Beethoven no CCB: uma viagem entre paixão e grandeza

CCB e Orquestra Metropolitana de Lisboa apresentam a Sinfonia n.º 7 de Beethoven, dirigida por Pietari Inkinen, num concerto imperdível a 24 de maio.
Cartaz oficial do concerto CCB Metropolitana com Pietari Inkinen e Sinfonia n.º 7 de Beethoven no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém

Pietari Inkinen dirige Beethoven, Wagner e Sibelius no CCB


Um concerto onde a delicadeza encontra a monumentalidade


O Centro Cultural de Belém (CCB) acolhe, no próximo 24 de maio, domingo, às 17h00, no Grande Auditório, um concerto de excelência protagonizado pela Orquestra Metropolitana de Lisboa, sob direção musical de Pietari Inkinen, numa coprodução entre o CCB e a Metropolitana.

Num programa cuidadosamente desenhado, a célebre Sinfonia n.º 7 em Lá Maior, Op. 92, de Ludwig van Beethoven, surge como ponto culminante de uma tarde dedicada à intensidade emocional e à riqueza expressiva da grande música orquestral. Antes, o público será conduzido por dois universos igualmente marcantes: a delicadeza íntima do Idílio de Siegfried, de Richard Wagner, e a atmosfera poética e melancólica da suíte Pelléas et Mélisande, de .

Reconhecida como uma das obras mais vibrantes do repertório sinfónico, a Sétima Sinfonia de Beethoven destaca-se pela forma como alterna ritmos inspirados em danças populares com uma energia quase marcial, criando um equilíbrio singular entre exuberância e disciplina. Porém, é no célebre segundo andamento, o profundamente comovente Allegretto, que a obra revela uma dimensão de introspeção capaz de suspender o tempo e envolver o ouvinte numa experiência de rara intensidade emocional.

Antes desta explosão de vitalidade beethoveniana, o concerto inicia-se com o Idílio de Siegfried, peça profundamente pessoal que Wagner compôs como serenata para assinalar o aniversário da sua esposa, Cosima Liszt. Trata-se de uma obra marcada pela ternura e pela intimidade, quase como um sussurro musical que contrasta com a grandiosidade habitualmente associada ao compositor alemão.

Segue-se a suíte Pelléas et Mélisande, de Jean Sibelius, extraída da música incidental escrita para a peça homónima de Maurice Maeterlinck. Através de nove andamentos, a obra transporta-nos para o reino imaginário de Allemonde, onde se desenrola uma tragédia amorosa envolta em mistério, simbolismo e uma melancolia profundamente nórdica.

A condução deste programa está entregue a Pietari Inkinen, maestro finlandês de reconhecido prestígio internacional, formado na célebre Academia Sibelius, em Helsínquia. Maestro titular da Orquestra Filarmónica da Rádio Alemã de Saarbrücken e Kaiserslautern durante os últimos oito anos, Inkinen é amplamente admirado pela clareza interpretativa, rigor técnico e sensibilidade artística que imprime a cada leitura.

A anteceder o espetáculo, às 18h30, terá lugar uma conversa pré-concerto conduzida por Rui Campos Leitão, oferecendo ao público uma oportunidade privilegiada para aprofundar o contexto e os significados das obras apresentadas.

Num único concerto, cruzam-se a serenidade íntima, a tragédia poética e a celebração arrebatadora da vida através da música. Uma proposta imperdível para amantes da música clássica e para todos os que desejam redescobrir o poder transformador da arte sonora.
NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
Mais do que um concerto, esta apresentação da Orquestra Metropolitana de Lisboa no CCB promete ser uma verdadeira travessia emocional entre a contemplação e o entusiasmo. A escolha do programa revela um equilíbrio particularmente feliz entre repertórios que exploram diferentes formas de paixão humana: o amor íntimo de Wagner, a fatalidade dramática de Sibelius e a energia quase transcendente de Beethoven. Sob a direção experiente de Pietari Inkinen, espera-se uma interpretação capaz de elevar cada partitura à sua máxima expressividade, num daqueles encontros raros em que a música deixa de ser apenas escutada para passar a ser plenamente sentida.
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