Evento em Santa Cruz une cultura popular, memória ancestral e resistência negra
Um quilombo urbano onde memória e esperança caminham juntas
O Festival do Dia da África chega à sua terceira edição reafirmando a força das tradições afro-brasileiras e a importância dos territórios quilombolas urbanos como espaços de resistência, acolhimento e construção coletiva. Marcado para o próximo dia 24 de maio, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, o evento transforma o Quilombo Urbano Mineiro Pau em um grande palco de celebração da ancestralidade africana e das expressões culturais populares que moldam a identidade brasileira.
Com o tema “Da África ao Quilombo Urbano: Africanidades Vivas e Caminhos de Esperança”, o festival vai muito além de uma programação artística. A iniciativa propõe um mergulho nas raízes históricas e espirituais que sustentam as comunidades negras periféricas, promovendo encontros entre gerações, saberes tradicionais e manifestações culturais que resistem ao tempo e ao preconceito.
Realizado pela Obra Social Filhos da Razão e Justiça (OSFRJ), o encontro reunirá rodas de conversa, apresentações culturais, teatro, samba, jongo, coco de roda, Dança do Mineiro Pau, além de oficinas e experiências voltadas à valorização das heranças africanas presentes no cotidiano brasileiro. A proposta é fortalecer o sentimento de pertencimento e ampliar o debate sobre memória, território, racismo religioso e justiça social.
Entre os destaques da programação está a presença do Babalawô Professor Ivanir dos Santos, uma das vozes mais respeitadas do país na defesa das religiões de matriz africana e no combate à intolerância religiosa. Pesquisadores, educadores, lideranças culturais e representantes de movimentos sociais também participarão das atividades ao longo do dia.
Outro momento simbólico será o espetáculo “Recontando Minha História Preta”, protagonizado por crianças e adolescentes da própria comunidade. A apresentação traduz o compromisso do Quilombo Mineiro Pau com uma educação afrocentrada, baseada na valorização da identidade negra, da ancestralidade e da cultura como ferramenta de transformação social.
A programação ainda inclui o tradicional Café de Terreiro, almoço ancestral comunitário, pintura afro, oficinas de turbantes, tranças, grafite e diversas apresentações ligadas às tradições afro-brasileiras e populares. A entrada será mediante a doação de 1kg de alimento não perecível, reforçando também o caráter solidário e comunitário da iniciativa.
Reconhecida como Ponto de Cultura e Ponto de Memória pelo IBRAM, além de integrante do Comitê Executivo do Sítio Patrimônio Mundial – IPHAN, a OSFRJ atua há mais de uma década no território do Quilombo Urbano Mineiro Pau, desenvolvendo ações voltadas para cultura, educação, segurança alimentar e fortalecimento comunitário.
Mais do que celebrar o Dia da África, o festival reafirma a potência dos quilombos urbanos como espaços vivos de preservação cultural, espiritualidade, resistência e esperança coletiva em meio aos desafios sociais contemporâneos.
SERVIÇO:
Local: Quilombo Urbano Mineiro Pau – sede da Obra Social Filhos da Razão e Justiça – Travessa Aurora, 157, Santa Cruz, Rio de Janeiro (RJ)
Data: 24 de maio (domingo)
Horário: Das 9h às 19h
Entrada: 1kg de alimento não perecível
Realização: OSFRJ – Obra Social Filhos da Razão e Justiça
Evento em Santa Cruz une cultura popular, memória ancestral e resistência negra
Redatora do luso-brasileiro Portal Splish Splash. VER PERFIL
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