Dor nas pernas ao andar pode indicar DAP

Dor nas pernas ao caminhar pode indicar doença arterial periférica. Saiba sintomas, riscos, diagnóstico e formas de prevenção da DAP.

Ilustração sobre doença arterial periférica mostrando dor nas pernas durante caminhada


Especialista alerta para sinais silenciosos da doença arterial periférica


Caminhar menos para evitar dor pode esconder um problema vascular

São Paulo – maio 2026 - É comum que dores e incômodos sejam ignorados principalmente por pessoas de mais idade, pois elas acreditam que isso faz parte do envelhecimento. Mas a dor nas pernas, em muitos casos, precisa ser investigada. “No caso da doença arterial periférica, ou DAP, essas dores podem ser sinais de um problema sério. A DAP é o resultado da aterosclerose, placa que se forma nas artérias e bloqueia o fluxo sanguíneo. Se o fluxo sanguíneo para o coração for interrompido, o resultado é um ataque cardíaco. No cérebro, é um derrame. Quando o fluxo sanguíneo é restrito às pernas ou, menos frequentemente, aos braços, o resultado é a DAP. A condição é subdiagnosticada e um dos problemas que dificultam seu diagnóstico é que os pacientes às vezes mascaram a dor. Eles podem, na verdade, estar, inconscientemente, andando menos e se tornando mais sedentários como forma de compensar", explica a cirurgiã vascular Dra. Aline Lamaita*, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.

O sintoma clássico é a dor nas pernas que surge ao caminhar e é aliviada com um pouco de descanso, segundo a médica. “Essa dor também é descrita como cãibra, queimação, peso ou rigidez nos músculos das pernas que começam após exercícios ou ao subir ou descer escadas. A localização da dor está relacionada ao local onde o fluxo sanguíneo está bloqueado, geralmente na coxa, panturrilha ou nádegas. Outros sintomas podem incluir feridas nas pernas ou nos pés que demoram a cicatrizar; pele descolorida; ou unhas que crescem lentamente”, explica a Dra. Aline. Mas muitas pessoas não apresentam sintomas, como resultado do estilo de vida sedentário. “A DAP é progressiva, o que significa que um problema pode surgir silenciosamente ao longo do tempo antes que uma nova dor repentina se desenvolva. Mas mesmo os pacientes que não notam sintomas correm maior risco de coisas ruins acontecerem – ataque cardíaco, derrame, necessidade de um procedimento nas pernas ou até mesmo uma amputação”, diz a especialista. “Em casos graves pode haver tão pouca circulação sanguínea que o paciente pode desenvolver úlceras ou gangrena nas pernas", comenta a médica.

Segundo a Dra. Aline, a DAP compartilha muitos fatores de risco, como pressão alta, tabagismo e diabetes. “O tabagismo em particular, por razões que não compreendemos completamente, parece ser um fator de risco mais forte para DAP do que para outros tipos de aterosclerose. Existem evidências que sugerem que a placa nas artérias das pernas difere daquela em outras artérias. Ela pode ser um pouco mais calcificada e talvez haja mais coagulação sanguínea envolvida do que necessariamente observamos na aterosclerose em outras áreas", comenta a cirurgiã vascular. “A idade é um fator de risco. Quanto maior a idade, maior o risco de ter a doença. No geral, os homens correm maior risco do que as mulheres", explica.

Se uma pessoa apresentar sintomas de DAP, é indicado que converse com seu médico e faça um histórico e exame físico completos. O "teste de primeira linha" em pacientes com suspeita de DAP é chamado de índice tornozelo-braço. “Basicamente, a pressão arterial é medida nos braços e pernas do paciente, e o médico procura por discrepâncias ao comparar as leituras”, explica a Dra. Aline. “Isso pode levar a exames mais avançados, como ultrassom duplex, angiotomografia computadorizada (ATC), angiografia por ressonância magnética (ARM) ou angiografia invasiva para avaliar as artérias. Se os exames revelarem uma artéria bloqueada, ela pode ser tratada por procedimentos para melhorar o fluxo sanguíneo, como a abertura do bloqueio com angioplastia, a inserção de um stent ou o desvio do bloqueio com cirurgia de revascularização. Se a DAP não for tratada, pode levar a um ciclo vicioso, em que a dor leva as pessoas a se tornarem menos ativas, o que as leva a se tornarem mais sedentárias, o que leva a mais problemas de saúde”, comenta a médica.

Para tratar e prevenir a DAP, mudanças no estilo de vida fazem parte da conduta. “Uma dieta saudável e fazer exercícios são indicações; frequentemente prescrevemos programas formais de exercícios realizados em uma unidade médica para melhorar a capacidade de caminhar deles. Medicamentos que previnem coágulos sanguíneos e reduzem o colesterol também podem ser partes importantes do tratamento, assim como o controle de condições como pressão alta e diabetes”, diz a médica. “A dor nas pernas ou a necessidade de passar mais tempo sentado nem sempre faz parte do envelhecimento. É sempre importante que os pacientes defendam a própria saúde, e eles são especialistas em seus próprios corpos. Portanto, se notarem algo diferente em suas pernas, a busca por um especialista é uma excelente forma de cuidado”, finaliza a Dra. Aline.

*DRA. ALINE LAMAITA: Cirurgiã vascular, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). Membro da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia, do American College of Phlebology, e do American College of Lifestyle Medicine, a médica é formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (2000) e hoje dedica a maior parte do seu tempo à Flebologia (estudo das veias). Curso de Lifestyle Medicine pela Universidade de Harvard (2018) e pós-graduação em Medicina Integrativa e Longevidade saudável. A médica possui título de especialista em Cirurgia Vascular pela Associação Médica Brasileira / Conselho Federal de Medicina. RQE 26557. Instagram: @alinelamaita.vascular
NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
A doença arterial periférica (DAP) ainda é pouco conhecida, apesar dos riscos graves associados. O Portal Splish Splash reforça a importância do diagnóstico precoce e da atenção aos sinais do corpo para prevenir complicações cardiovasculares.
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