçada, de Leilah Assumpção, entra na última semana no Teatro Commune, em São Paulo, com Mey Füchter e direção de Ricardo Eche.
Cartaz oficial de Adorável Desgraçada, monólogo com Mey Füchter no Teatro Commune

Monólogo com Mey Füchter segue em cartaz no Teatro Commune até 15 de agosto


Entre o riso e a emoção, Guta revisita memórias que insistem em permanecer.


A peça Adorável Desgraçada, de Leilah Assumpção, entra na última semana de apresentações no Teatro Commune, em São Paulo. O monólogo, protagonizado por Mey Füchter e dirigido por Ricardo Eche, permanece em cartaz até 15 de agosto.

Com uma trajetória iniciada na Europa, onde estreou e posteriormente realizou uma temporada de apresentações, o espetáculo chega a São Paulo propondo uma reflexão sobre sentimentos ocultos, memórias doloridas, contradições e escolhas que podem marcar uma vida.

Os ingressos custam R$ 80,00, com opção de meia-entrada.

Uma viagem ao passado de Guta


A história acompanha Guta, uma mulher que viveu a vida que lhe foi imposta, condicionada por valores rígidos e sentimentos cuidadosamente guardados e vigiados.

Ambientada em 16 de novembro de 1993, a narrativa ganha novos contornos quando Maribel, amiga de infância de Guta, reaparece em sua vida. A chegada dessa personagem, embora ausente fisicamente da maior parte da ação, faz aflorar lembranças e conflitos que permaneciam adormecidos.

O espectador é convidado a acompanhar uma jornada de autodescoberta e redenção, na qual o passado bate à porta e obriga Guta a confrontar aquilo que viveu — e, sobretudo, aquilo que poderia ter vivido.

Amizade, rivalidade e escolhas

Ao longo do monólogo, a relação entre Guta e Maribel torna-se o centro de uma disputa simbólica entre coragem e medo, confiança e dúvida, liberdade e prisão.

Numa noite marcada por intensos embates internos, a peça coloca em confronto amizade e rivalidade, competição e generosidade, amor e solidão. A partir dessas contradições, Adorável Desgraçada propõe ao público uma reflexão sobre os próprios valores, decisões e caminhos não percorridos.

Guta vive isolada no seu apartamento, mas também permanece aprisionada às suas próprias crenças e conflitos. A lembrança de Maribel funciona como uma espécie de espelho, levando-a a revisitar as escolhas que fez e, principalmente, as que não teve coragem de fazer.

Um monólogo entre o riso e a emoção


Sob a direção de Ricardo Eche, a montagem transita entre o humor e a emotividade, conduzindo o público por uma narrativa marcada pela intensidade da interpretação de Mey Füchter.

O espetáculo explora a distância entre o que foi vivido e aquilo que poderia ter sido, revelando progressivamente o sofrimento e as contradições de Guta. O percurso culmina num desfecho surpreendente e emocionalmente impactante.

A encenação também contribui para transportar o público para a época. O cenário reproduz uma sala de estar dos anos 1990, com poltrona, televisão, mesa com árvore de Natal e presentes, além de crucifixo, tapetes e outros acessórios característicos do período.

Leilah Assumpção: dramaturgia e televisão


Nascida em Botucatu, Leilah Assumpção é dramaturga e pedagoga brasileira. Em 1964, formou-se pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.

Na dramaturgia, entre as suas obras destacam-se Fala Baixo Senão Eu Grito, Jorginho – O Machão, Amanhã, Amélia, de Manhã, Roda Cor de Roda, Vejo um Vulto na Janela, Me Acudam que Eu Sou Donzela, Lua Nua, Intimidade Indecente e Adorável Desgraçada.

Na televisão, participou de trabalhos como Venha Ver o Sol na Estrada (1974), Um Sonho a Mais (1984) e da minissérie Avenida Paulista (1985).

Mey Füchter: uma carreira entre Brasil e Alemanha 


Natural de Santa Catarina, Mey Füchter começou a fazer teatro ainda criança. Formou-se em Administração e Comércio Exterior e trabalhou nessa área antes de se mudar para a Alemanha, onde estudou Artes Cênicas e iniciou a carreira profissional como atriz.

Na Alemanha, participou de diversas produções teatrais em língua alemã, entre elas Poderosa Afrodite, de Woody Allen, interpretando Linda Ash; 8 Mulheres, de Robert Thomas, no papel de Louise; e Dämon, versão de Baal, de Bertolt Brecht, como Luise.

Também participou de séries alemãs como Tatort, XY…gelöst e Der Blaulicht Report.

Em Munique, integrou ainda a versão em português de Os Saltimbancos. Atualmente, apresenta o monólogo Adorável Desgraçada pela Europa. É também autora do livro As Aventuras de Fredinho, a ser publicado.

Ricardo Eche: direção e teatro brasileiro na Europa


Nascido em São Paulo, Ricardo Eche formou-se em Arquitetura pela Faculdade de Belas Artes e estudou teatro com a atriz Miriam Mehler.

Em 1988, mudou-se para Espanha, onde trabalhou em eventos e espetáculos em Mallorca como ator, iluminador e técnico de som. Dois anos depois, mudou-se para Munique, onde participou de diversas produções teatrais no Münchner Kammerspiele, Belle Etage e Interim.

Em 1997, foi convidado a dirigir e montar peças em português e fundou o Teatro Brasileiro de Munique. Ao longo da carreira, dirigiu textos de autores como Nelson Rodrigues, Miguel Falabella, Juca de Oliveira, Plínio Marcos, Newton Moreno e Leilah Assumpção.

É autor de peças infantis e adultas, escreveu três livros e também desenvolveu trabalhos no cinema e na televisão alemã.

Ficha Técnica
Texto: Leilah Assumpção
Elenco: Mey Füchter
Direção: Ricardo Eche
Fotos: Teatro Brasileiro de Munique
Assessoria de Imprensa: Miriam Bemelmans
Produção: Ricardo Eche e Mey Füchter

SERVIÇO:
Adorável Desgraçada
Temporada: de 21 de julho a 15 de agosto
Dias e horários: terças, quartas e quintas, às 20h; sábados, às 16h
Local: Teatro Commune
Endereço: Rua da Consolação, 1218, Consolação, 01302-001, São Paulo/SP
Metrô: próximo à estação Higienópolis-Mackenzie
Ingressos: R$ 80,00 e meia-entrada
Duração: 80 minutos
Classificação indicativa: 12 anos
Género: comédia dramática
Capacidade: 98 lugares + 1 lugar para cadeirante e 1 para pessoa obesa
Instagram: @teatrocommune
Ingressos: Sympla [separador]
NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
Entre memórias, conflitos e escolhas não realizadas, Adorável Desgraçada propõe um mergulho num universo emocional que continua surpreendentemente atual. A força de um monólogo está também na capacidade de transformar uma história aparentemente individual numa reflexão que encontra eco no público. A temporada em São Paulo é, por isso, uma oportunidade para conhecer uma obra de Leilah Assumpção e o trabalho de Mey Füchter sob a direção de Ricardo Eche.
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